Prólogo
Quando abri meus olhos, a luz intensa me cegou temporariamente. Minha mente vagava entre o passado e o presente, de forma aleatória, deixando-me confusa.
Após segundos piscando os olhos e buscando uma visão estável, olhei no espaço à minha volta e não reconheci nada. O espaço era pequeno e tudo parecia ser feito com um material similar ao metal. Esforço-me para me sentar e percebo estar deitada numa espécie de maca embutida. Como as camas de uma penitenciária. Não há roupa de cama. Apenas um travesseiro alto que sustentava minha cabeça latejante.
Levo minha mão à testa e franzo o cenho, sentindo como se uma britadeira estivesse ligada contra meu crânio. Na minha frente, há grades horizontais e grossas que me separam da grade vertical à lazer.
"Elena Stark, você está presa!"
Lembro-me das palavras do secretário Ross e solto um grunhido insatisfeito. Eu estava na Prisão Balsa. Levanto-me e caminho até a grade, tentando enxergar o que há lá fora. Vejo uma outra cela em frente à minha, mas ela está totalmente vazia.
— Tem alguém aí?
Pergunto, mas não obtenho respostas. No canto da minha cela, há uma câmera que se move à cada passo meu. Não quero ninguém me vigiando.
Ergo a mão na tentativa de drenar energia e danificar a câmera, mas minha tentativa é falha. Sinto uma forte dor na nuca e ganho uma picada voraz no pescoço, que faz com que eu me curve de dor.
— Não faria isso se fosse você.
Uma voz soa e eu percebo que há alto-falante na cela. Provavelmente eles também me ouvem, assim como estou ouvindo-os.
— A coleira em seu corpo bloqueia seus poderes. Não adianta tentar, Voltagem.
Segurando minha cabeça com as mãos na tentativa de amenizar a dor, me ergo sobre os joelhos e, aos poucos, já estou de pé. Olho para a câmera, mas não vejo nada. Apenas tenho certeza de que eles me vêem com clareza.
— Quando eu sair daqui, eu vou acabar com você. Eu sei que está aí, Ross. — ameaço numa voz rouca, porém firme
— Não está numa posição favorável para fazer ameaças, senhorita Stark
Sua voz eletrônica chega até mim como farpas. Quero gritar e espernear, mas sinto que qualquer movimento brusco pode causar a explosão da minha cabeça. Tanto pela dor, quanto pelas armas que devem haver no sistema de segurança dessa cela.
— Uma médica está à caminho da sua cela. Não tente nenhuma gracinha, Elena.
***
O tempo aqui parece se arrastar. Já não sei se é dia ou noite. Fico deitada no que me serve de cama e levo minha mão ao meu pescoço, encontrando a coleira fria em meu pescoço. Eu nunca havia encontrado nada que me neutralizasse dessa forma. Somente uma pessoa que eu conheço faria algo dessa técnica. Meu próprio pai.
O primeiro estrondo que ouço soa tão abafado, que não me importo. Estou derrotada. Essa coleira não só neutraliza, como também parece sugar todas as minhas energias, deixando-me exausta. É terrível a sensação de ser drenada.
O segundo estrondo soa ainda mais forte. Tento me levantar para tentar saber o que acontece, mas m*l consigo piscar meus olhos. A forma deles me deixarem fora de combate é me deixando o mais dopada possível. Fico me perguntando se Wanda também está sofrendo.
O terceiro estrondo vem acompanhado de muita fumaça e um barulho que me deixa momentaneamente s***a.
Então as grades da cela se abrem e eu vejo Steve na minha frente. Pergunto-me se não me deram doses de calmantes à mais.
Steve se aproxima e diz algumas palavras, mas o zumbido em meus ouvidos me deixam com a mente ainda mais embaralhada. Então ele me ergue em seus braços e sai dali.
UM ANO DEPOIS
— Você está esquisita.
Ouço a frase de Steve e o olho. Ele está usando jeans surrados e uma camiseta com gola polo. Parece uma pessoa normal. A única mais descontraída neste complexo subterrâneo em Wakanda.
— Está acontecendo alguma coisa, Elena?
Sua voz soa preocupação. Steve e eu temos sido cúmplices desde o resgate na Prisão Balsa. Estamos num relacionamento sério, embora não tenha havido nenhum pedido oficial. E nem precisa. Vivemos algo nosso. O que ganhamos e o que perdemos, ninguém precisa saber.
— Fala comigo.
Respiro fundo e percebo que estava segurando a respiração. Estou numa situação complicada.
— É complicado. — digo
— Elena, tudo o que estamos vivendo é complicado. — suspira — Não estamos numa situação estável, mas o nosso relacionamento é. Há milhares de coisas erradas no mundo, mas não aqui. Não entre nós. — ele pega minha mão
— Eu tô grávida.