S T E P H E N S T R A N G E
Os dias têm sido agitados. O mundo está chocado com o desaparecimento da herdeira de Tony Stark. Só se fala sobre isso na televisão. Eu estou no templo há algumas horas, mas já está tarde, então irei para o meu apartamento. O bom de não ser um Vingador é poder andar na rua sem ser parado por todos. Nossa, deve ser h******l ser Tony Stark. Só que não.
Sabe quando você sente que está sendo observado? Que todos os seus pequenos movimentos estão sendo friamente calculados? É a sensação que tenho agora. Não sei ao certo quem me olha tanto e nem se estou sendo seguido de fato, mas a sensação me incomoda.
Antes de ir para casa, decido parar para tomar um café na Starbucks mais próxima. Faço meu pedido e me sento sozinho, observando o movimento do local. Uma mulher me chama atenção. Seus cabelos são brancos e ela parece concentrada em seu livro de capa dura, de título esquisito. Não consigo nem mesmo decodificar o título, nem mesmo identificar o idioma.
Seu rosto me é familiar, mas tenho absoluta certeza de que nunca a vi antes. Não a conheço.
Sou pego no ato e seu olhar encontra o meu. Eu sorrio sem jeito e ela sorri educada para mim, logo voltando sua atenção ao livro em sua mão. Estou curioso. Que idioma é esse? Que livro é esse?
Sentindo algo pinicar meus poros e acabei me levantando e caminhando até ela.
— Com licença. — disse ao me aproximar — Não pude deixar de notar o livro que está lendo.
Ela me olha aparentemente surpresa e então se ajeita na cadeira, ajeitando o óculos em seu rosto.
— É uma capa bonita, não? — ela sorri
— Permita-me. — digo ao puxar a cadeira do seu lado e me sentar — Não reconheço o idioma.
— Oh, é nórdico. — ela diz fechando o livro e dando-o na minha mão para que eu analise — Histórias de deuses, lugares distantes, multiverso. — diz simples
— Fascinante. — sorrio avaliando o tesouro em minhas mãos — Onde conseguiu este livro no idioma deles?
— Meu avô era pesquisador. Encontrei muitas quinquilharias em suas coisas.
— Eu sou fascinado por conhecimento. — digo animado
— Eu também. Amo aprender sobre as coisas. Eu leio muito.
— Sério? — eu a olho e coloco o livro sobre a mesa, vendo-a acenar animada com a cabeça — O que mais encontrou nas coisas de seu avô?
— Teorias, histórias de outros planetas, outras galáxias. São histórias incríveis, mas ainda não consegui ler tudo.
— Sei. Você também se interessa por coisas espirituais?
— Me interesso por qualquer coisa mística que eu não saiba, senhor. — ela diz sorridente
— Escuta, eu... Trabalho numa espécie de templo onde tem antiguidades e muitas coisas para ler. Gostaria de ir até lá agora?
Sem revelar muito sobre minha verdadeira função, faço o convite a moça esquisita, bonita e de cabelos brancos à minha frente. Ela sorri maravilhada e vejo seus olhos brilharem.
— Sério? Eu não atrapalharia? — ela pergunta incrédula — Eu aceito! É claro que aceito.
— Ótimo! Eu sou Stephen Strange. — me apresento
— Pode me chamar de Maligna. — ela diz sorrindo
***
De volta ao templo, acendo as luzes e dou espaço para Maligna passar. É um nome esquisito para se dar à um filho, mas eu não questionei. Há gosto para tudo. De repente, é apenas um preconceito da minha parte. Mas ainda não sai da minha cabeça o nível de esquisitisse disso. É o mesmo que pôr o nome do seu filho de Lúcifer. Ele passará a vida inteira sendo questionado e julgado por isso. Embora Lúcifer seja um nome lindo.
— Uau!
Ela diz admirada enquanto observa o local com os olhinhos brilhando. Isso porque ainda estamos no saguão.
Essa mulher é um mistério. O cabelo branco e longo, os olhos que mudam frequentemente de tom de cor, a barriga levemente saliente na calca jeans de cintura alta, sua curiosidade, sua inteligência. Ela é única. Posso dizer que nunca encontrei ninguém como ela e, certamente, não encontrarei nunca mais.
