### **Capítulo – O Medo Que Me Consome**
*Narrado por Aurora Castelli*
Domingo. O dia que deveria ser de descanso, mas ao invés disso, meu corpo parecia cansado de uma batalha interna que eu não conseguia vencer. O que eu sentia não era simplesmente um arrepio. Era algo mais profundo. Algo que me consumia aos poucos e, para ser honesta, estava me assustando.
Três dias se passaram desde que entrei pela primeira vez na vida de Dante Valessi. E a cada segundo que passava, ele parecia estar mais presente em meus pensamentos. A visão dos seus olhos negros, como a noite, me perseguia, e a voz rouca, grave, que fazia meu corpo tremer de uma maneira que eu tentava ignorar, ecoava na minha mente como um sussurro constante.
Mas o que mais me atormentava era o corpo dele. Tão grande. Tão imponente. O peitoral forte, os braços musculosos que, eu sabia, poderiam me prender em seus braços com a mesma facilidade com que ele destrói tudo ao seu redor. E aquelas tatuagens espalhadas por seu corpo... cada uma delas me deixava mais curiosa. Seu jeito de se mover, as pernas musculosas, como se estivessem preparadas para qualquer coisa. Eu não podia negar, ele era um homem que mexia comigo de uma forma que eu nunca imaginei que alguém seria capaz de fazer.
Naquelas noites solitárias, ao deitar na cama, sentia o calor subir pela minha pele, minha respiração se acelerando à medida que as imagens dele tomavam conta de minha mente. Eu não conseguia evitar. Me entreguei ao pensamento dele mais do que eu deveria. E, naquele sábado à noite, a consequência foi inevitável. Me vi tocando meu corpo, uma, duas vezes... O peso da culpa que logo me atingiu foi esmagador. Como pude fazer isso? Como pude me deixar levar por um pensamento tão proibido?
Foi então que eu tomei uma decisão. No domingo, iria à missa. Iria pedir perdão a Deus. Eu precisava me redimir de algo que, ao mesmo tempo, me causava desejo e vergonha. A culpa me corroía por dentro, mas ao mesmo tempo, havia algo mais... algo que me fazia desejar estar mais próxima daquele homem, daquele monstro que se escondia atrás de um sorriso cativante e olhos ameaçadores.
Saí da igreja com o coração leve, sentindo que o arrependimento tinha me purificado. Mas, ao voltar para casa, algo começou a me incomodar. Uma sensação estranha, como se estivesse sendo observada. O vento estava mais frio do que o normal, e a rua estava deserta, mas eu não conseguia afastar a sensação de estar sendo seguida. O som dos meus passos parecia ecoar mais alto do que deveria.
Acelerei o passo, tentando ignorar o sentimento, mas ele persistia. Quando finalmente entrei em minha casa, travei a porta com uma rapidez que quase me fez derrubar tudo o que estava nas minhas mãos. Fechei as janelas, virei a chave na fechadura e fiquei parada ali, respirando profundamente.
Corri para o banheiro e tomei um banho quente, tentando relaxar, mas a sensação de inquietação não ia embora. Vesti minha lingerie vermelha, algo que, inexplicavelmente, combinava com o tom do meu cabelo ruivo. Eu sabia que poderia me distrair um pouco com o celular, conversando com minhas melhores amigas, Marieta e Belinda. Elas sempre souberam me fazer rir, me fazer esquecer de tudo por um tempo.
Deitei na cama, com o ventilador ligado para ajudar a espantar o calor, e comecei a digitar para elas. A conversa estava leve, mas o pensamento de Dante não saía da minha cabeça. Eu me vi pensando nele de novo, na maneira como ele me encarou durante a nossa última consulta. Como se estivesse esperando algo de mim... ou talvez testando até onde eu iria.
Foi quando o celular vibrou em minha mão, quebrando o ciclo de pensamentos. Era uma mensagem de um número desconhecido.
Cliquei rapidamente, esperando encontrar uma mensagem normal. Mas o que eu vi me fez o sangue gelar.
Era uma foto minha. Uma foto minha deitada na cama, com a b***a virada para cima, sorrindo para a câmera, sem perceber que alguém estava me observando. A mensagem que acompanhava a foto foi a gota d'água.
“Cuidado, ratinha. Alguém pode te ver. E p***a, garanto a você que isso não vai prestar.”
Meu coração parou por um segundo. A sensação de estar sendo observada voltou com força total. Eu não consegui me mover por alguns segundos, o medo congelou minhas ações. Quem era essa pessoa? Como ele conseguiu essa foto?
Levantei da cama abruptamente, e, com as mãos tremendo, fui até a janela. Olhei pela cortina, mas não havia ninguém. Nenhuma sombra. Nenhuma presença. O silêncio lá fora parecia ainda mais perturbador.
Fechei a janela com a mesma velocidade com que a abri, trancando-a em seguida. Repeti o processo com todas as outras janelas da casa, trancando cada porta e verificando se estava segura. Minha respiração estava descontrolada, e o medo que havia se instalado em mim era palpável.
Como essa pessoa sabia de mim? Como ele conseguiu tirar aquela foto? Isso era impossível. Eu havia me protegido de todas as maneiras possíveis. Eu tinha cuidado com cada passo que dava, e ainda assim... isso aconteceu.
Fui até a cozinha e tranquei a porta com o máximo de cuidado possível, como se isso fosse realmente fazer alguma diferença. Quem era esse maldito? Eu precisava saber quem estava me perseguindo, e, mais do que isso, o que ele queria de mim.
Fiquei parada ali, ouvindo os próprios passos em minha casa, o silêncio ameaçador me cercando. Olhei para o celular, como se a resposta estivesse ali, esperando para ser encontrada. O nome daquele número continuava desconhecido. E, em algum lugar dentro de mim, sabia que essa pessoa não ia embora. Ela estava apenas começando.
“Maldito”, pensei, “quem é você?”
E, com o coração acelerado, me afastei da janela, tentando controlar a respiração e a raiva que crescia dentro de mim. Eu não podia deixar esse homem me controlar. Eu precisava descobrir quem ele era, e o que ele queria de mim.