Insegurança - Sr. & Sra. Rogers

2485 Words
S T E V E Troquei meu plantão na guarita com Sam, pouco antes da meia-noite. Estou acordado há 48 horas e isso tem causado um incômodo mental. Quando cheguei no meu alojamento, tomei um banho frio e vesti uma calça cinza de moletom e uma camiseta azul. Parei em frente ao pequeno espelho e encarei meus próprios olhos azuis. O que eu estou fazendo? A barba rala toma conta do meu rosto, tornando-me desconhecido até mesmo para mim. Sentindo como se cada parte física do meu corpo estivesse se desligando aos poucos, me deito na cama e sinto meus músculos relaxarem. Fecho os meus olhos, mas não durmo. A tensão estava estampada nas faces dos meus companheiros. Achei que com o sumiço de Natasha, ela fosse nos procurar e se juntar a nós, mas não foi assim. Até agora, não há notícias da Viúva n***a. O grupo se dispersa e eu fico sentado sozinho no espaço reservado para reuniões. Estou tão perdido em meus pensamentos, que não noto a presença de Elena, até que ela chega e se senta em meu colo. — Você parece tenso. — ela comenta — Todos nós estamos. — respondo — Você está mais. Você precisa descansar, Steve. — ela diz passando as mãos por meus ombros e apertando os músculos tensos — Tenho muito o que fazer. — Eu sei que você se sente responsável por nós, mas todos sabemos nos defender sozinhos. Sei também que está preocupado com Natasha, mas ela ficou sumida por vinte anos. Isso é fichinha pra ela, ela vai tirar de letra. — Estou bem, Elena. — insisto — Não está. Você não dorme de noite. — Estou com você do adormecer ao amanhecer. — Não minta pra mim, Steve. Eu acordo de noite e você não está lá. E, quando está, está me olhando dormir. É terrível. — Desculpe. — Não se desculpe, apenas descanse. Sam e Clint dão conta do recado. Além do mais, Johnny ficará de plantão essa noite. — Essa última frase era pra me tranquilizar? — franzo o cenho e a vejo sorrir — Se você não descansar por bem, descansará por obrigação. — ela diz se colocando de frente para mim, com uma perna em cada lado do meu quadril — É? E quem me obrigará? — Eu. — ela sorri travessa e sinto seus dedos se enroscarem nos meus cabelos — Posso saber como fará isso? — Cansando você até sua última reserva de energia acabar, Capitão Rogers. Com um sorriso malicioso, ela toma meus lábios para si e me dá um beijo determinado. Nessa hora, permito-me a entrega e me levanto com ela no colo, indo direto para o quarto. Há um campo imenso ali. Eu caminho por entre as árvores e logo chego em frente à imensa estrutura que é conhecida como Complexo dos Vingadores. Continuo caminhando, mas paro quando noto movimento no local. Tony está saindo do Complexo todo sorridente e, logo, um carro preto encosta ali perto. T'Challa sai desse carro e abre a porta do carona, de onde surge Elena num vestido apertado que marca todas as melhores curvas de seu corpo. Sorridentes, eles batem a porta do carro e ela entrelaça seu braço no dele, assim como costumava fazer comigo. Os dois caminham até Tony, Tony dá um abraço forte na filha e, ainda sorrindo, abraça T'Challa. Abro os olhos e dou um salto na cama, ficando sentado na mesma. Passo as mãos no cabelo e olho para o relógio em meu pulso, que marca 3:45p.m.. Calço o tênis, enrolo bandagens nas mãos e saio do quarto, indo para a sala adaptada para treinamento. Me ponho em frente ao saco de pancadas e começo a socá-lo enquanto minha mente divaga. — Eu estou grávida. — Tem certeza? — Eu estou grávida. — ela repete O olhar triste e perdido de Elena entra em contato com o meu coração, despertando um sentimento estranho dentro de mim. Um filho é uma bênção, mas na condição em que estamos é algo complicado. Parte de mim está feliz, mas parte de mim está preocupada. Foi a melhor notícia vinda em um momento de caos. — Ela está em trabalho de parto, mas não posso ficar com ela. — reclamo — Calma, é para a segurança de todos. — Wanda põe as mãos em meus ombros, tentando me acalmar — Vou cuidar dela, prometo. — É o meu filho que está nascendo. — digo nervoso — Eu tenho o direito de estar lá. — Ei, aguenta firme, ok? Vai ficar tudo bem. — Você deveria estar dormindo. A voz de Natasha invade meus ouvidos, mas continuo a socar o saco de areia. — Estou bem descansado, não se preocupe. — Não é o que parece. — ela diz caminhando até mim com uma caneca na