Quatro Anos Depois...

1044 Words
Daphne me ensinou a trocar fralda, dar banho, trocar a roupinha, dar papá, era como uma verdadeira mãe pra Mel, ela me ensinou tanto… Não sei o que teria feito sem ela. Não estava sendo nada fácil sem a minha Giulia, mas com o apoio de Daph eu fui dando conta das coisas, e cada dia que passava eu amava mais e mais aquele pingo de gente, e cada vez que ela sorria, me fazia sorrir também. Aos poucos, eu ia pegando o jeito de como ser um bom pai. (...) 2025 Mel já estava com 4 aninhos, era uma criança doce, bagunceira e muito inteligente, cada dia vinha com uma coisa nova, que me surpreendia. - Eu já vou indo. - Disse Daphne enquanto eu dava banho em Mel. - Tchau, tia Daph. - Disse Mel enquanto brincava com as espumas da banheira. - Tchau, meu amor. - Deu um beijo no rosto da minha pequena. - Hum… Beijo molhado. - Falou, fazendo Mel rir. Daphne me abraçou ternamente e saiu. Terminei de dar banho em Mel e a enrolei na toalha, a peguei no colo e fomos até o quarto. Nisso, o meu celular tocou. - Se seca, que eu vou atender uma ligação e já venho. A coloquei na cama e fui até a sala, peguei o meu celular, que estava em cima do sofá e atendi. - Alô. - Era o meu patrão. - Sim, amanhã às 10h? Não tínhamos marcado a reunião para às 13h? Ah, quer adiantar, é? Ok, vou pedir pra Daphne vir mais cedo pra ficar com a Mel. Até amanhã. - Joguei o celular no sofá. - Papaiê. Olhei para o lado e vi Mel correndo pelada pela sala. - Hey, vai colocar a sua roupa, baixinha. - Lero, lero. - Fez careta. - Se secou? - Ela negou com a cabeça. - Então não corre, pode resvalar e se machucar. Mel seguiu correndo, 5 segundos depois, resvalou e caiu, ralando o joelho, e começou a chorar. - Viu? O que eu falei? Vem cá. - A peguei no colo e a levei de volta até o quarto. - Vou pegar um band aid, vê se fica aqui. Peguei um band aid, coloquei no joelhinho dela, que sorriu e me abraçou. A vesti e deitamos em minha cama, li um livro pra ela, e em seguida, ela pegou no sono. Peguei o celular e mandei uma mensagem rápida para Daphne, perguntando se ela poderia ficar com a Mel às 9h30. A mensagem veio em seguida “claro, será um prazer.” Guardei o celular e dormi abraçado em minha pequena. Mel tinha o quartinho dela, mas às vezes eu deixava que dormisse comigo. Nessa noite, eu sonhei com a Giulia, que me dizia o quanto Mel estava linda, e que adoraria estar vivendo cada momento com a gente. Ah, como eu também queria. Nesses 4 anos, eu me dediquei somente a Mel, nunca mais consegui olhar para outra mulher, não quis nem conhecer gente nova, nunca mais havia beijado alguém ou sequer, ter feito outras coisas, a única mulher da minha vida era a minha filha, até então. No dia seguinte, Daph chegou pontualmente às 9h30. Mel estava vendo desenho na TV da sala, deixei as duas e fui para a minha reunião. Passei pela recepcionista Márcia, peguei o elevador e fui até o 15° andar, onde eu trabalhava. Entrei na sala e vi Gabriele falando no telefone com um cliente, Richard e Emanuel tomavam café enquanto falavam de negócios, Francesca organizava uns papéis em sua mesa, Anthony mexia no computador enquanto anotava algo em seu bloco de notas, e a mesa de seu Hernandez, meu chefe, estava vazia, era sempre o último a chegar. Todo dia era a mesma coisa. - Willian! - Disse o meu patrão ao chegar. - Seu Hernandez! - Me virei, vendo-o. - Pronto para a nossa reunião com os donos da segunda maior empresa de tecnologia e programação da América Latina? Claro, que a primeira somos nós. - Ôh, estou super empolgado. - Falei com falso entusiasmo. - Ótimo. Esse é o meu garoto. - Me deu um leve t**a no rosto e saiu. Ah, eu detestava essa gente, eles são insuportáveis, colocam defeito em tudo, e nada está bom para eles. A reunião começou às 10h em ponto, quem estava presente era eu, o seu Hernandez e os dois donos da outra empresa. Apresentei a nova atualização do aplicativo que conecta pais de crianças/jovens desaparecidos à pessoas que possam ser seus filhos. O aplicativo está quase pronto, na última atualização, colocamos tipo sanguíneo, e a roupa que a pessoa estava usando no momento do desaparecimento, também é possível anexar fotos e vídeos, assim os pais podem colocar fotos do brinquedo preferido, coisas pessoais do filho e até mesmo fotos e vídeos do filho no ano em que desapareceu. - O aplicativo está muito bom. - Disse um dos donos da outra empresa. - Mas acho que faltam alguns retoques. - O que o senhor sugere? - Perguntei quase sem paciência. - Que tal mudar a cor do plano de fundo? Talvez uma cor mais pastel fique melhor. Fala sério! Quem liga para uma cor? Os clientes nem ligam pra isso, ou você chega em um app e pensa “não gostei dessa cor de fundo, não vou baixar”? O problema é que eles gostam de encher o saco, se não nos acham bons o suficiente, por que não buscam outra empresa para parceria? Porque sabem que somos a melhor do país. (...) Que reunião cansativa! Durou 2h, depois fui correndo para casa, liberei a Daph, que já tinha dado almoço pra Mel e a levei para a escola, para depois voltar para o trabalho, eu podia ter pedido pra Daph fazer isso, mas ela tinha as coisas dela para resolver e não quis dar mais esse trabalho. Ah, Daph me quebra tanto galho, não sei o que farei sem ela. Ainda bem que era sexta - feira e que eu não trabalho fim de semana, assim posso descansar e curtir muito a minha filhota. Nos finais de semana ficamos um grude só, acho que só nos separamos quando um de nós precisa usar o banheiro.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD