Luna Chinara Vetter

2529 Words
T O N Y Uma semana sem notícias de Elena. Nenhuma aparição, nenhuma notícia, nada de sinal de satélite. As pesquisas estão me matando e, eu que já não dormia direito, hoje já não durmo mesmo. Vivo sob alguns goles de cachaça e alguns remédios. Estou como um morto vivo. — Vai tirar um cochilo. Minha vez de pesquisar mais. T'Challa diz dando um tapinha amigável em meu ombro e eu dou um leve pulo do banco, percebendo que estava num cochilo. — Estou bem. — murmuro passando a mão no rosto — Vai, Tony. Deixa que eu pesquiso. Olho para ele e o vejo pôr uma grande caixa em cima da mesa de metal. Franzo o cenho. — O que é isso? — questiono — As coisas que prometi à Elena, sobre Luna Vetter. — A avó chantagista dela? — o vejo abrir a caixa — Luna não era chantagista. Vocês entenderam tudo errado. — Ela queria que Leila tomasse todo o meu dinheiro. — Ela queria que Leila te pedisse dinheiro para que você ajudasse Elena. Elena teve uma crise forte, estava no auge do seu descontrole de poderes. — Uau! Se queria fazer eu me sentir ainda mais culpado, parabéns. — Não era essa a intenção, mas você devia ter ido atrás da Leila quando ela sumiu. — Ok, a culpa é minha? Por que, cargas d'água, você, todo poderoso de Wakanda não ofereceu ajuda à ela? — Não era eu quem regia o país na época. Ainda estamos sofrendo mudanças, mas o meu povo tinha medo de se expor. Medo por esses exploradores. — Não podia abrir uma exceção para sua amada Elena? Apóio as mãos na mesa e o encaro sério. Ele fica calado me olhando. — Do que você está falando? — O que rola entre vocês dois? Fala a verdade. — Amizade? Irmandade? Depende, o que você quer ouvir? — ele me encara — Certo. Pode até não ter rolado nada entre você e minha filha, mas eu sei como você olha pra ela. — Eu não amo sua filha desse jeito, Tony, se é isso que está sugerindo. — Não tô falando de amor, T'Challa. Falo de atração física. s**o. — Não tem problema em falar isso da tua própria filha? — ele ri — Não quando ela não tá presente. — dou de ombros — Ou quando eu não imagino a cena. Oh, m***a! Tarde demais, imaginei. Faço uma careta de nojo e sinto o estômago embrulhar. Talvez seja também o fato de não ter comido nada. — Vai descansar, Tony. — ele diz rindo — Fique atento a qualquer sinal de satélite, ok? Eu não estarei dormindo de verdade, mande Sexta-feira me avisar caso aconteça algo. — Leve essa caixa com você. Dê uma olhada na história da sua ex-sogra. — Ex- quase - sogra. — corrijo Pego a caixa e boto a tampa de novo. Respiro fundo e vou arrastando meus pés pelo chão do Complexo. Não esbarro no meu filho ou em meu neto. Provavelmente, Pepper os levou para distrair a mente. Chego em meu quarto, deixo a caixa na cama e tomo um banho bem relaxante e frio. Sinto todos os nós dos meus músculos se desfazerem, deixando-me mais relaxado e leve. Visto uma calça e uma blusa e me jogo na cama, ficando com vários travesseiros sob as costas e numa posição meio deitado e meio sentado. Respiro fundo, sentindo meu corpo agradecer pelo descanso. — Vamos ver a sua história, Luna Vetter. Resmungo e abro a caixa, vendo alguns livros de capa dura ali dentro. Por baixo, há um álbum de capa preta aveludada. Abro o mesmo e vejo logo de cara uma foto da toda poderosa Luna Vetter. Luna está trajando uma roupa similar a de uma guerreira africana antiga e poderosa. Está muito bonita com os cabelos crespos presos numa trança embutida. Pego o livro da guarda real e faço uma breve leitura sobre a história da guarda. Depois, abro outro livro, vendo que está escrito à mão. Parece uma espécie de diário. Quando abro outro livro, vejo que é a biografia de Luna. Me interesso pela leitura. Há 30 anos atrás... O dia estava quente e os raios solares iluminavam toda a cidade. Da janela do meu quarto eu via as pessoas passando apressadas e algumas guerreiras trocando seus turnos na guarda. Respiro fundo e me olho no espelho. Estou usando um traje de guarda real, já que hoje é um dia importante. Iremos apresentar T'Challa, filho de T'Chaka como príncipe legítimo de Wakanda. Meus cabelos crespos estão presos numa trança embutida e há um adereço que deixa uma franja metalizada prata cair em meu rosto. Saio do quarto e vejo funcionários passando apressados com os últimos detalhes da festa. Vou até os aposentos reais e vejo T'Chaka saindo do quarto. Ele está bonito num traje wakandano de festa. — Bom dia, Luna. — ele sorri e eu faço uma leve reverência — Bom dia, rei T'Chaka. — Ramona está amamentando o pequeno. Logo