Você não está sozinha

1980 Words
E L E N A Antes mesmo dos raios solares atingirem o Instituto, eu já estava de pé. Havia algo em meu peito que funcionava como um peso, impedindo-me de ficar na cama e ter mais algumas horas de sono. Eu estava agitada. Nada parecia tomar minha atenção. Eu queria beber. Eu precisava beber. Com medo de acordar Ashley, saio do quarto ainda usando minha calça de moletom e a blusa azul com a cara do Timberlake estampada. Prendo os cabelos mais curtos da melhor forma que consigo com um elástico preto e desço as escadas dos três andares praticamente voando. Correr me ajuda a esquecer a abstinência. Quando chego no saguão, sinto o impacto do meu corpo contra algo duro. Vou parar direto no chão e acabo grunhindo em sinal de dor e insatisfação. — Ei, ei! Olho para cima e acabo constatando que a muralha de aço em que bati se trata de Logan. Um Logan sem camisa e completamente suado. — Não fica no chão, é sujo. Ele brinca e me pega pelos braços, erguendo-me com muita facilidade. Quando ele termina de me avaliar com um olhar sugestivo, ele me solta e eu sinto meu corpo sobre meus pés. — Você tá legal? Parece ansiosa. — Eu... A voz some quando sinto a boca seca. Minhas mãos estão um pouco trêmulas. — Elena, aconteceu alguma coisa? Você está suando frio. — Eu... Eu tenho um problema, eu... — Conversa comigo. Aconteceu algo com seu filho? Meu filho. É como uma lâmina quente entrando na garganta. Eu preciso resistir. Pelo meu filho. Minha visão de Logan fica embaçada e sinto grossas lágrimas enchendo meus olhos. — Ei, guria. Assim não. Com toda sua brutalidade fofa, Logan me puxa para seus braços e me envolve num abraço quente, apertado e reconfortante. Sinto as lágrimas caírem por meu rosto sem o meu consentimento silenciosamente. — Vamos tomar café longe daqui. — ele sugere Andamos até o hall de entrada e eu acho botas pretas de fivelas que, com toda certeza, são de Ashley. Com um pouco de dificuldade, enfio meus pés nas botas da minha amiga sentindo um leve incômodo. Vai ter que servir. Do cabideiro, roubo um casaco preto que não faço ideia de quem seja e Logan veste a camisa, ficando apresentável. Caminhamos até a garagem e ele pára ao lado de sua moto. — Vamos de moto? — questiono sentindo um friozinho na barriga — Alguma objeção? Talvez o vento no seu rosto afaste os pensamentos que te afligem no momento. — ele diz com um sorrisinho torto no rosto — Então vamos. — Antes, por favor, coloque o capacete. — ele diz pegando o objeto em mãos — Estou impactada. — digo ao sentir ele colocando o capacete em mim — Por eu ter um capacete? — ele pergunta sorrindo, checando se estou em segurança — E por você saber dizer "por favor". — Haha, engraçadinha. Sem capacete, Logan sobe na moto e eu subo em sua garupa, abraçando seu corpo. Com um rugido alto, Logan dá partida e logo estamos longe da propriedade de Charles. O vento frio da manhã ainda sem luzes solares chegava até mim mesmo com o capacete. Era revigorante e fazia com que eu me esquecesse temporariamente da minha crise de abstinência. Depois de um tempo, Logan pára em frente à um barzinho de beira de estrada e pede para que eu desça. Eu desço e tiro o capacete, enquanto vejo Logan ajeitar a moto. Deixo o capacete em cima da mesma e sigo Logan até dentro do barzinho. O lugar é até fofinho pra um lugar de beira de estrada. Tem mesas que estão sendo limpas, dois pinguços cantando num karaokê e três largados no balcão. Logan faz um sinal para que eu me sente e eu me sento numa das mesas limpas perto da porta. Ele caminha até o balcão e, apesar da cantoria desafinada dos bêbados, escuto o breve diálogo dele com o balconista. Logo, ele retorna com um copo de café puro e outro de café com leite. — Foi o melhor que consegui pra você não beber puro. — Logan diz me entregando o copo de café com leite e se sentando na minha frente — A nova garçonete bebe leite. — Tá ótimo. Obrigada. — agradeço e tomo  um gole da mistura quente — Vai me contar o que tá acontecendo? — É complicado. Nem pro meu pai eu falei ainda. — Ei, eu não sou seu pai, guria. Sou seu amigo. Não vou julgar você. Estava claro que você estava no meio de uma crise nervosa hoje mais cedo. — Eu estava numa crise de abstinência. — digo olhando para meu copo — Abstinência de que? s**o? — Quem me dera. — me permito abrir um sorriso, mas logo o mesmo se desfaz em meu rosto — Eu passei a beber por todos os dias, nesses últimos anos. — Uh, isso é complicado. Eu não sou muito bom nesse lance de abstinência. Você sabe que eu sempre bebo. — ele brinca pra descontrair — Esse é um dos motivos pelos quais meu filho não está aqui comigo. — lamento bebendo mais do meu café com leite — Qual é o nome do menino? — ele pergunta — Elliot. — É um nome bonito. Eu prefiro Logan. — ele brinca — É, ele também prefere. Ele é completamente apaixonado pelo Wolverine. Diz que você espanta os pesadelos dele. — Pesadelos, é? — Sim, as vezes ele acaba sonhando que Tony e Steve brigam. Aí você aparece. — Ele e Tony já se conhecem? — Não. — Ele tem contato com Steve? — Tinha. Steve sempre dava um jeito. — Quero conhecer esse meu fã número um. — Em breve conhece. — sorrio Quando Logan sorri de volta, um raio solar atinge seu rosto. Ele