Sete

1516 Words
"Não a nada que eu não faça por você." Não devia, mas essa frase ficou em minha mente e eu estava tão fixa nela que nem me importei com os olhares crescidos de todos que viam a mim e a Drakon caminhando pelqs ruas. Ele insistiu em conversar com meus pais, tanto sobre o jantar, quanto pela parceria. Abri a porta da frente de casa e entrei, Drakon entrou atrás de mim, com um sorrisinho nos lábios. Provavelmente está se divertindo com meu rosto vermelho pela timidez de apresentar pela primeira vez um rapaz — ou melhor, homem — para os meus pais. Eles sabem de Will, mas eu não cheguei a querer apresentar eles afinal, eles só veriam Will como um imprevisto na vida da filha deles. E pobre deusa, tenho certeza que minha mãe reza noite e dia para que eu me afaste de Will. "Humanos não são confiáveis." Ela sempre diz. — Mãe? Pai? — chamei eles. Consigo ouvir, e sentir, o cheiro de minha mãe na cozinha, fazendo algum novo prato que não reconheço. Meu pai está no escritório dele no segundo andar, mexendo em algum papel ou livro. Minha mãe foi a primeira a chegar na sala, e quando viu Drakon empalideceu. Ela fez uma reverência exagerada. Minha mãe havia visto o Alfa na adolescência, uma vez ela me contou que ele era o macho mais lindo que ela já vira, me pergunto se ela ainda pensa assim — me odeio um pouquinho por sentir uma pontada de ciúmes. — Filha, o que você fez? — ela falou, com um sorriso no rosto, mas eu sei que ela está apavorada — Não se meteu em encrenca, né? Selly é um pouco destrambelhada, seja o que for... Drakon sorria largamente, não é o sorrisinho divertido que ele sustentava ao ver minha timidez, mas sim um sorriso largo e feliz, genuinamente feliz. Caramba, ele está gostando disso, de ser apresentado a minha família, de estar aqui. p**a merda. Eu realmente não tenho escapatória . Eu não vou acordar amanhã e tudo não passar de um pesadelo, não é? — Selly não fez nada, não se preocupe, mas fico espantado por minha parceira ser tão m*l estimada — ele vira o rosto para mim — destrambelhada? — Eu não sou destrambelhada — rosnei. — O que? — minha mãe ficava cada vez mais pálida — Parceira? Drakon se aproximou dela, estendendo a mão em cumprimento. Minha mãe olhou para a mão dele estendida e então para ele. — Sou Drakon... , parceiro da sua filha, é um prazer conhecer a fêmea que... Minha mãe caiu, desmaiada, mas Drakon a segurou antes que ela fosse contra o chão. — Mãe! — corri até ela. Drakon a levou até o sofá. — O que foi? O que aconteceu? Melina! — meu pai se juntou a nós, e falava rapidamente. — Estou bem, eu — ela pós a mão no peito e respirou fundo —, eu só fui pega desprevenida. — O que aconteceu? — meu pai abraçava ela contra o corpo, preocupado. — Amor — minha mãe iníciou. A cor voltava lentamente para as suas bochechas. Olhei para Drakon, que olhava para os dois, abraçados, ele preocupado com ela e ela mais viva por ele estar ali. Parceiros, meus pais são parceiros e mesmo depois de cinquenta anos de acasalados eles ainda se amam mais que tudo. A parceiria é assim. Um laço inquebrável e duradouro. Você não pode tentar escapar, é tão difícil quanto prender a respiração e torcer para morrer asfixiado. — Esse é o nosso genro, parceiro de Selene — ela falou olhando profundamente nos olhos do meu pai. Engoli em seco, nervosa. Eu nunca apresentei um homem para a minha família e agora, meu pai está chocado, minha mãe desmaiou. O que mais pode acontecer? "Eles se amam, seus pais, estão casados a quanto tempo?" A voz de Drakon invadiu a minha cabeça. "No mês que vêm eles fazem cinquenta e um anos de parceiria." Esperança iluminou os olhos coloridos em azul e vermelho de Drakon e meu peito se aperta. Estou com Will e por mim ficaria com ele, com obstáculos e tudo. Mas, se eu escolher isso, escolher Will, Drakon perderia a parceira que esperou por mais de quinhentos anos, perderia a chance de se acasalar e ser marcado, perderia a oportunidade de me marcar. Uma parte minha quer chorar por ele, por essa negação minha. O que eu faço? Meu pai se levantou e fez uma breve reverência. — Meu alfa — falou meu pai —, é uma honra