tudo estará pronto. — Excelente, majestade. — respiro fundo — Hoje tu tens um olhar tristonho. — ele observa — Não, majestade. Estou bem. Estou feliz pela chegada de vosso herdeiro. — Sim, não tenho dúvidas que está feliz por mim e minha família. Mas algo está a lhe perturbar. — É só que... Ver o pequeno faz-me lembrar das minhas meninas. — Uh, sim. Suas meninas. — ele diz em tom pensativo — Amélia e Leila, correto? — Sim, majestade. Eu as deixei com o pai e, provavelmente, elas me odeiam agora. Baixo a cabeça e sinto uma onda de tristeza me invadir. Para Theodore e minhas filhas eu sempre serei a v***a que abandonou o lar. Sinto as mãos do rei em meus ombros, como um sinal de conforto. — Tu és uma grande mulher, Luna. Jamais se esqueça disso. — ele diz sorrindo — Haverá um dia em que o mundo saberá de Wakanda. Então todos saberão sua história magnífica e sua família te perdoará. Sorrio sem lhe mostrar os dentes e então ele se vai para arrumar alguns pequenos detalhes da cerimônia. Eu respiro fundo me recompondo e dou duas batidas na porta, logo ouvindo Ramona me liberar. Assim que entro no quarto, a mesma está trajando um robe de cetim estampado com flores coloridas que representam a colheita do país, sentada na grande poltrona com o pequeno herdeiro nos braços. Sua dama de companhia está colocando sua roupa em cima da enorme cama. — Oh, Luna, é você! — ela sorri — Podes segurar o pequeno para que Mazikeen possa me ajudar a me arrumar? — Claro, majestade. — sorrio Quando pego o pequeno no colo, o mesmo está com os olhos abertos e me olha curioso. Penso na sensação que tive quando peguei Amélia e Leila pela primeira vez nos braços. Foi algo único. Revolucionário. Deixá-las foi a coisa mais difícil da minha vida. Uma grande guerra cercou Wakanda e exploradores tentaram invadir o país. A guerra durou cinco anos e então, quando acabou, eu decidi que não voltaria mais. Não tenho o direito de entrar e sair da vida deles assim. Quando estamos na sacada, com toda a nação wakandana lá embaixo, o mestre de cerimônia faz as honras e então pega o pequeno herdeiro nos braços, desenrolando-o da manta. Como se ele fosse um boneco, vira o garoto para frente e o segura no alto para que todos lá embaixo possam vê-lo. Ele faz uma prece aos deuses e então todos rezam juntos. — Abençoado seja T'Challa! O príncipe herdeiro de Wakanda! — Viva! Há 18 anos atrás... Tomar essa decisão foi complicado. Foram semanas pensando e ouvindo os conselhos de T'Chaka. Eu participei da vida do pequeno T'Challa e lhe ensinei muita coisa. O pequeno, agora, tem uma irmã chamada Shuri, que também tem um destino promissor. Deixar Wakanda foi doloroso, mas não tão doloroso quanto chegar em frente à minha antiga casa e descobrir que não há mais ninguém da minha família ali. Uma nova família está a morar lá. — Fala sobre os Vetter? Eles colocaram a casa pra vender há alguns anos e então eu comprei. — o senhor diz — É uma ótima casa. — Não sabe o motivo da venda? Para onde foram? — As duas mulheres estavam bem abaladas na época. Parece que o pai delas havia falecido. Meu coração erra duas batidas... Três batidas... Respiro fundo, buscando o ar com dificuldade. Theodore está morto. Ele morreu achando que o abandonei por maldade. — Elas falaram algo sobre a casa atrair lembranças e tudo mais. Na época, eu comprei e negociei com um advogado de Howard Stark. Stark! Eu sabia sobre o envolvimento de Leila com a empresa de Howard, mas não sabia que ela era tão querida por eles a ponto de lhe emprestarem um advogado. — Meses depois o senhor e a senhora Stark faleceram num acidente, então passei a negociar apenas com Amélia Prior. — Prior? — questiono — Ah, claro. Seu nome de casada. Dava pra acreditar? Minha filha casada. Eu sou avó de duas crianças. Claro que preciso conversar seriamente com Leila sobre sua decisão de esconder a menina de Stark. Mas primeiro eu preciso saber como elas vão reagir com o meu retorno e com o fato de eu tê-las vigiado por todo esse tempo. — Elas alugaram uma casa aqui perto, durante um tempo fomos vizinhos. Até vi a irmã mais nova grávida de poucos meses. Mas então elas se foram. Acho que foram morar no Bronx. — Tem o endereço? Ok, nada no Bronx. No endereço que o rapaz me deu, outra família morava. Eu não devia ter escutado T'Chaka. Deveria ter colocado o rastreador nelas. Faço uma ligação com meus contatos secretos de Wakanda e chego à um prédio no Brooklyn. O prédio parece ser aqueles de dois apartamentos apenas. Toco a campainha e me afasto