Subo de nível com ela e mostro apenas as antiguidades mesmo. Nada de mostrar sobre minha magia.
— Nós temos aqui alguns ítens da Grécia Antiga. — digo chegando numa parte do templo
— Eu amo mitologia grega. Os deuses da mitologia grega são as divindades da religião praticada nessa época. Sendo uma religião politeísta, os gregos acreditavam na existência de diversos deuses e deusas. Cada um com poderes de influenciar um diferente aspecto da natureza.
Olho para ela me perguntando qual livro de história ela engoliu. Por um momento, ela parece surpresa pelo que fala e fica parada com os olhos vidrados no nada. Mas esse deslize dura poucos segundos, já que ela pisca e volta a sorrir como se um estalo houvesse sido dado em sua mente. Talvez ela esteja achando que está sendo inconveniente. Sorrio e continuo seu raciocínio, mostrando que estamos iguais em nível de nerd.
— Os principais deuses da mitologia grega são Zeus, Hera, Poseidon, Hades, Apolo, Ártemis, Afrodite, Ares, Dioniso, Hefesto, Atena, Hermes, Deméter e Héstia.
— Meu favorito é Apolo. — ela diz — Mas tenho uma queda por Poseidon e Zeus. — ri
— Confesso que não tenho favorito. — digo rindo — Aqui está seu símbolo. A águia, o carvalho e o touro. — mostro uma das antiguidades
— É lindo. — ela admira sorrindo
— Vou mostrar-lhe seus queridos. — digo caminhando para perto dos monumentos que representam Apolo e Poseidon
— Queria ter nascido nessa época. — diz maravilhada
— Não foi muito de meu agrado, mas confesso que são místicos e valiosos demais.
— Você perguntou-me se gosto de coisas espirituais. — ela diz e se vira para me olhar — O que tem para me mostrar?
— Me acompanhe, por favor.
Caminhamos juntos para outra parte do templo onde tem vários símbolos religiosos. Trato de explicar-lhe.
— Aqui temos a Flor de Lótus. Muito importante no budismo, representa iluminação. — explico mostrando o símbolo — Já aqui, temos o Hamsa, que... — ela me interrompe
— O que é isso?
Seu olhar está direcionado para a Jóia do Tempo, que está pendurada na parede. d***a! Eu deveria ser mais cuidadoso. Isso não pode ser visto por qualquer um.
— Ah, isso é uma jóia antiga. — tento mudar de assunto
— É uma Jóia do Infinito, não é? — pergunta se aproximando, mas eu sou mais rápido e tomo a jóia em minha mão
— Como sabe sobre isso?
Por um tempo, ela fica hipnotizada pela jóia. Seu olhar acompanha cada detalhe, me ignorando temporariamente.
— Meu avô. — ela responde ainda olhando a jóia — Em alguns livros nórdicos há algo sobre Jóias do Infinito.
— Onde você aprendeu a falar a língua nórdica? — pergunto curioso
— Haviam alguns registros de símbolos e seus significados na nossa língua. Eu sou curiosa, já disse. — dá de ombros — Quebrei a cabeça, mas consegui aprender.
Começo a me questionar se foi uma boa trazê-la aqui. A intenção era fazê-la me dar informações nórdicas, mas ela é quem acabou descobrindo que eu estou com uma Jóia do Infinito.
— É verdade o que os livros dizem? — ela questiona
— O que os livros dizem?
— Que elas são muito poderosas e cada uma pode manipular um elemento diferente. Essa manipula o que? — pergunta
— Não sei, é só quinquilharia. Se essas jóias existem realmente, essa aqui não passa de uma cópia barata. — digo guardando-a no bolso
Um silêncio se faz por alguns segundos. Ela parece pensativa e fazer questionamentos internos, mas nenhuma palavra sobre isso é dita novamente.
— Eu preciso ir. — ela diz
— Strange! — ouço a voz de Wong
— Estou aqui em cima! — grito de volta — Eu a levo até um ponto de táxi mais próximo.
— Não precisa. — diz sorrindo — Posso achar a saída. Foi um imenso prazer, senhor Stephen Strange.