resmunga um palavrão e eu acabo rindo por sua cara ranzinza. O dia começou oficialmente. — É. Hora de voltar pro mundo real. — digo tomando todo meu café — Então vamos, guria. O bar já vai fechar também. — ele diz bem na hora em que um dos bêbados no karaokê faz um agudo alto, fazendo Logan fazer uma careta incrível — Pelo menos tem gente feliz aqui. — digo rindo e me levanto junto com ele — Vamos, guria. — ele diz colocando meu braço no seu e indo andando comigo — Quando você me chama de guria, parece que o tempo não passou durante todos esses anos. — comento sorrindo e recebendo alguns raios solares no rosto — Por mais que você já não pareça mais a minha guria, eu vou continuar te chamando assim. — diz rindo — Vamos pra casa. *** Horas depois, após aturar os surtos de Ashley sobre eu ter usado sua bota e roubado o casaco de Bobby, eu estava arrumada com jeans escuros, botas na cor vinho, blusa de alças vermelhas e uma jaqueta de couro preta. Me despedi de todos e tive uma sessão de exportação de dados com Professor X. É tão bom dizer coisas sem realmente dizer. Deve ser ótimo ler mentes. Dirijo até o espaço particular e pego o jatinho, logo chegando no centro de Nova York. Cadê você? Olho no meu celular e vejo a mensagem do meu pai. Abro um sorriso e me preparo para responder, mas sinto uma pancada forte na nuca e, quando penso em usar meus poderes, sinto uma picada no pescoço e apago. Quando recobro a consciência, estou enjoada. É a mesma sensação de quando eu estava na prisão, só que três vezes maior. Tento me mexer, mas meus braços estão amarrados para trás, assim como meus pés parecem imóveis. Abro os olhos e percebo que estou sentada numa cadeira. Isso me irrita. Tento sentir a eletricidade à minha volta, mas há algo me bloqueando. Algo que dói, então eu grito. — Não faria isso se fosse você. A voz de Ross surge e então ele aparece na minha frente com quatro homens armados. — Não poder encostar em mim. Eu sou protegida por... — ele me interrompe — Por T'Challa, mas não o vejo aqui. Você o vê? — ele sorri debochado — Você fugiu da cadeia, ficou três anos foragida e agora volta sem dar explicações? Quem você pensa que é? — Alguém protegida pelo presidente dos Estados Unidos da América e pelo rei de Wakanda. — digo e cuspo em seu rosto — Eu deveria mencionar o fato de ser filha da maior mente do século? — Tony não é mais a maior mente do século. — ele sorri vitorioso e limpa meu cuspe de seu rosto — Eu até ia pegar leve, mas vejo que você está disposta a ser má. Mas eu sou bem paciente. — O que você quer? — Simples. Onde está Steve Rogers? — Eu não sei. E, se soubesse, não diria. — Acha mesmo que vou acreditar nisso? O seu retorno não passa de um esquema entre vocês. — Não há esquema nenhum, eu... — sinto uma dor forte na cabeça — Tá doendo, não é? — ele pergunta já sabendo a resposta e tira um controle do bolso — Posso controlar sua coleira. Ela pode não só neutralizar seus poderes, como pode ferir você. Isso é ótimo. — Eu odeio você. — rosno e recebo um t**a forte no rosto — Onde está Steve Rogers? — Por que não me solta e cai num mano à mano comigo? — sinto outro golpe arder meu rosto — Onde está Steve Rogers? — Só sabe perguntar isso? — sorrio e recebo outro t**a no rosto — Onde está Steve Rogers? — ele grita — Já está perdendo toda a paciência? — debocho Não sei exatamente quanto tempo passo apanhando, mas já estou mais enjoada e de saco cheio disso aqui. Estou com sede. Recebo um último golpe forte e sinto sangue sair do meu nariz. — Posso fazer isso o dia todo. — sorrio apesar da dor — Veremos. — ele desafia — Aí, galera, torturaram a pessoa errada. — ouço uma voz, mas apago T O N Y — Tem alguma coisa errada, Pepper. Charles me disse que ela saiu de lá bem de manhã. Já são quase seis da noite. — digo andando de um lado para o outro — Deve haver alguma coisa que explique tudo isso. — Pepper tenta me acalmar — Eu sabia! Se ela ainda encontra o Rogers, quando ela aparecer eu vou fazer picadinho dela. — digo nervoso — Senhor Stark! — Happy entra na sala desesperado — O menino. Peter Parker está aí. — Não tenho tempo para ele. Eu ainda tenho que resolver as coisas aqui da Torre e, pra piorar, Elena sumiu. — Ele está com ela, senhor. O elevador se abre e Peter entra com minha filha desacordada em seus braços. Ele está usando o uniforme que lhe dei, mas não usa a máscara. — Elena! — Pepper se desespera — Coloque-a aqui! — digo abrindo espaço no sofá — O que aconteceu? Olho para o corpo da minha filha e vejo que a coleira que neutraliza seus poderes está em seu pescoço. Mas essa não é a coleira que projetei. Essa está bem rente à seu pescoço, deixando marcas terríveis. Seu rosto tem marcas de golpes. Happy surge com um alicate especial em mãos e eu arrebento a coleira, logo recebendo um choque ao tocar no corpo de minha filha. Talvez seja seus poderes entrando em ativa. — Uns caras pegaram ela. Aquele secretário que vive na televisão falando sobre os Vingadores também estava lá. — Peter diz — Ross? — pergunto incrédulo — Ele não pode fazer isso! — Pepper diz nervosa, colocando um pano molhado na testa da minha filha — Eu vou m***r esse filho da mãe! — rosno
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