recebê-lo em nossa casa. — O prazer e todo meu, mas eu vim aqui como Drakon, e não como o alfa — embora os dois sejam a mesma pessoa, mas eu acho que ele está tentando aliviar a tensão. — Sentem-se. Me sentei no sofá de dois lugares e Drakon ocupou o lugar ao meu lado. Minha total atenção cai rapidamente na proximidade do corpo dele com o meu, com o calor dele esquentando a lateral do meu corpo. Meus s***s enrijecem dentro do sutiã. Merda, merda, merda. Um sorrisinho malicioso curva os lábios de Drakon, e eu sei que ele está sentindo o cheiro dessa alteração em meu corpo, dessa excitação que eu não consigo controlar. — Então vocês são parceiros? Isso é uma imensa felicidade! — falou meu pai, exibindo os dentes em um largo sorriso. — Quando foi que aconteceu? Selly voce não me contou nada — uma ponta dolorasa nas palavras de minha mãe fez uma parte minha murchar um pouco. — Vou contar — prometi. Eu deveria ter contado. Drakon conversou com eles, falando sobre o jantar que ele os convidou. Meu pai perguntou sobre a nossa união e eu me senti estranha, péssima, por estar na direção de uma união Lican. Uma união que não tenho como evitar, porque por mais que eu ame Will, uma parte minha quer dizer sim a Drakon. Estou perdida, confusa. — Então está aqui por causa dos assassinatos? Mas não foram só dois? — Drakon repuxou os lábios. — Dois assassinatos, mas já tem doze casos de desaparecimento nessa região — o que? Doze Licans sequestrados? Meus pais ficaram tão preocupados quanto eu. — Então é grave — falou meu pai, então ele olhou para mim. Soube o que ele ia falar antes de o fazer —, espero que tenha ouvido o que ele disse, na próxima vez que tentar escalar o muro... — Eu sei, eu sei — respirei fundo. Eu não sou tão louca assim —, eu dou um jeito de falar com meus amigos — por mais que eu odei facetime. Drakon engoliu em seco. Me pergunto se ele subentendeu que os "amigos" seja "o cara que minha parceira namora". Ele não está errado. — Você quer um chá? Um suco? — ofereceu minha mãe. — Não será necessário, eu tenho que conversar com Sam — porque ele tinha interrompido a reunião por minha causa. Drakon se levantou, e nós o acompanhamos — espero os três no jantar, obrigada por me receberem na casa de vocês. — Foi uma honra, senhor — falou minha mãe. Acompanhei Drakon até a porta,antes que ele atravessasse o portal de madeira, ele parou e olhou para mim. — Te vejo por aí, rouxinol — ele se virou e então desceu as escadinhas até o gramado. Até de costas, com a camisa preta e a calça Levi's, Drakon é bonito. E tem uma b***a redonda que me faz pensar naquele emoticon de pêssego. "Consigo sentir seu cheiro daqui, para nossos bem, é melhor controlar isso." Eu sabia que ele estava sorriso. Aquele i*****l. "Não acho que consigo controlar, já tentei. Ao contrário de você, que parece estar em perfeito controle, me sinto fora de mim." "Estou mesmo no controle." Ele parou na rua e olhou para mim, parada no portal da porta, olhando para ele descaradamente. "Só esse controle que me faz resistir de entrar em você, de sentir esse cheiro não só nas minhas narinas." Engoli em seco. Meus s***s pesaram e o desejo se acomulou entre as minhas pernas. Merda, estou excitada. Will vai ter direito de me chamar de traídora na próxima vez que brigarmos. "Mantenha o controle, que eu vou tentar me controlar. Até mais." Entrei em casa, fechando a porta em minhas costas. Respirei fundo, controlando a necessidade de sentir algo entre as pernas. "Vamos ver até quando consegue se controlar. Te vejo no jantar, parceira." Eu podia muito bem entrar em combustão só com a voz dele me chamando de parceira. Podia muito bem chegar a um orgasmo se fosse um sussurro em meu ouvido. Intenso. É a única forma em que consigo descrever isso. Como vou sair intocada quando é absurdamente doloroso o desejo que ele me faz sentir? Com as loucuras que ele me faz pensar? Perdida e confusa. Pior, perdida, confusa e excitada. Esse jantar será um teste para meu autocontrole, um controle que eu perco totalmente quando Drakon está por perto. Que a Deusa me ajude.
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