Inconsciência

1062 Words
Respirou fundo, olhando para os demais presentes na sala. — Prometo fazer sempre o melhor para Ashara, mesmo que isso seja difícil. Eu sei o peso disso e também a importância. Desde que era mais novo eu aprendi que Ashara vinha em primeiro lugar. Em breve eu governarei com honra e humildade. O rei assentiu, orgulhoso do próprio filho. — Por enquanto é isso, vamos para a fronteira. — disse o Shelter. — Papai, onde Charles está é perigoso? Sabe, ele não usa o domínio da terra do mesmo modo que outros guardas. O rei suspirou, deixando os demais saírem da sala para falar com Hunter. — Eu sei que está preocupado, mas não há necessidade, Charles treinou desde novo para isso. — Ele treinou para ser meu guarda, para ficar ao meu lado e não em uma zona de guerra. Está fazendo isso para puni-lo? — Estou fazendo isso porque os exilados usam fogo contra nós e Charles consegue apagar as chamas antes que isso vire um desastre. — respondeu em tom baixo. — Não era a minha ideia, mas as coisas estão ficando difíceis e precisamos utilizar de todos os nossos recursos para proteger a cidade. Hunter concordou e suspirou profundamente, olhando para o chão, para os lados e só então olhando para os olhos de seu pai novamente. As sobrancelhas estavam caídas, seu olhar era de pesar. — Eu preciso dele de volta. Não deixe ele se machucar. Se ele se ferir, traga diretamente a mim no mesmo momento. Papai, eu me importo mais com ele do que comigo mesmo, então não deixe ele se ferir. ✘✘✘ As coisas em Ashara estavam diferentes naquela semana, Hunter sentia o m*l estar de um m*l presságio. Pelas ruas e via que o povo não estava feliz como de costume, ninguém pelas ruas, nem pela praça. Sem crianças correndo felizes, sem caçadores trocando seus feitos por sorvete. Ninguém nos quiosques, ninguém produzindo apenas por felicidade. Havia uma atmosfera pesada, ainda que o rei se negasse a contar à população exatamente o que estava acontecendo, nada mais era como antes. Muitas coisas haviam melhorado em Ashara nos últimos anos, aos poucos, como qualquer sociedade, estavam evoluindo e criando formas de progredir. Um desses exemplos do progresso que ocorreu foi os trilhos para o bondinho que passava nas principais regiões da cidade; hospital, escola, praça central, o palácio, até mesmo chegava a zona leste do reino, onde ficava o lago. Hunter esperou a noite cair, eram por volta de sete horas quando saiu do palácio, já sabendo que em breve o bondinho passaria por ali. Subiu na lenta condução vazia naquele horário e sentou-se em um dos bancos desconfortáveis, esperando que ele o levasse até onde precisava estar. A zona leste era a parte do muro que estava sempre em constante expansão, não havia casas naquele lugar, mas uma vegetação densa. Hunter embrenhou-se entre o capim alto e as árvores, assobiando melodiosamente como um pássaro para chamar a atenção de Charles. O alfa, sobre o muro da fronteira, olhou em volta, até localizar a forma iluminada do namorado escondido na floresta. Charles não se deu nem ao trabalho de descer do grande muro pela escada, apenas amarrou uma corda ao topo dela e desceu rapidamente, quase jogando-se em queda livre. — Hunter, o que está fazendo aqui? É muito perigoso. — perguntou quase desesperado ao chegar perto do namorado, segurando o rosto dele entre suas mãos. — Eu estou com muita saudade de você. — sorriu, puxando o namorado para perto e o beijando. — A mais de dez anos não ficamos longe por mais de algumas horas e agora já são dias que não conseguimos nos ver. O alfa suspirou, balançando a cabeça em concordância. — Eu sei, as coisas estão mais difíceis do que o seu pai deixa transparecer. Hunter, o outro lado do muro é… — o alfa engoliu em seco. — Eu não sei como dizer para você. Eu não… eu sei… Hunter suspirou, agarrando-se às vestes do namorado. — Não precisa, não vim aqui por isso, vim por você. Eu estou com muita saudade de você. — beijou o namorado novamente. — Mas não deveria ter vindo, aqui é muito perigoso. Eles são pessoas desesperadas capazes de qualquer coisa. Volta pra casa e amanhã de manhã eu prometo, eu juro, vou estar lá e vou passar um tempo com você antes de voltar ao trabalho. Por favor, vá pra casa e fique em segurança. — Os exilados não tem dons, por que seriam tão perigosos? — Porque eles estão com ódio, querem vingança e tomar a cidade. Pessoas assim são muito perigosas e eu não quero que você fique aqui correndo perigo. Hunter suspirou insatisfeito, quase batendo o pé no chão e fazendo birra, mas sabia que de nada adiantaria. — Eu vou, mas espero ver você no meu quarto assim que o sol nascer, entendeu bem? — Entendido, senhor. — o alfa riu. — Onde está Abissal? — Eu vim de outro modo, não queria chamar atenção. — riu. — Mas pode deixar. Vou chegar em casa em breve. O alfa concordou, dando alguns beijinhos no rosto do namorado antes de deixá-lo ir, embrenhando-se no capim alto pela direção que veio. O r**m do sistema do bondinho, era que não podia entrar em um a qualquer momento e ir para onde quisesse. Hunter sentou-se próximo aos trilhos e ficou aguardando até que o veículo desse a sua volta e passasse por ali novamente. Tinha esperança de poder ficar ao menos um pouco mais com o namorado, então não teria que esperar tanto pelo bondinho. Passou alguns minutos naquela região mais escura, ouvindo os barulhos do outro lado do muro e também o clarão alaranjado que vinha do outro lado vez ou outra. Aquele povo era tomado pela raiva e não tinha medo do fogo. A condução se aproximava e por isso Hunter levantou, sem ter escutado qualquer barulho de alguém se aproximando. — Fica bem quietinho ou morre aqui mesmo. — ouviu o sussurro próximo ao seu ouvido, a pessoa em seguida lhe pegou pelo pescoço. Hunter sentiu a lâmina da adaga em sua pele e nem mesmo questionou, ficando em silêncio e imóvel. A pancada em sua cabeça o apagou tão depressa, que nem ao menos sentiu a dor antes de ser atingido pela inconsciência.
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