Perfeito… agora vem o inevitável
O problema de tentar seguir em frente…
é quando o destino resolve testar.
— Tem um evento hoje à noite — Bruna disse.
— Eu não vou — Luna respondeu na hora.
— Você nem sabe qual é.
— Não importa.
— Importa sim.
Silêncio.
Bruna cruzou os braços.
— É importante pra sua nova empresa.
Pausa.
— Ótimo.
— E você precisa ir.
— Ótimo.
— E…
— FALA LOGO.
Bruna respirou fundo.
— Ele vai estar lá.
Silêncio.
Pesado.
Imediato.
— Não.
— Sim.
— Eu não vou.
— Você vai.
— Eu não vou!
— Você precisa.
Silêncio.
Luna passou a mão no rosto.
— Isso é tortura.
— Isso é roteiro.
— Eu odeio esse roteiro.
— Eu amo.
Mais tarde…
Salão lotado.
Luzes.
Música.
E tensão prestes a explodir.
Luna entrou.
Confiante.
Linda.
Preparada.
Mentira.
Ela não estava preparada pra isso.
Do outro lado…
Enrico já estava lá.
Impecável.
Frio.
Mas quando viu—
Travou.
Por um segundo.
Um erro.
Mas suficiente.
Os olhos se encontraram.
De novo.
Sempre.
E tudo voltou.
De uma vez.
Como se nunca tivesse ido embora.
— Eu vou fingir que não vi — Luna murmurou.
— Boa sorte — Bruna respondeu.
— Ela chegou — Matteo disse.
— Eu vi.
— E agora?
Silêncio.
— Agora nada.
Mentira.
Mas o universo…
claramente não queria “nada”.
Porque alguém apareceu.
Claro que apareceu.
— Luna?
Ela virou.
E viu um homem.
Sorriso fácil.
Confiança demais.
— Você deve ser a nova contratação da empresa, certo?
— Sou.
— Prazer, Daniel.
— Luna.
— Quer uma bebida?
Pausa.
Ela pensou.
Um segundo.
Erro.
— Quero.
Do outro lado…
Enrico viu.
Observou.
Registrou.
— Não começa — Matteo disse.
— Eu não vou fazer nada.
— Você nunca faz… até fazer.
Silêncio.
— Então, Luna — Daniel continuou — você veio de uma empresa grande, né?
— Sim.
— Deve ter sido difícil sair.
Pausa.
— Foi… necessário.
— Mudanças são boas.
— Às vezes.
— Você parece alguém que não gosta de rotina.
Ela sorriu.
Pequeno.
— Eu odeio rotina.
— Ele tá conversando com ela — Enrico disse.
— Sim.
— Ele tá perto demais.
— Está.
— Ele tá sorrindo demais.
— Também acho.
Silêncio.
— Eu não gosto disso.
— Eu sei.
— Você dança? — Daniel perguntou.
— Eu—
— Não — uma voz interrompeu.
Silêncio.
Claro.
Enrico.
Luna fechou os olhos por um segundo.
— De novo não…
Daniel olhou entre os dois.
— Eu interrompi algo?
— Sim — Enrico respondeu.
— Não — Luna disse ao mesmo tempo.
Silêncio.
Constrangedor.
Perfeito.
— Eu posso decidir — Luna continuou.
— Pode — Enrico respondeu — e decidiu errado.
Silêncio.
Ela travou.
— Você não tem esse direito.
— Eu tenho.
— NÃO TEM!
— Ele não te conhece.
— E você conhece?
Silêncio.
Pesado.
Direto.
Daniel levantou as mãos.
— Eu acho que isso aqui não é comigo.
— Não é mesmo — Enrico disse.
— PARA — Luna cortou.
Silêncio.
Ela respirou fundo.
Tentando não explodir.
Falhando.
— Você não pode simplesmente aparecer e agir como se tivesse direito sobre mim!
— Eu não estou fazendo isso.
— TÁ SIM!
— Eu estou evitando um erro.
— VOCÊ É O ERRO!
