Seis

1787 Words
Olhos, tantos olhos e murmurios. Ele tinha que ter me arrastado pelas ruas? Tinha que deixar claro que tem algo acontecendo? A essa altura do campeonato todos da comunidade devem saber. Meus pais... Merda, eles já devem estar abrindo champanhe ou fazendo a reforma do meu quarto em um escritório ou academia particular. Entramos em uma casa, provavelmente a que Sam reservou para ele, e por mais que eu quisesse gritar com ele eu não o fiz, já basta o que vou ter que dizer a ele. Passamos pela sala, subimos as escadas, e como eu sei que no segundo andar só tem os quartos... Quarto, cama. — Eu não posso...eu — tentei falar, mas ele já tinha aberto a porta do quarto e me arrastado para dentro. — Tome um banho — ele parou, olhou para a porta secundária do quarto e então olhou para mim, ele deve ter visto a minha confusão, porque os traços dele se suavizaram —, está com cheiro de outro macho, não vou conseguir conversar com você desse jeito. Tome um banho, um bom banho, e não coloque essas roupas de novo. — Eu não tenho outra roupa aqui senhor, como eu... — Eu arranjo, não se preocupe — ele olhou para os mais pés —, vou te deixar sozinha — ele subiu os olhos até mim e... corpo, porque você me trai assim? Um arrepio percorre minhas costas com a intensidade do olhar que ele me lança. Quero correr, quero ir embora. A quem eu quero enganar? — Tudo bem. Ele sai, mesmo que eu saiba que o instinto dele é ficar e ter certeza que o cheio de Will vai sair de mim. Isso é impressionante, principalmente porque ele acabou de encontrar a parceira dele, e o autocontrole que ele demonstrou é... surpreendente. Vou para o banheiro,que não é diferente do meu. Um banheira simples mas que cabe um lobo inteiro dentro, o chuveiro, um espelho oval sob a pia, as paredes são azuis e de azulejo. Comum, mas o dele, da casa dele, deve ser muito diferente desse. Giro a torneira e deixo a banheira encher. Me despido enquanto a água jorra. Ele pode entrar aqui. Meu cérebro acusa. Ele pode entrar aqui e ver você nua, fazer coisas com você. Não, não acho que ele vá fazer isso. Mas, e se? Balanço a cabeça e retiro a minha calça jeans de lavagem clara. Me sinto um tanto i****a por estar fazendo o que ele mandou, mas as possibilidades são dele querer tirar o cheiro de Will a força, e eu não vou nem pensar como, e ir atrás de Will como se ele fosse um cervo a ser abatido. Prefiro o banho. Adoro banho e essa água tá quentinha. Me esfrego, várias e várias vezes com quantidades generosas de sabão. Não posso correr o risco de Drakon encontrar Will, pois eu sei que nada de bom vai sair desse encontro. Quando eu termino e me enrolo com a toalha que tem no box, não faço a menor ideia de quem seja e não ligo para isso, tenho coragem para sair do banheiro. Meu corpo se alivia pelo quarto estar vazio. Em cima da cama, a peças de roupa, ou melhor, a ideia delas. Uma cueca e uma blusa tão grande que em mim fica um vestido. O cheiro nelas diz que são dele e é claro que seriam. Visto mesmo assim e tento ignorar que ele já usou essa cueca, tento ignorar os traços do cheiro daquela parte tão íntima na cueca. Respira fundo Selene. Você tem namorado, não é porque a parceiria faz você enlouquecer de t***o que você vai trair seu ele. Você não ama Drakon. É com esse pensamento que eu saiu do quarto e vou ao encontro do meu parceiro. Na sala, sentado no sofá de couro preto, com o tornozelo de uma perna apoiado no joelho da outra, Drakon olha para a fotografia de lobos correndo em uma floresta escura em cima da lareira. — Melhor — ele falou, provavelmente já detectando a minha presença — , sente-se. Entrei na sala, mas não sou perturbada o suficiente para sentar no mesmo sofá que ele, então optei pela poltrona de cor marrom no lado oposto da sala. Os cantos dos lábios de Drakon se levantaram em um quase sorriso. Ele está se divertindo a minha custa e isso é óbvio. — Selene — ele falou e p**a merda, ele só falou o meu nome. Os olhos dele caem em meu b***o de forma automática, como se soubesse que meus s***s ficaram rigidos com tão pouco estimulo. Eu definitivamente vou ter que me esconder dele na lua cheia. — É um belo nome — ele elogiou. — Obrigada, mas, eu não acho que tenha me trazido aqui para jogar conversa fora — fui direta, e ele assentiu. — Pelo que notei, você tem um amante, e humano — a palavra humano saiu ácida dos lábios dele —, vou ser sincero com você e espero que seja comigo — ele mudou de posição, apoiando os cotovelos em cada coxa, inclinando o corpo levemente em minha direção —, não gosto nem um pouco da ideia de ter que dividir você, e prefiro não fazer — abri a boca para protestar, mas ele fez um sinal, erguendo a mão, me interrompendo —, mas serei compreensivo, já que nenhum de