Capítulo Dois
Adam Hudson
Sentado no capô do meu carro, observo os últimos raios de sol desaparecem no horizonte dando lugar para uma noite sem lua.
É melhor voltar pra estrada antes que escureça completamente, já perdi a esperança de passar alguém aqui e me dar um estepe. Olho para o pneu dianteiro furado está completamente murcho e vai ser uma m***a rodar assim. De onde eu estou dá pra ver uma cidadezinha, mesmo o pneu estando muito r**m vai dar pra chegar lá.
Olho para o relógio e já são seis horas da noite. Já fazem quase vinte horas que eu estou na estrada, e só parei uma vez em um posto para usar o banheiro e comer alguma coisa, talvez seja a providência divina agindo para me obrigar a parar e descansar.
Liguei o carro e segui torcendo para encontrar uma oficina aberta numa hora dessa. É h******l dirigir assim, como foi o pneu da frente que furou o carro perde completamente a estabilidade eu tenho que andar bem devagar e demoro quase meia hora pra chegar à cidade.
Ela e uma daquelas cidades típicas de interior, a maioria do comércio estava fechando e não tinha muitas pessoas na rua. Saio percorrendo rua por rua atrás de uma oficina e não acho nenhuma. Um letreiro brilhante chama a minha atenção e nele se lê MJ’s Motel. Perfeito, pelo menos eu já tenho um lugar pra dormir, ando mais um pouco, percebo que estou chegando ao fim da cidade. Eu vejo uma criança andando na calçada e decido pedir uma informação pra ele.
—Hei garoto você sabe onde tem uma oficina mecânica por aqui?
—Sim, o meu pai tem uma, estou indo prá lá agora, se quiser é só me seguir – respondeu ele.
O garoto saiu correndo pela calçada e eu fui seguindo atrás dele, mas logo chegamos, estava apenas há duas quadras de distância. O menino logo entrou na oficina e assim que estacionei veio um homem, que presumi ser o pai dele, ver qual era o meu problema.
—Desculpa, mas agora não vai dar, estou ocupado com esse carro aqui.
—Não tem problema, eu vou passar a noite em um motel que vi ali atrás e só vou embora amanhã, se você ainda estiver ocupado eu mesmo posso trocar, basta você me vender.
Ele me mandou estacionar dentro da oficina, o local era pequeno e ficou sem espaço, o outro carro era um Audi bem caro e parecia novo.
—O que há de errado nele? – eu perguntei ao Tom, indicando o Audi.
—Ainda não sei bem, comecei agora, mas não me parece nada bom.
Eu me despedi e fui para o MJ’s Motel, estava louco por um banho.
Quando chego ao lá a recepção está vazia. Toco a campainha algumas vezes e depois de alguns minutos uma senhorinha que parecia ter saído diretamente do Woodstock veio me recepcionar.
—Eu gostaria de um quarto, por favor.
— Desculpe – disse respondeu ela – Se você tivesse chegado meia hora antes teria conseguido um quarto, agora não tenho nada disponível.
—A senhora sabe se tem outra hospedagem na cidade?
—Eu lamento, mas sou a única do ramo por aqui – respondeu ela
—Então vou ter que ir dormir debaixo da ponte, de jeito nenhum posso voltar pra estrada hoje.
Virei-me para ir embora derrotado, teria que voltar para a oficina e dormir dentro do carro pelo visto, então me deparei com uma pessoa atrás de mim, e em um primeiro momento pensei que fosse uma criança. Mas logo vi que estava errado, ela era uma mulher, uma linda mulher.
—Já sei – disse MJ – Bianca você poderia dividir o quarto com o rapaz, o que acha? O seu quarto tem duas camas separadas, o coitado não tem onde passar a noite.
Fiquei observando ela e esperando a reação a sugestão da dona do motel. Bianca me encarava de volta, sem desviar os olhos dos meus, ela não respondeu nada e logo me adiantei:
—Não acho que seja uma boa ideia.