mão — E o que parece, agente Romanoff? — Que sua cabeça está como um saco de gatos. — ela diz sentando numa cadeira próxima à mim Pela minha visão periférica, noto que ela está usando um roupão branco. Quando ela cruza as pernas, dá pra perceber a camisola preta que está vestindo por baixo. — Tive um pesadelo. — Outro envolvendo o fim do mundo? — Não. — Você e Tony se matando? — Não. — digo ainda socando o saco — O que foi dessa vez? Dou um soco forte e controlado no saco e seguro o mesmo, o impedindo de voltar contra mim. — Elena tinha outro. — Sei. — ela me olha como uma psicóloga — E o que te deixou assim tão inquieto? — Tony aprovava esse cara. — digo e baixo o olhar — Quem era o cara? Respiro fundo e encosto a cabeça no saco de areia. Eu odeio sentir-me inseguro. Eu odeio a situação em que me encontro. — Era o T'Challa? A pergunta de Natasha não me surpreende. Olho para ela e solto um suspiro arrastado. — Você sabe que eu só falo essas coisas por causa da cara que você faz, não sabe? — ela diz — Eu sei, é só que... Sei lá. — Steve, a Elena ama você. Ela está lá naquele Complexo agora, provavelmente preparando o terreno pra alguma ideia mirabolante que nos tire dessa situação. Se acalme, ok? Logo logo vocês se juntam de novo, Tony tenta m***r você, vocês se casam e cuidam de Elliot juntos. Natasha tem razão. Aliás, Natasha sempre tem razão. Acho que é esse dom dela de sempre pensar com a razão. — Tem razão. — Eu sempre tenho. — ela sorri e bebe o café de sua caneca — Agora, por favor, vai dormir. Suas olheiras estão encostando no queixo. E L E N A Arrumei Elliot na cadeirinha e me sentei no sofá, ao lado de Wanda. Ela tinha acabado de voltar da rua e estava se livrando da peruca que a disfarçava. — O que comprou? — pergunto olhando a sacola em sua mão — Alguns doces e uma fita. — ela diz Abro a sacola e vejo uma fita velha e gasta. Pego-a e arregalo os olhos ao ler o título. — Uau! — sorri — Você gastou o pouco dinheiro que conseguiu com uma fita de A Feiticeira. — Eu adoro sitcoms. — ela dá de ombros — Quer assistir comigo? — Claro, por que não? — dou de ombros e a entrego a fita Enquanto meu filho dorme, eu observo Wanda empurrar a fita pra dentro do aparelho de vídeo, da pequena e antiga televisão. Eu arrumo as almofadas e ela logo volta, se sentando ao meu lado. A a******a da série começa e eu cantarolo a música, enquanto Wanda arruma uma almofada sobre as pernas, sorrindo e colocando os doces sobre a mesma. — Você também gosta? — pergunta — A Feiticeira era a favorita da minha mãe. — conto — No meu antigo apartamento tem todas as fitas de todos os episódios. Se você quiser, eu te dou. — Não, eram da sua mãe. É importante pra você. — ela diz me dando um bombom — Tá tudo bem, sei que vai cuidar delas. — sorri desembrulhando o bombom e deitando a cabeça no ombro dela — Você estava bebendo, não estava? — pergunta olhando pra TV e deitando sua cabeça sobre a minha — Não consigo esconder nada de você, não é? — mordo um pedaço do bombom — Não, não consegue. — ela ri Enquanto lanchávamos na cozinha, eu contava um pouco sobre as minhas novidades pra minha amiga. — Não quero nem pensar no que você passou, nos últimos três anos. — Ashley suspira — Não vamos falar sobre isso. — digo — Vamos falar sobre você estar trabalhando aqui no instituto. — Bom, eu até pensei em desistir da faculdade, mas aí eu seria fracassada nisso também, então concluí e decidi tirar licença pra dar aula. — Fez alguma especialização? — História de Napoleão. — Acho bacana. Fico feliz que você tenha seguido sua vida. — comento — É, de alguma forma a faculdade me deixava próxima à você. Seu pai me ofereceu um emprego na Fundação, mas não havia muito pra eu fazer. Eu nunca fui de exatas. Então eu liguei para o Professor, expliquei minha situação e vim dar aula. — Acho que eu também iria dar aula. — comento — Por que você não volta pra faculdade? — me olha — Agora você está livre. — Não dá mais pra mim. — dou de ombros — Eu não sou mais a mesma de antes. — Uh, verdade. E não é como se você precisasse trabalhar. — Quem disse pra você que não preciso trabalhar? — O seu sobrenome. — ela ri — Nada a ver, garota. — me permito rir da situação — É que eu já estou completamente envolvida na causa mutante e eu quero ter como nos defender caso venha mesmo a implantação da LRS. É um caminho