Cassio
Faro me entregou um frasco. — Para você.
Arrumei minha gravata antes de pegar o presente. — Não vou tomar bebidas destiladas hoje.
— Achei que você poderia usá-la para bater na sua cabeça, se considerar algo tão e******o como recusar a tradição dos lençóis ensanguentados novamente.
Enfiei o frasco no bolso dentro da minha jaqueta. — Não comece de novo.
Faro parecia furioso. — Só prometa que não vai tentar essa merda de manchas de sangue falso. Luca estava te provocando. Confie em mim, ele fodeu a esposa dele na noite de núpcias, mesmo que ela tenha chorado lágrimas amargas. É quem ele é e quem ele espera que você seja. E, Cassio, você é esse homem, então pare de tentar ser um homem melhor apenas porque se sente culpado por Gaia.
Eu agarrei sua garganta. — Somos amigos, Faro, mas também sou seu chefe, então mostre algum respeito.
Faro engasgou, seus olhos castanhos lacrimejando. — Estou tentando mantê-lo vivo. Giulia é uma mulher adulta pela idade. É tudo o que importa.
— Eu vou t*****r com ela, então saia do meu pé, — eu disse, liberando-o.
Eu não a via desde o nosso primeiro e único encontro, quatro meses atrás, mas sabia que ela ainda pareceria jovem, mais jovem do que eu desejaria. Alguns meses não mudariam isso. Eu só podia esperar que a mãe dela tivesse seguido minhas instruções e colocado maquiagem suficiente no seu rosto para fazê-la parecer mais velha.
Faro sorriu. — Faça-me um favor e aproveite, sim? Hoje à noite, você terá uma b****a apertada em volta do seu pênis.
Ele saiu da sala antes que eu pudesse agarrá-lo novamente.
Eu esperei na frente do altar por Giulia. Faro estava à minha direita e em frente a ele esperava uma das amigas de Giulia, que parecia muito jovem. Um lembrete da idade da minha futura esposa.
Quando a música começou, voltei minha atenção para a porta da igreja onde Felix entrou com Giulia ao seu lado. Ela estava usando um elegante vestido longo branco com um corpete de renda de mangas compridas. Seu cabelo estava puxado para cima, exceto por sua franja.
Ela estava sorrindo levemente enquanto seu pai a conduzia em minha direção, mas sua tensão era inconfundível. Quando ela chegou na minha frente, notei os pequenos girassóis entrelaçados nos cabelos e no buquê de noiva. Seus olhos encontraram os meus, e por um momento peguei o toque de desafio neles, me surpreendendo. Então seu pai a entregou para mim, e Giulia ficou mais tensa, seu sorriso vacilante.
Ela parecia um pouco mais velha, graças à maquiagem e ao vestido elegante. Ainda assim, sua mão fina e úmida na minha e a inocência em seus olhos me lembraram de sua idade.
Apesar da juventude, ela manteve a cabeça erguida, parecendo à vontade com a situação. Só eu podia senti-la tremendo. Seu “sim” foi firme, como se esse vínculo fosse realmente sua escolha.
Enquanto trocávamos os anéis, Giulia continuava lançando olhares incertos para mim. Eu não tinha certeza do que ela procurava. Talvez melancolia ou até tristeza. Lembrei-me do meu primeiro casamento. Tristeza não fazia parte dos meus sentimentos quando pensei em Gaia.
— Você pode beijar a noiva, — disse o padre.
Os olhos de Giulia se arregalaram, como se essa parte da cerimônia fosse uma surpresa. Centenas de olhos nos observavam, um par pertencente ao meu Capo. Eu peguei a parte de trás da cabeça dela e me abaixei. Ela permaneceu congelada, exceto por seus olhos que se fecharam um momento antes de eu pressionar firmemente minha boca contra a dela. Até esse momento, a proximidade física com Giulia parecia algo que eu teria que me forçar a permitir, uma luta esquecendo sua idade e a bagagem que eu carregava comigo. Agora, quando seus lábios macios tocaram os meus e seu doce perfume me atingiu, um desejo profundamente enterrado acendeu dentro de mim.
Reivindicá-la esta noite não seria um problema. Ser um homem melhor definitivamente não estava no meu futuro.
Afastei-me, fazendo Giulia abrir os olhos. Ela segurou meu olhar, um rubor subindo por suas bochechas. Então ela me deu um pequeno sorriso tímido. Inocente pra c*****o.
Eu me endireitei, olhando para longe de seu rosto bonito e jovem. Pelo canto do olho, vi sua expressão confusa antes de levá-la pelo corredor e sair da igreja para os cumprimentos.
Faro, é claro, foi o primeiro a me parabenizar. Ele bateu no meu ombro com um sorriso desafiador. — E como foi o primeiro gosto da sua jovem esposa? — Ele perguntou em voz baixa.
Eu fiz uma careta. Ele sabia muito bem que eu raramente compartilhava informações assim. Isso não o impedia de perguntar, é claro. Ele deu um passo atrás e encarou Giulia, fazendo uma pequena reverência. Seu sorriso em resposta foi do tipo de simpatia desprotegida que provava sua idade. Como minha esposa, ela teria que aprender a ser mais contida. Gaia tinha sido a anfitriã e esposa perfeita, equilibrada e uma mestra em etiqueta social, uma mentirosa rápida, alguém que sorria para você um momento só para apunhalá-lo pelas costas no próximo. Giulia não era assim. Ela teria que crescer rapidamente, aprender os meandros de ser a esposa de um Underboss.
Meus olhos se demoraram nos pequenos girassóis em seu penteado. Esses teriam que ir primeiro. Muito alegre, muito peculiar. Nada que eu apreciava. Os brincos de girassol eram ainda piores. Ela deveria ter usado as joias que enviei. Eu me inclinei para ela. — Por que você não usou os brincos de diamante que te comprei?