Silêncio.
O salão inteiro não ouviu.
Mas poderia.
Porque o clima…
gritava.
— Você escolheu seguir em frente — ele disse.
— E você também!
— Eu não escolhi.
— Escolheu sim!
— Eu fiz o que precisava!
— SEMPRE O QUE PRECISA!
Silêncio.
Ela chegou mais perto.
Olhos nos olhos.
Sem filtro.
— E nunca o que quer.
Pausa.
Fatal.
Ele travou.
De novo.
Mas dessa vez…
não recuou.
— E você? — ele perguntou — tá fazendo o que quer agora?
Silêncio.
Ela abriu a boca.
Fechou.
— Eu tô tentando.
— Não parece.
— E você não ajuda!
Pausa.
Longa.
Pesada.
Real.
— Eu fui atrás de você — ele disse, baixo.
Ela travou.
— Eu sei.
— Você não abriu.
— Eu não podia.
— Por quê?
Silêncio.
Ela desviou o olhar.
— Porque se eu abrisse… eu não ia conseguir fechar de novo.
Silêncio.
Aquilo bateu.
Forte.
Ele deu um passo mais perto.
— Então para de fugir.
— Eu não tô fugindo.
— Tá sim.
— EU TÔ TENTANDO ME SALVAR!
Silêncio.
Explodiu.
Tudo parou.
Mesmo com música.
Mesmo com gente.
Ali…
só existiam os dois.
— E eu? — ele perguntou.
Baixo.
Perigoso.
— Eu não posso te salvar.
Silêncio.
Ela respondeu:
— Eu sei.
Pausa.
Respiração falhando.
Olhar preso.
Distância mínima.
— Então por que você ainda me olha assim? — ele perguntou.
Silêncio.
Ela hesitou.
De novo.
Sempre.
— Porque eu ainda sinto.
Direto
Sem defesa.
Sem mentira.
Silêncio.
Pesado.
Real.
Ele não pensou.
Não analisou.
Não controlou.
Pela primeira vez…
não foi o CEO.
Foi só ele.
E ele puxou ela.
Pela cintura.
Sem pedir.
Sem pensar.
Sem contrato.
E beijou.
Dessa vez…
sem plateia importar.
Sem regra.
Sem desculpa.
Só vontade.
Só saudade.
Só tudo que eles tentaram evitar.
Ela travou.
Um segundo.
Dois.
Erro.
E correspondeu.
Porque fugir…
já não estava funcionando.
Do outro lado…
Bruna surtando.
— EU SABIA!
Matteo passando a mão no rosto.
— Isso vai dar problema.
— Já deu.
E no meio do caos…
finalmente aconteceu.
Mas o problema não era o beijo.
Era o que vinha depois.
O beijo acabou.
Mas o problema…
tinha só começado.
Eles se afastaram.
Devagar.
Respiração descompassada.
Olhares presos.
Silêncio.
Pesado.
Real demais.
— …isso foi um erro — Luna disse.
Baixo.
Quase sem voz.
Mentira.
Enrico não respondeu na hora.
Porque pela primeira vez…
ele não queria mentir.
— Não foi.
Silêncio.
Ela riu.
Sem humor.
— Claro que foi.
— Não foi.
— A gente acabou de provar exatamente o contrário.
Ao redor…
murmúrios.
Olhares.
Celulares discretos.
Porque claro…
alguém tinha visto.
Sempre tem alguém.
— Ótimo — Luna murmurou — mais um escândalo.
— Eu resolvo.
— Você sempre resolve, né?
— Eu tento.
— Esse é o problema.
Silêncio.
Ela deu um passo pra trás.
Distância.
Proteção.
— Isso não muda nada.
— Muda sim.
— Não muda!
— Você disse que ainda sente.
Silêncio.
Ela travou.
— E você também.
Ele não negou.
Dessa vez não.
— Sim.
Direto.
Simples.
Tarde demais?
Talvez.
Ela passou a mão no rosto.
Nervosa.
