Percebi a presença deles antes mesmo de ouvir as vozes. O som apressado dos passos, a porta dos fundos abrindo com força demais, o chamado do meu nome vindo carregado de susto — tudo chegou até mim como ecos distantes, porque naquele instante o mundo tinha se reduzido ao peso do corpo de Ângela nos meus braços e ao ritmo frágil da respiração dela contra o meu peito. — Gabriel! — minha mãe foi a primeira a se aproximar, a voz trêmula. — Meu Deus do céu… o que aconteceu? Meu pai veio logo atrás, o rosto sério, alerta, os olhos correndo da cena para o entorno, como quem tenta entender o perigo antes mesmo da explicação. Ele sempre foi assim. Prático. Protetor. Mesmo depois de tantos anos, mesmo comigo adulto, forte, alto, ainda me olhava como o menino que um dia chegou pequeno demais em ca