sem volta, sabe? — Não sei, mas posso tentar imaginar. — murmura — Agora, por favor, me conta sobre esse anel de noivado no seu dedo. — ela bate palmas, empolgada — É, Steve me pediu em casamento quando eu estava com cinco meses. — ri swm jeito — Cinco meses de que? — ela arregala os olhos Droga! Acabo de me lembrar que ainda não disse oficialmente que tenho um filho. — Eu tenho um filho de dois anos. — Você o que? — ela grita — O que? A voz de Logan me assusta e eu o vejo entrar na cozinha com o rosto demonstrando confusão. Respiro fundo. — Steve e eu tivemos um filho. O nome dele é Elliot. — Estou chocada! — minha amiga diz de queixo caído — Quando Stark disse que a família havia aumentado, eu pensei que tivesse falado de um possível casamento e de Steve fazer parte da família. — Logan diz — Não, Steve e eu não casamos. — Onde está o seu filho? — Ashley questiona — Seguro. — afirmo — Pelo menos até eu me sentir completamente segura aqui. — Há algo ameaçando sua segurança? — Logan pergunta preocupado — Tirando o ódio mortal que o secretário Ross sente por mim, não. — respiro fundo — E eu espero que continue assim. Olho para Logan e ele parece pensante. Talvez esteja absorvendo o que acabou de ouvir. — Se precisar de mim, eu estou aqui. — ele assegura — Eu sei disso e aprecio o seu cuidado. — sorrio agradecida e ele se retira do ambiente, deixando-me sozinha com Ashley de novo — Não sei não. — Ashley resmunga — O que? — olho para ela — Essa tensão entre vocês. Tá na cara que há algum tipo de atração. — diz óbvia — Da parte dele, pelo menos. — Não há atração alguma, Ashley. — Você é a única que ele trata bem aqui. — Mentira, ele trata a Tempestade bem também. — Porque senão ela frita os ovos de metal dele. Ela diz e eu não consigo segurar uma gargalhada alta. Que saudade desses momentos loucos com a Ashley. — Tá rindo de que? Eu tô falando a verdade. — ela me olha meio brava — Nada. É só que eu tava com saudade das suas frases malucas. — digo secando as lágrimas dos olhos — Saudade de rir até chorar com você. — Bom, você pode até rir e tal, mas eu acho que o ranzinza tá te querendo. E você também fica esquisita perto dele. — ela diz se levantando e indo lavar a louça que sujamos — Ele me intimida. Eu amo o Logan, mas ele é muito ranzinza. Eu nunca sei quando ele vai surtar e arrancar meu braço com uma mordida. — digo fazendo uma careta Agora é a vez da minha melhor amiga gargalhar. Ela joga a cabeça pra trás e vejo seus cabelos loiros curtos balançarem em seus ombros. — Tá rindo de que, sua retardada? — pergunto — Você é muito exagerada. — ela diz ainda rindo — Ah e você não é, né?! — Vou tomar banho, sabe? Amanhã dou aula cedo. — Você está em que quarto? — No seu. Aliás, vamos dormir juntas. — Que absurdo! Espero que minhas fotos do Timberlake ainda estejam coladas no espelho. — Arranquei todas e joguei no armário. — Eu vou ter uma conversa séria com o Professor sobre essa história de você no meu quarto. Juntas, nós subimos e chegamos em meu antigo quarto. Após o banho, ficamos sentadas e conversando. Ashley na escrivaninha arrumando suas aulas de amanhã e eu na cama olhando as notícias do mundo em relação à mim e aos aprimorados. Eu reclamo sobre a retirada dos meus bilhetinhos com trechos do Timberlake do quarto e acabamos por cair num questionamento profundo: por que eu não tenho uma foto com o Justin? Meu pai é bilionário, eu sou uma Vingadora, sou super fã e nunca fui ao show dele. Preciso aproveitar meus privilégios. Eu ia em mais shows quando era pobre do que agora que sou rica. Ao final do bate-papo, nós deitamos e ficamos uma olhando para a outra. Era tão bom ter minha melhor amiga por perto de novo. Tão bom que nem percebi quando acabei dormindo. T O N Y Estava escuro. Uma tempestade sombria tomava conta, me deixando aterrorizado. Os corpos estavam imóveis e espalhados pelo chão. Havia muito sangue. Após tanto caminhar, uma cena me deixa impactado. Elena está com o rosto todo desfigurado, morta. Em seus braços há o corpo morto de um menino de aproximadamente dois anos. O meu neto. — Tony! A voz de Pepper me acorda e eu me sento na cama sentindo todos os meus músculos tremerem. — Eu tive um pesadelo. — digo ofegante — Que pesadelo? — ela questiona nervosa — Eu sonhei com o fim do mundo.
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