Confusa.
— A gente não pode fazer isso.
— Já estamos fazendo.
— Isso vai dar errado.
— Já deu.
Silêncio.
— Você tá com outra — ela disse.
Direto.
Cortante.
— Não estou.
— Eu vi.
— Foi estratégia.
— Eu não sou estratégia!
Silêncio.
Ele chegou mais perto.
Sem paciência agora.
— E eu não quero mais fingir que isso aqui é.
Pausa.
— Então para de agir como se fosse!
Ela respirou fundo.
Tentando recuperar controle.
Falhando.
— Você não pode decidir isso sozinho.
— E você não pode fingir que não sente.
— Eu não tô fingindo!
— Então por que você tá fugindo?
Silêncio.
Fatal.
Ela desviou o olhar.
Erro.
— Porque eu não confio em você.
Silêncio.
Aquilo bateu.
Forte.
Direto.
Sem defesa.
Ele ficou imóvel.
Por um segundo.
Dois.
— Justo.
Baixo.
Sincero.
Raro.
— Você teve chance — ela continuou — e não escolheu.
— Eu sei.
— E agora quer voltar como se nada tivesse acontecido?
— Eu não quero fingir que nada aconteceu.
— Então o quê você quer?
Silêncio.
Longo.
Importante.
Ele respondeu:
— Você.
Erro.
Perigoso.
Irresponsável.
Real.
Ela travou.
De verdade.
— Você não pode falar isso.
— Por quê?
— Porque você não sabe sustentar isso.
Silêncio.
— Dessa vez eu vou tentar.
— Você sempre tenta… depois que perde.
Direto.
Cruel.
Verdade.
Ele não negou.
Porque não dava.
— Eu não vou ser sua segunda opção — ela disse.
— Você nunca foi.
— Fui sim.
— Não foi.
— ENTÃO POR QUE NÃO ME ESCOLHEU?!
Silêncio.
Explodiu.
De novo.
Ele chegou mais perto.
Agora sem controle nenhum.
— Porque eu estava com medo!
Pausa.
Aquilo caiu como uma bomba.
— Medo de quê?
— De perder o controle.
— E perdeu.
— Perdi.
Silêncio.
Ele não desviou.
Não recuou.
— E não foi r**m.
Ela engoliu seco.
Sentindo tudo voltar.
— Isso não resolve nada.
— Não resolve.
— Só complica.
— Muito.
Silêncio.
— Então a gente para — ela disse.
Baixo.
Difícil.
Ele respondeu na mesma hora:
— Não.
Ela riu.
Sem humor.
— Você não aprende.
— Eu tô tentando aprender agora.
— Tarde demais.
Silêncio.
Ele olhou pra ela.
De verdade.
Sem defesa.
Sem máscara.
— Me dá uma chance.
Pausa.
Longa.
Dolorosa.
Ela hesitou.
Claro que hesitou.
Sempre.
Mas dessa vez…
não era só sentimento.
Era dor também.
— Eu não sei — ela respondeu.
E aquilo…
já era muito.
Do outro lado…
Bruna agarrada no braço de Matteo.
— EU NÃO TÔ BEM.
— Eu também não.
— Eles vão se matar.
— Ou se resolver.
— Ou os dois.
De volta…
Eles ainda estavam ali.
Perto.
Mas não como antes.
— Eu não posso prometer nada — ela disse.
— Nem eu.
— Então isso não é um começo.
— Não.
— É o quê então?
Silêncio.
Ele respondeu baixo:
— É um risco.
Ela soltou um suspiro.
Cansada.
Mas sincera.
— A gente já se machucou demais.
— Eu sei.
— E mesmo assim…
Pausa.
Ela olhou pra ele.
De novo.
— …eu ainda não consegui ir embora.
Silêncio.
Diferente agora.
Porque não era mais negação.
Nem fuga.
Nem só desejo.
Era escolha.
Ainda confusa.
Ainda perigosa.
Mas escolha.
E isso?
Isso muda tudo… ou destrói de vez.