Ayla narrando Eu não dormi bem. Fiquei rolando na cama a noite inteira, com a cabeça cheia, o peito apertado, e a sensação, péssima, de que alguma coisa estava para desabar. O olhar do Pantera na noite anterior não saiu da minha mente. Nem a raiva dele. Nem a forma como ele falou que ninguém mexe comigo. Aquilo mexeu comigo de um jeito que eu não queria admitir. Quando o despertador tocou, eu tava tão cansada que parecia que tinha brigado com o mundo inteiro enquanto dormia. Levantei devagar, o corpo pesado, a mente pior ainda. Me olhei no espelho: olheiras profundas, cabelo bagunçado, expressão de quem queria sumir por umas quarenta e oito horas. — Vai, Ayla… — murmurei pra mim mesma. — Só mais um dia. Respira. Troquei de roupa, prendi o cabelo num coque rápido e saí pro beco. O ar d

