Salvador

911 Words

Perdi a conta de quantas vezes, naquela noite, eu olhei para a porta do restaurante esperando vê-la voltar sozinha. Ou acompanhada. Ou não voltar nunca. Tudo parecia suspenso, como se o tempo tivesse decidido me provocar, me testar, medir até onde ia a minha fé quando confrontada com o instinto mais básico que existe: proteger. Quando Ângela se levantou da mesa, acompanhando aquele homem estranho, algo em mim se contraiu de um jeito quase físico. Não foi medo racional. Foi aquele aperto silencioso no peito, parecido com o que eu sentia quando era criança e via alguém chorar no orfanato sem que ninguém percebesse. Um chamado interno, difícil de explicar, impossível de ignorar. Mas eu fiquei. Fiquei porque ela tinha concordado. Fiquei porque eu não queria parecer invasivo, já que eu não

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