Depois do almoço, tudo se desfaz aos poucos, como acontece sempre. As conversas vão ficando mais curtas, os clientes começam a sair, minha mãe já pensa mentalmente no que precisa ser preparado para a noite, meu pai confere algumas coisas no caixa. Ângela se despede com aquele mesmo sorriso tranquilo, diz que precisa resolver umas coisas, que mais tarde se vêem de novo. Ela me olha rápido, rápido demais, e vai embora. Eu faço o possível pra agir normal. Dou um abraço nela, desses comuns, contidos, sem nada que denuncie o turbilhão que está dentro de mim. Digo pra ela se cuidar, ela responde com carinho, toca meu braço por um segundo a mais do que o necessário. Depois se afasta, atravessa a porta do restaurante e some na rua ensolarada. E eu fico ali, parado, com a sensação estranha de qu