da porta, para observar a fachada do local. É então que Amélia aparece na janela. Seu rosto fica pálido ao encontrar o meu. — O que faz aqui? Com que direito você volta depois desse tempo todo? — Leila grita — Eu vim me explicar. — Eu não quero sua explicação. — Amélia diz — O que você quer? — Leila me olha — Antes de dizer o que vim fazer, quero saber o motivo de esconder a menina de Tony. — Como você sabe? — ela me olha nervosa — Eu entendo que Tony nunca foi uma boa pessoa, mas ele merece saber. Além do mais, vocês precisam dele. — Nós não precisamos dele. — Amélia diz — Não fale de Tony, você não o conheceu. — Eu sei tudo o que aconteceu na vida de vocês por todos esses anos. Sei inclusive dos motivos pelo qual há tantas mudanças escolares no currículo de Elena. — Você nos espionou? — Até quando pretende escondê-la? Até quando vai continuar fingindo que está tudo bem? Como consegue dormir sabendo que você esconde a única ajuda que sua filha precisa? — Ah, porque você entende muito de criação de filhos, correto? — Amélia me olha com o olhar acusador — Eu não abandonei vocês. — Como? Então você esteve conosco esse tempo todo? Me explica, porque eu não me lembro de você. — Eu fiquei cuidando de vocês à distância. Como pude. — dou de ombros Claro que alguns fatos T'Chaka me escondeu. Como, por exemplo, a morte de Theodore. — Chega! Eu quero que você vá embora. — Leila diz — Você precisa contar ao Tony! — Eu não preciso do dinheiro dele! — ela grita — Mamãe? A voz infantil nos faz parar de gritar e eu me levanto do sofá, vendo minha neta entrar na sala de Amélia. Provavelmente, Leila mora no apartamento de cima. Pelo menos Leila e Amélia cuidam uma da outra. — Vocês estão brigando? — a pequena pergunta — Quem é essa moça? — Filha, essa é... — Leila funga tentando esconder as lágrimas — Essa é Luna, sua avó. — Minha vovó? — a pequena pergunta, mas sua atenção vai ao rosto da mãe — Mamãe, não chora! — ela pede — Vai embora. — Amélia pede abrindo a porta — Por favor. Os anos se arrastaram e eu passei a viver na vizinhança, sempre observando e cuidando da minha família de longe. Nathan já está um rapaz e Elena já consegue controlar melhor sua mutação. É claro que eles não têm convivência comigo, pois tomaram horror à mim. Isso só me ajudou a definhar ainda mais. Definhei tanto, que, quatro anos depois, após a bebedeira noturna, não acordei mais. Dias atuais... Fechei o livro em minhas mãos e senti meus olhos molhados. Leila morreu sem conhecer a verdadeira história da mãe. Eles não lhe deram uma chance. Isso lhes pertence. Guardo tudo na caixa e a deixo ao meu lado na cama, com a promessa de enviá-la para Amélia. Mas o envio irá atrasar um pouco, pois logo sou pego na armadilha da minha própria mente e acabo pegando no sono. M A L I G N A — Eu quero comer isso. — digo ao ver algo estranho no prato de Thanos — São nervos de parasitas. — ele explica — Não sabia que parasitas tinham nervos. — comento vendo o mesmo encher uma colher daquilo e levar até minha boca — Espero que seja gostoso. Dou de ombros e abro a boca, permitindo que Thanos me alimente. Todos no bar parecem bêbados, mas eu fico ao lado do titã o tempo todo, como seu bichinho de estimação. Assim que mastigo e sinto os nervinhos explodirem em minha boca, descubro que aquilo não tem gosto de nada, mas é nojento. Digo à Thanos que voltarei para a nave e ele não se opõe. Subo correndo pra dentro e logo estou no banheiro, colocando tudo o que comi para fora. Após lavar a boca, saio no corredor e apóio a mão na barriga, sentindo o ser se remexer dentro de mim. O que você quer comer? — penso emburrada, já que nada do que eu comi hoje agradou este feto. Ao fim do corredor, surge Loki com uma cara não muito agradável. Eu nunca vejo Loki misturado com os outros. Parece que ele está aqui obrigado. — Sabe que estás a carregar algo em teu ventre, não sabe? Sua voz encantadora faz com que eu abaixe a cabeça e respire fundo. Sem emitir som algum, confirmo com um sinal de cabeça e logo ele está em minha frente, pondo a mão em cima da minha barriga. Olho para ele e o vejo de olhos fechados, como se pudesse me sentir. Quando seus olhos se abrem e encontram os meus, ele sorri e sua mão sobe para meu rosto, alisando minha bochecha. — São dois. — ele diz — Como isso é possível, Loki? Eu não me lembro de nada. Quem colocou esses seres em mim? — Não sou eu quem pode lhe responder isso. Então ele beija minha testa e se vai, deixando-me sozinha.
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