o destino das irmãs

866 Words
O jardim interno do castelo estava coberto por uma fina camada de neve. Mesmo com o frio, era ali que as três irmãs encontravam um pouco de paz longe dos olhares atentos da corte. Catarina estava sentada em um banco de pedra, inquieta, enquanto Helena caminhava de um lado para o outro claramente preocupada. Já Isabella permanecia mais afastada, em silêncio. Por alguns instantes, nenhuma delas disse nada. Até que Catarina quebrou o silêncio. — Eu ainda não consigo acreditar… — sua voz saiu baixa, carregada de tristeza. — Daniel realmente se foi. Helena parou de andar, cruzando os braços como se tentasse se proteger do frio… ou da dor. — E Josefina também se foi… de um jeito diferente — disse ela. — Ela não fala com ninguém. m*l olha para nós. Isabella abaixou o olhar, pensativa, mas permaneceu calada. Catarina suspirou fundo, passando a mão pelos cabelos. — E o pior… é o que isso significa para todas nós. Helena franziu a testa. — Você está falando do… casamento? Catarina assentiu, finalmente deixando a preocupação transparecer completamente. — Eu e Príncipe Álvaro estamos prometidos há anos. O reino de Arquelis já considera essa união praticamente selada. — Ela engoliu seco. — Mas se Josefina não se casar primeiro… eu também não posso. Helena desviou o olhar, claramente afetada. — Eu sei como você se sente… — murmurou. — Porque eu também… — ela hesitou, mas continuou — eu também gosto de alguém. Catarina olhou para ela, surpresa. — Quem? — Príncipe Sérgio… do reino de Argar. O silêncio que se seguiu foi pesado, mas compreensivo. Catarina se levantou lentamente, aproximando-se da irmã. — E ele sabe? Helena balançou a cabeça, com um pequeno sorriso triste. — Não. E talvez nunca saiba… se tudo continuar assim. não teremos mais encontros. As duas trocaram um olhar cúmplice, compartilhando a mesma insegurança. Enquanto isso, Isabella permanecia quieta. Catarina percebeu e virou-se para ela. — E você, Isabella? Não vai dizer nada? Isabella hesitou. Seus dedos apertaram levemente o tecido do vestido. — Eu… não tenho nada a dizer. Helena arqueou a sobrancelha, desconfiada. — Isso não é verdade. Você está estranhamente calada. — Nem todo mundo sonha com príncipes… ou casamentos políticos. Catarina a observou por um momento, como se tentasse ler algo além daquelas palavras. Mas Isabella desviou o olhar rapidamente, voltando a encarar o lago. Dentro dela, um turbilhão de sentimentos crescia em silêncio. O nome de Leonel ecoava em seus pensamentos… um sentimento que jamais poderia ser revelado. Um simples empregado. Um amor impossível. E, talvez, o mais perigoso de todos. O vento frio soprou pelo jardim, fazendo as três irmãs se aproximarem instintivamente. Presas não apenas pelo inverno de Frosthal… Mas por destinos que nenhuma delas havia escolhido. O jardim estava silencioso naquela tarde. Isabella caminhava sem rumo, perdida em seus próprios pensamentos… até vê-lo. Leonel. Ele estava próximo à fonte, distraído, com as mangas da camisa levemente dobradas. Quando percebeu a presença dela, seu olhar mudou — havia algo ali, algo que ele sempre tentava esconder. — Alteza… — disse ele, abaixando levemente a cabeça. O coração dela acelerou de imediato, mas sua postura continuou firme. — Não precisa disso quando estamos sozinhos, Leonel. Por um instante, o silêncio se instalou entre eles. Um silêncio carregado… cheio de tudo o que não era dito. — Eu… — Leonel começou, mas parou. Passou a mão pelos cabelos, nervoso. — A senhorita não deveria andar sozinha por aqui. Isabella deu um pequeno sorriso, quase triste. — E você deveria parar de fingir que só se preocupa comigo por obrigação. Ele a olhou, surpreso. Aquela frase o atingiu mais do que ela imaginava. — Não é por obrigação… — respondeu, mais baixo, sincero demais. Os olhos dos dois se encontraram. Por um segundo, parecia que tudo seria finalmente revelado. Que as barreiras cairiam de uma vez. Mas nenhum dos dois teve coragem. Isabella desviou o olhar primeiro. — Deveríamos… voltar — disse ela, tentando recuperar o controle. Antes que Leonel respondesse, passos apressados se aproximaram. — Leonel! — chamou uma das empregadas, ofegante. — Estavam te procurando na cozinha. A jovem parou ao lado dele, próxima demais. Colocou a mão em seu braço de forma natural, íntima demais para o gosto de Isabella. — Preciso da sua ajuda agora — continuou a empregada, sorrindo. Leonel hesitou. Olhou para Isabella, claramente dividido. — Eu… já vou. Isabella sentiu um incômodo novo… e forte. Ciúmes. — Claro — disse ela, fria de repente. — O trabalho deve ser prioridade, não é? Leonel franziu levemente o cenho, percebendo a mudança no tom dela. — Alteza, eu— — Não precisa explicar — interrompeu Isabella, erguendo o queixo. — Não me deve satisfações. A empregada olhou entre os dois, sem entender, mas ainda segurando o braço dele. Isabella lançou um último olhar para Leonel, um olhar que misturava orgulho ferido e sentimentos que ela jamais admitiria. E então virou-se, caminhando de volta ao palácio com passos firmes… mesmo que seu coração estivesse tudo, menos firme. Leonel permaneceu parado por alguns segundos, observando-a se afastar. Ele sabia exatamente o que tinha acabado de acontecer. porém, mais uma vez… deixou escapar.
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