Pantera narrando A noite desceu no Cruzeiro com aquele cheiro de gasolina e tensão. Quando o morro fica assim, eu sei: tem traíra respirando o mesmo ar que eu. Tava sentado no sofá velho do barraco, camisa aberta, cigarro apagando entre meus dedos, quando Magrin entrou batendo a porta como se o mundo fosse acabar. — Chefe, achamos. — Ele disse isso daquele jeito que eu conheço: seco, sem rodeio. Eu levantei devagar, sentindo o curativo puxar, mas ignorando a dor. — Fala logo, Magrin. Quem foi o filho da p**a? Ele puxou um moleque pelos ombros, jogando o desgraçado no chão como saco de lixo. Era o Luanzinho, vapor novo, guri que eu botei pra trabalhar na parte baixa porque parecia esperto. Parece que não esperto o bastante. O moleque tremia. — Pantera… mano… não é o que cê tá pensand

