Ficamos ali sentados por alguns minutos, o barulho distante de carros passando, o vento leve balançando as árvores da praça, como se o mundo estivesse acontecendo normalmente enquanto algo delicado demais se rearranjava entre nós. Eu sabia. Sabia que Ângela estava escondendo alguma coisa. Não era intuição vaga, era aquela certeza silenciosa que se instala quando as peças não se encaixam do jeito certo. O vestido elegante demais, a história m*l explicada, a hesitação nas respostas. Ainda assim, eu não sabia o quê ela escondia. E talvez fosse justamente isso que me impedisse de confrontá-la. Havia mistério, sim. Mas havia também afeto. E confusão. E culpa. Eu a olhei de lado, observando o jeito como ela mantinha as mãos entrelaçadas no colo, os dedos se apertando levemente, como se e