—Não! – falou ela um pouco mais alto e dando um passo na minha direção – Quero dizer, tudo bem nós podemos dividir o quarto.
Eu olhava pra ela e tentava decidir se ela era louca. Que tipo de mulher aceitaria dividir o quarto com um desconhecido? Mas talvez ela só esteja tentando ser gentil e como estava desesperado para tomar um banho resolvi acreditar na ultima opção.
—Tem certeza?
—Claro, sem problemas – respondeu ela.
—O quarto já está pronto – anunciou MJ – Venham eu vou mostrar para vocês.
Ela foi até os bancos que tinham ali no hall da recepção e pegou uma mochila e uma pequena mala, veio em minha direção e estendeu a mão que estava livre.
—Bianca – disse ela.
—Adam Hudson – respondi devolvendo o aperto - É um prazer conhecê-la e obrigado por me deixar dormir com você... quer dizer no seu quarto não...
Droga ela iria achar que eu sou um p********o, mas ao contrário ela começou a rir do meu embaraço.
—Eu entendi, não se preocupe e só pra avisar eu tenho uma arma e sei usar.
—Sim senhora - respondi erguendo as mãos em forma de rendição
É lógico que ela não tinha uma arma, e apostaria que ela também não sabia como manusear uma. Meu pai me ensinou a atirar desde os dez anos e eu era capaz montar uma arma e m***r meu oponente em menos de trinta segundos.
Ela seguiu MJ em direção ao quarto e eu fui atrás dela e claro que eu olhei pra b***a dela, e que bundinha linda ela tinha.
***
Como MJ prometera o quarto tinha duas camas de solteiro. Era bem simples, tinha as camas e duas mesinhas de cabeceiras do lado de cada uma, mas tudo estava bem arrumado.
—Fiquem a vontade vocês dois - disse MJ colocando a chave em cima de uma das camas e saindo.
Fiz menção que ela escolhesse a cama que ela preferisse e ela escolheu a mais perto do banheiro.
—Pode usar o banheiro primeiro.
Estava tentando ser gentil e eu não era tão bom nisso. Fui criado numa família de militares durões e apesar do meu pai nunca ter agredido de qualquer forma minha a mãe, ele também nunca fora romântico ou atencioso, e essa era a referencia com a qual fui criado.
Bianca foi até a mala e pegou um nécessaire, toalha e um conjunto de moletom e logo foi para o banheiro. Ela com certeza é de algum lugar da Europa, só não consigo decifrar qual, além do sotaque ela tem aquele jeito de mulher européia, fina e elegante.
E p***a ela também era muito bonita.
Ela tinha uma pele bem branca que contrastava com os cabelos negros, uma franjinha bem cortada na altura dos olhos junto com sua pequena estatura fazia ela parecer bem juvenil. Mas parava por aí, a garota tinha uma boca bem carnuda, bem ao estilo Jolie, que só me fazia pensar em coisas pecaminosas. Quando eu ouvi o barulho do chuveiro, peguei meu celular e fui verificar as mensagens.
Tinha várias ligações dos meus pais e do meu irmão junto com uma mensagem do último.
“Pelo amor de Deus cara, dá noticia senão a mãe vai enfartar”
Decidi ligar para Ryan, não estava com saco pra enfrentar meus pais nesse momento.
—E aí cara – falei quando o meu irmão atendeu.
—Cara como assim você vai embora ao meio da noite e só deixa um bilhete?! Você sabe como a nossa mamãe é. Ela já implorou para o papai ir atrás de você, mas ele está irado e disse que não iria a lugar nenhum, agora a mãe está me infernizando pra ir atrás de você.
Minha mãe era do tipo hiper protetora. Tanto eu quanto o meu pai e o meu irmão servimos ao exercito americano em algum momento. Meu pai fez carreira e tinha se aposentado a pouco tempo, meu irmão ficou dez anos e era soldado de combate armado e eu fui SEAL. Ela sempre temeu que um carro oficial parasse na frente de casa para avisar a morte de algum de nós e quando estávamos em casa ela se sentia muito aliviada.