nós sabia que a parceiria seria estabelecida agora. — Não pretendo deixá-lo — consegui falar, e a supresa no olhar de Drakon me deixou... incomodada —, eu o amo, e eu sei que sou sua parceira mas... — Se tivesse que escolher entre eu e ele, seu parceiro á alguém totalmente incompatível com você, ainda escolheria ele? — dor, e uma armadilha. O que eu disser vai ser usado contra mim, se eu escolher... Will é meu namorado a dois anos, e somos...felizes, ele foi o primeiro cara por quem realmente me apaixonei. Já Drakon, ele me faz sentir os nervos a flor da pele, me faz querer libertar meu lado mais primitivo, me faz querer ser livre, e...me faz querer ele dentro de mim na forma mais íntima. É a parceiria, eu sei, ela age assim para que não tenhamos dúvida ou possamos ir contra e a nossa ligação é tão forte. — Ele é meu namorado a dois anos, eu m*l conheço você, não posso escolher quando nem conheço você — me levantei e dei dois passos na direção dele —, somos parceiros, ótimo, fico contente por ter te encontrado, mas vamos nos resumir a isso? Sermos parceiros? Will é meu melhor amigo, ele me conhece como a palma da mão porque... — Porque vocês tem uma relação — a voz dele ficou dura, cheia de raiva —, entendi. Vou deixar bem claro uma coisa, não vou abrir mão de você, e não quero escutar uma recusa, vou ser paciente com você mais não me impeça de ter minha parceira — ele se levantou, um muro de pele e músculos se erguendo sobre mim. Lindo, para nossa espécie ele é um macho excepcional e cono poderia ser diferente? Cada poro de Drakon grita poder e algo mais. —, fui claro? — ele deu um passo em minha direção e meu corpo vibrou com a aproximação. — Sim, eu entendi, mas, o que você pretende fazer? Digo, você é o alfa, e tem todos esses eventos... — E como minha parceira você vai estar comigo, eu disse que serei paciente quando a seu relacionamento com esse humano, mas que todo resto ainda é meu — engoli em seco —, você vai ser apresentada a minha corte no jantar dessa noite junto a Liz. Mas já? Ser apresentada como parceira dele? Bem, isso eu sou mais...tornar isso oficial? Bigamia não é crime? Mas, ele está sendo gentil quanto ao meu relacionamento com Will, ele não está me forçando a ficar com ele, a abandonar alguém que eu amo, pelo menos isso eu posso ser grata, e um jantar, ser apresentada, acho que posso fazer isso sem problemas. — Tudo bem, eu vou conversar com meus pais e... — Seus pais virão — o quê? —, quero sua família aqui, claro que se eles estiverem disponível. Merda, hoje é domingo e folga deles. Quais as chances deles terem ido visitar a minha avó? — Tudo bem — respirei fundo —, e quanto a... Dormir juntos. Não consegui falar, não quando ele pode pensar outras coisas. Quando um casal se forma e a parceiria se estabelece eles passam a dividir a mesma cama e na maioria dos casos, a mesma casa, pois a parceiria é quase o casamento humano, mas sem as cerimônias. — Quanto a o que? "Vou ter que vir morar aqui? Com você?" Lancei o pensamento, porque não consegui dizer em voz alta. Só a ideia de ter que dormir na mesma cama que ele faz meu corpo esquentar. Drakon sorriu largamente, e aí, podia muito bem ser um tiro. Ele é tão...lindo, muito lindo. Depois, se eu me lembrar, vou agradecer a deusa por me dar um parceiro tão...gostoso. Que Will me perdoe, mas Drakon é um homem de tirar o fôlego. "Eu adoraria, e claro, se você estiver disposta a isso, posso pedir para colocarem uma cama extra no meu quarto." Sorri, de verdade. Drakon ficou chocado, e os olhos estavam presos em mim. O que foi? Ele nunca viu alguém sorrindo? "Como você consegue ser tão controlado? A maioria dos parceiros não deixa a parceira a menos de dez centímetros de distância." "Estou usando todas as forças que eu tenho, Selene, a última coisa que eu quero é assustar você." Certo, porque se ele forçasse eu provavelmente não iria querer vê-lo nunca mais. — Obrigada, por isso, e por ser paciente com meu namoro — eu não poderia estar mais sem jeito. — Não há nada que eu não faça por você. — uma verdade pura, uma força irredutível em seus olhos. Drakon é uma ameaça para meu relacionamento com Will, tudo nele grita por mim e meu corpo canta para ele. Eu temo que essa reação, essa ligação, seja forte demais para que eu vá contra. A última coisa que quero é deixar Will e mágoa-lo, mas Drakon... Aquela parte selvagem e instintiva minha quer dar uma chance a ele. Eu nunca estive tão confusa e isso é um pesadelo. Pessoas confusas machucam pessoas incríveis e eu não vou me perdoar se eu machucar um deles. Eu tenho que fazer uma escolha, eu preciso, pelo bem de todos. A resposta deveria ser óbvia. Deveria ser. Mas porque ainda é tao difícil?
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