Flagrante

714 Words

Eu sigo. E quanto mais sigo, mais estranho fica. Ângela começa a fazer curvas que não fazem sentido. Dá a volta em um quarteirão inteiro sem necessidade, entra numa rua e sai logo depois, diminui a velocidade sem motivo aparente, acelera de repente. No começo, tento racionalizar: trânsito, indecisão, talvez esteja procurando um lugar para parar. Mas não. Não é isso. Ela está rodando. Meu coração aperta dentro do peito, como se algo estivesse me avisando, silenciosamente, que eu já não estou mais no controle dessa situação, mas eu preciso descobrir o que ela está escondendo. Seguro o volante com mais força, sentindo o couro frio sob meus dedos. O painel do carro ilumina meu rosto de forma tênue, e por um instante, me vejo refletido no vidro: olhos atentos demais, maxilar travado, expres

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