Uma Babá Para Minha Filha

1099 Words
No sábado, levei Mel a um parque de diversões e depois fomos tomar sorvete, eu adorava quando chegava os finais de semana e podia sair com a minha filha. - Papai, por que eu não tenho mamãe? - Perguntou. - Meu amor, já conversamos sobre a tua mamãe. - Sim, eu sei que ela virou estrelinha, mas você podia se casar de novo, né? Eu gosto da tia Daph. - Oh, querida. - Peguei na mãozinha dela. - Eu sei, mas a Daph é só minha amiga, é como uma irmã pra mim. - Mas e quando eu crescer? - Perguntou. - O que tem? - Se a Daph vai viajar, quem vai me comprar sutiã e absorvente? E se eu não souber colocar, quem vai me ensinar? Você? - Hey, de onde você está tirando essas coisas? - Ela deu um sorriso travesso. - Eu espero que a Daph volte até lá, senão não sei o que vai ser de mim. - Ela riu. Assim que chegamos em casa, Mel e eu fomos brincar de massinha de modelar. De repente, a campainha tocou, fui atender e era Daph. - Fiz um bolo de chocolate, querem? - Oba! - Comemorou Melanie. Nós três comemos o bolo, que estava delicioso, e depois fomos ver um desenho na TV da sala. Daphne e eu nos sentamos no sofá e Mel deitou com a cabeça em meu colo e as pernas no colo da Daph. Na metade do filme, Mel pegou no sono. - Não cansa da gente? - Perguntei. - Você já passa a semana toda aqui... - Que nada, Will. Eu vou sentir saudade de vocês, por isso quero aproveitar o máximo de tempo com vocês. - Também vamos sentir saudades. - Ela colocou a cabeça em meu ombro. - Bom, se quiser ir… Eu vou colocar essa baixinha na cama. - Está bem, boa noite. - Me deu um beijo no rosto e saiu. Coloquei Mel na cama e fui dormir. (...) E o tão temido domingo havia chegado, dia da partida da Daph. Ela iria fazer intercâmbio em Londres, ela tinha me contado há alguns meses, mas acho que só agora a ficha estava caindo. Daph e eu nos conhecíamos há anos, e agora pela primeira vez, ela estava indo embora, e eu ainda tinha que contratar uma babá para ficar na parte da manhã com a Mel, já que à tarde, ela vai pra escola. Melanie e eu fomos levar Daph no aeroporto. - Tem certeza que você precisa ir? - Perguntei. - Tenho, mas não pense que vão se livrar de mim, eu vou te mandar mensagem todos os dias, e vamos fazer chamada de vídeo. - Vou sentir saudade, titia Daph. - Disse Mel tristemente. - Também vou, meu amor. - Pegou a minha filha no colo, que a abraçou. De repente, uma voz anunciou que os passageiros do voo 311 deveriam se dirigir para o portão de embarque. Era o voo da Daph. - Está na minha hora. - Ela disse ao colocar a minha filha no chão. - Baixinha, cuida desse moço aí. - Pode deixar. - Disse Mel. Daph se despediu da gente e foi em direção ao portão de embarque. Ah, sentiria tanta saudade dela… Mel estava tão tristinha, ela gostava muito da Daph. A peguei no colo e fomos embora. Para tentar alegrá-la, a levei em uma loja de brinquedos, e lhe comprei um brinquedo novo, mas não adiantou muito, ela seguia tristonha. - Papai, se a Daph foi embora, quem vai cuidar de mim de manhã? - Vou contratar uma babá. - Fala sério! - Ela disse desanimada. - Amanhã estou de folga, e já farei umas entrevistas com algumas moças. (...) Entrevista 1 A 1° moça era tão estranha, tinha metade do cabelo raspado, estava toda de preto, inclusive o esmalte e o batom, tinha piercings na sobrancelha, na língua, no nariz e no canto da boca, usava um alargador em uma das orelhas e tinha diversas tatuagens no corpo e no rosto. - E então… Hã… Já trabalhou com crianças antes? - Claro, trabalhei nos Estados Unidos em um centro para menores infratores, sei muito bem como lidar com esses delinquentes zinhos. Próxima… Entrevista 2 Era uma senhora de uns 80 anos, bem baixinha, magrinha e com o cabelo todo branco. - A senhora tem experiência com crianças? - Claro, eu comecei a lecionar em 1964, lecionei até 2000, agora estou aposentada, e… O que eu dizia mesmo? Próxima… Entrevista 3 Era uma moça de uns 19 anos, que estava com um vestido vermelho super justo e decotado, extremamente vulgar, salto alto e uma maquiagem super forte. - Hã… Veio de alguma festa? - Perguntei. - Sim, passei a noite na balada, sai hoje de manhã e vim direto, mas perguntou pela roupa? - Acenei positivamente com a cabeça. - Ah, mas eu sempre me visto assim. - Se aproximou de mim de forma vulgar. - E ai, gatinho, não quer uma mãe pra sua filhinha? Próxima… E depois de diversas entrevistas eu não aguentava mais, será que não existia ninguém normal nessa cidade? Entrevista 57 Eu abri a porta e era uma mulher linda, de cabelo castanho claro liso e olhos verdes, aparentemente era normal. - Nome? - Stephanie. - Tem quantos anos? - Perguntei. - 26. - Experiência? - Sou formada em Pedagogia e já trabalhei em escolas, com crianças de 0 a 6 anos. - Por que saiu do último emprego? - Porque fui morar em Buenos Aires, fiquei dois anos lá, e depois resolvi voltar. - Então você fala espanhol? - Falo espanhol, inglês, italiano, alemão, francês e estou aprendendo turco. - Hum… Interessante. - Falei surpreso. - Mas me diga, por que voltou para o Brasil? - Ah, por que meu pai ficou aqui, e senti muita saudade dele. Ótimo, estamos indo bem até agora. - Piercing? - Nenhum. - Tatuagens? - Só uma. - Me mostrou um nome tatuado nas costas. - É o nome do meu pai. - Estilo musical preferido? - Sertanejo universitário. - Curte festas? - Não, só um showzinho sertanejo, mas raramente eu vou. - Por quê? - Falta de companhia… - Entendo… E me diga, qual o teu pensamento em relação às crianças? - Eu amo crianças. Crianças são os seres mais puros e fantásticos que existem, não são falsos como a maioria da população, falam o que pensam, o que sentem… E eu amo a inocência e pureza deles, quando estou com criança, até volto a ser uma. “É ela.” - Pensei.
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