— Igualmente senhorita Maligna sem sobrenome. — sorrio para ela e ela se vai
— Estava falando sozinho? — Wong pergunta ao chegar até mim
— Sim, estava. Faz bem. — dou de ombros mentindo
P E P P E R
O dia na empresa foi muito corrido. m*l tive tempo de almoçar, tendo que fazer a refeição dentro da empresa, em minha própria sala. A preocupação com Elena também está acabando comigo. É muito difícil não saber onde minha filha está — sim, filha! Elena é minha filha! — e ver a tristeza nos olhos de Tony, Eric e Elliot.
Os pequenos estão desolados e Tony está num estado crítico de dor. Já não dorme mais, não se alimenta direito... Eu só espero que Elena esteja bem, onde quer que ela esteja.
— O que acha de levar algum presente para os meninos? — Happy sugere
— Podemos levar um super lanche para distraí-los? — sugiro cansada, no banco de trás do carro
— Vou pegar os lanches. — ele diz estacionando em frente à um fast food
— Veja se consegue ser rápido, Happy. Estou cansada e não confio nos meninos sozinhos com Tony no Complexo, agora de noite.
— Ok, chefe. — ele diz saindo do carro
Pego meu celular e vejo algumas mensagens para mim. Abro a janela de Tony e clico para ouvir os áudios.
— Mamãe, o papai não quer deixar a gente brincar no quarto da minha irmã.
— Mamãe, o Elliot não quer brincar comigo.
— Mamãe, Elliot está trancado no quarto da Elena e não quer sair para brincar.
— Mamãe, que horas você chega hoje?
Respiro fundo sentindo minha dor de cabeça aumentar. Leio também a mensagem escrita de Tony.
"As coisas saíram levemente do controle, mas já consegui animar Elliot e Eric. Estamos esperando por você. Beijos!"
Sorrio aliviada com a notícia de que parte da paz estava de volta à nossa casa. Digito rapidamente uma mensagem em resposta para Tony, avisando que já estou a caminho.
Olho para a janela vendo Happy no balcão, conversando com a atendente do estabelecimento. As portas de vidro estão fechadas e...
— Elena?
Questiono quando vejo uma mulher saindo de um prédio antigo. Franzo o cenho e a vejo passar pelo meu carro, caminhando devagar. Deixo tudo no banco e saio do carro, observando seu jeito de andar. Sua barriga está levemente visível. Ela já deve ter completado o terceiro mês de gestação.
— Elena!
Chamo alto e corro atrás dela. A mulher tem o cabelo branco e usa roupas comuns.
— Elena!
Seguro em seu braço, fazendo-a parar.
— Desculpe! A senhora deve estar me confundin... — sua voz some quando seu olhar encontra o meu
Seus traços estão mais fortes, o cabelo está diferente, os olhos têm outra cor, mas eu sei que é ela.
— Eu não me chamo Elena, senhora.
Rápida, ela se desfaz de mim e sai caminhando. Eu fico sem saber o que fazer.
***
— Era ela, Tony! — digo nervosa
— Tem certeza, Pepper? — ele pergunta enquanto tenta achar imagens de câmeras de segurança daquela área
— Absoluta. Estava com mais corpo, cabelos grandes e brancos, olhos safira, mas era ela! Eu sei o que eu vi. Eu falei com ela.
— Como ela estava? Estava bem? — T'Challa pergunta preocupado
— Estava. Ela olhou na minha cara e disse que não se chamava Elena.
— Claramente está sob controle mental. — Rhodes diz sentado em sua cadeira de rodas
— d***a! Não há imagens nítidas. — Tony resmunga — Sexta-feira, aproxime e otimize este reflexo no vidro do carro.
— Processando...
Logo, na tela da parede, a imagem do reflexo do rosto de Elena no vidro de um carro estacionado aparece. Não é muito nítida, mas dá para reconhecermos ela.
— O que ela veio fazer aqui? — T'Challa pergunta
— Será que está sendo usada por alguma força alienígena? — Rhodes pergunta
— Não importa! A essa altura, ela não está mais na Terra. — murmuro
— Minha filha. — Tony murmura tristonho — Ela esteve aqui.