—Desculpa, eu sei que foi irresponsável, mas eu simplesmente não podia mais viver aí. Você me entende não é?
—É claro cara, eu não posso ir atrás de você agora, a Linda está entrando no nono mês de gestação. Onde você está agora?
—Não sei bem, algum lugar na Pensilvânia, estou em um motel de beira de estrada, devo chegar ao Nebraska em dois ou três dias.
—Então ok, mas liga pra mamãe, por favor, e se cuida.
Resolvi que era melhor não contar ao meu irmão sobre Bianca, o que estava acontecendo ali era apenas um episódio muito curioso, mas amanhã pela manhã nós nos despediríamos e cada um seguiria o seu rumo. Seja lá para onde essa peculiar gringa esteja indo.
Encerrei a ligação e fui ligar pra minha mãe, mas enquanto procurava o número dela nos contatos Bianca saiu do banheiro e eu não queria ter aquela conversa na frente dela, ela poderia pensar que eu algum tipo de louco que estava fugindo de casa, então mandei apenas uma mensagem rápida dizendo que estava bem e amanhã de manhã eu ligaria para ela.
—O banheiro é todo seu – disse ela deitando na cama, ela vestia um conjunto de moletom rosa que fazia com ela se parecesse ainda mais com uma menina.
Abri minha mochila e peguei uma calça de moletom e uma camisa velha, geralmente eu gosto de dormir sem roupa, mas hoje isso era impossível.
Fui pro banheiro e me enfiei debaixo do chuveiro deixando a água quente relaxar meus músculos, saí de casa com tanta pressa que o único item de higiene pessoal que trouxe foi uma escova de dente, e assim pego o sabonete líquido do banheiro que é cortesia do motel e começo a me lavar. Quando termino o banho, visto minha roupa, escovo os dentes rapidamente e vou para a cama.
Eu a encontro na cama tomando uma Coca junto com uma barra de chocolate. Ela me olha um pouco constrangida.
—Quer? – ela me oferece
—Não obrigado
—Não pense que eu como sempre assim –ela diz guardando a comida na mesinha – É que eu estou passando por uma crise com meu carro e isso me alivia o estresse.
Fico me perguntando o porquê ela acharia que eu pensaria m*l dela apenas por uma barra de chocolate
—Então o carro da oficina é seu?
—Seu carro também quebrou?
—Foi só o pneu, na verdade eu acho que foi o destino que furou ele para me obrigar a parar, eu estou há quase vinte horas na estrada
—Você é louco?! Está querendo se m***r.
Não seria de todo o m*l e isso acabaria com um bocado de problemas, senti vontade de responder, mas estava tentando fazer com que ele não me achasse um maluco e então não falei nada.
—De onde vem esse seu sotaque? – perguntei pra mudar de assunto.
—Eu sou italiana.
—Legal, Ciao, pizza
—Sabe que a língua italiana não se resume só a isso né? Quando eu te conheci não falei hambúrguer, Hollywood e Estátua da Liberdade – se virou para o outro lado, ficando de costas para mim.
Ela parecia genuinamente ofendida e eu comecei a me socar mentalmente.
—Bianca me desculpe, eu...
Então ela se virou de volta pra mim e me deu um sorriso e em seguida mostrou a língua.
—Te peguei americano i****a, é melhor você ir dormir, já está um pouco incoerente e sem raciocínio, boa noite – e apagou o abajur.
—Boa noite – e apaguei o meu abajur também.
Depois de alguns minutos eu consegui ouvir a respiração dela ficando mais pesada e ritmada, sinal que caiu no sono, ainda não era tão tarde então presumo que ela também estava cansada ou tem facilidade para dormir. Já eu comecei a sofrer de insônia há uns cinco anos e nunca conseguiria dormir tão rápido assim. Mas uma coisa estranha estava acontecendo. Era como se a respiração dela estivesse me embalando, meus olhos foram ficando cada vez mais pesados e poucos minutos depois caí em um sono profundo.