Capítulo 3

2112 Words
Capítulo 3 Bianca Benedetti Quando o relógio marca sete horas da manhã eu resolvo me levantar e ir tomar um banho, não lavei meu cabelo ontem, porque já estava tarde então vou fazer isso agora. O sol já aparecera e prometia ser um dia quente então peguei um vestido florido bem soltinho que ia até os joelhos, um conjunto de roupa intima minha nécessaire e fui para o banheiro. Tirei o pijama e me enfiei debaixo da ducha. Adam ainda dormia profundamente, ao contrário de mim que estou acordada desde as três da manhã. Despertei com ele gritando e me levantei alarmada achei que o quarto estivesse pegando fogo ou algo do tipo, mas quando liguei a luz e o vi, ele ainda estava na cama e que estava tendo um pesadelo. —Não Darla! – ele gritava – Não Darla! Eu fiquei paralisada sem saber o que fazer. A expressão de horror na rosto dele o desfigurava completamente, nunca passei por uma situação como essa e quando peguei meu celular para pesquisar no Google o que fazer ele se acalmou. Mas depois eu não consegui mais pregar o olho pensando no que aconteceu ali. Quem seria Darla? Ele não usava aliança então poderia ser uma ex namorada ou até mesmo uma atual, seja quem for ela deixou uma marca profunda nele. Mas isso não importava daqui alguns instantes cada um seguiria seu rumo em separados. Passo xampu duas vezes, depois condicionador, depois pego a minha lâmina e depilo as pernas já que vou usar vestido. Quando termino o banho, me seção e passo loção hidratante em todo o corpo, visto a roupa e vou escovar o cabelo. Meu cabelo é naturalmente liso, mas tende a ficar um pouco estranho se eu deixo ele secar naturalmente por isso sempre carrego um mini secador na bolsa. Sem mesmo perceber eu comecei a cantar baixinho, mas abafado pelo som do secador eu quase não me ouvia. Meu pai foi um dos maiores tenores italianos de todos os tempos e a música era uma coisa natural na minha casa, nós respirávamos música do café ao jantar. Eu amava imitar o meu pai, ele era tudo pra mim e nós éramos extremamente apegados, ele passava a maior parte do tempo em turnê e assim que ele passava pela porta eu me jogava em seus braços e íamos cantar. É lógico que eu não tinha a capacidade vocal dele, poucos no mundo tinham a sorte de nascer com cordas vocais tão abençoadas, mas no geral eu me saía muito bem cantando e cheguei a fazer algumas apresentações com meu pai, até mesmo em alguns programas de TV. O público ia a loucura quando Matteo Benedetti e sua filha se apresentavam juntos e eu até pensava em fazer disso minha carreira, é claro que muitos diriam que estava pegando carona no sobrenome do meu pai, mas eu sabia que era boa e provaria que eles estavam errados. A tela do meu celular, que estava na pia, se acendeu chamando minha atenção, e nome da minha mãe estava nela. Era só o que estava faltando na minha maré de azar. Resolvi atender mesmo que a última coisa que eu quisesse nesse momento era ouvir a voz dela, porém eu já tinha ignorado ela demais tanto que em nem me lembrava da ultima vez que falei com ela. Minha mãe mora na Itália, eu não tenho redes sociais então a única maneira dela saber como eu estou é por telefone mesmo —Alô. —Graças a Deus você atendeu por um acaso você acha que eu não tenho coração filha?! —Quer a resposta sincera ou a que você espera ouvir? —Luna Benedetti – disse ela me repreendendo – Eu estava a ponto de pegar o primeiro vôo para o Brasil. —Estou nos Estados Unidos agora, vou passar um tempo aqui, estou bem, sem problemas de saúde pelo menos no âmbito físico já que o psicológico está fudido, mas como a senhora foi a causadora então acho que a senhora já deve saber. Isso não era bem verdade, eu já estava curada da ansiedade e depressão há algum tempo, não tomo mais remédios e não tenho mais ataques de pânico. Mas minha mãe não precisava saber disso, eu não gostava dela e ponto, ela magoou muito a mim e ao meu pai e fazê-la se sentir culpada me fazia sentir um pouco melhor. Se isso me torna uma pessoa h******l, paciência. —Você não acha que já estána hora de voltar pra casa... Essa foi a deixa, encerrei a ligação e desliguei o telefone. Eu não a via desde os quinze anos quando saí de casa com meu pai e fui morar com ele em um vilarejo no sul da Itália, e pretendia continuar assim por um tempo. Sei que mais dia ou menos eu vou ter encará-la, porém quanto mais eu puder adiar esse dia melhor. Termino de escovar o cabelo e volto para o quarto e encontro Adam já acordado. —Bom dia. —Bom dia – responde ele – Você vai para oficina agora? —Vou sim. —Estou indo pra lá também, vamos juntos? Eu seguiria esses teus olhos azuis até o inferno querido. —Claro. Ele assentiu e disse que trocaria de roupa para irmos. Enquanto ele está no banheiro eu arrumo as minhas de volta na mala e faço a cama, não gosto de deixar bagunça pra trás, noto que Adam também fez a dele e pequenas coisas como essa dizem muito sobre o homem que ele é. Quando ele sai do banheiro está praticamente com o mesmo visual de ontem, um jeans velho, camiseta e uma camisa xadrez, a de hoje era preta e cinza. —Vamos? Ele se adianta e pega a minha mala. —Hei, eu posso levar isso. —Estou praticando ser gentil – disse ele abrindo a porta pra mim. Eu passei por ele, peguei nas pontas do vestido e abaixei fazendo uma reverência como uma dama de antigamente. —Obrigado gentil cavalheiro. Quando chegamos à recepção fomos fazer o check-out ele foi pagar pelo quarto, mas MJ disse que eu já tinha pagado ontem. —Então vamos dividir – ele disse assim que saímos. —Não precisa, considere isso como uma gentileza minha pra você. —Acho que você já foi bastante gentil dividindo o quarto comigo – ele de repente parou e olhou para o lado – Então vamos fazer assim, o café da manhã será por minha conta – e foi em direção da lanchonete. Tudo bem, eu poderia desfrutar de mais alguns momentos de virilidade daquele homem maravilhoso. Entramos e ele escolheu uma mesa perto da janela. A garçonete veio e nos entregou o cardápio prometendo que voltaria em alguns instantes para recolher os pedidos. —Eu vou querer waffles e você? – ele perguntou —Acho que vou querer o mesmo, sempre vi nos filmes americanos a família tomando o café da manhã com waffles e estou com vontade de ter uma experiência típica americana. —Então posso fazer uma sugestão? – perguntou ele rindo – Peça ovos com torradas e bacon, esse é o verdadeiro café da manhã americano. —E quanto às panquecas com xarope de bordo? —É isso também, vamos fazer o seguinte, vamos pedir tudo isso e depois dividiremos. Concordei, ele chamou a garçonete e fez os pedidos, e ela nos olhou um pouco espantada. —Então – começou ele – Qual é o café da manhã típico da Itália? —Pizza com macarrão a bolonhesa – respondi e ele deu uma sonora gargalhada – Nosso café da manhã mais popular é o capuccino com cornetto, que essencialmente café com leite e uma espécie de croissant doce. Minha nona fazia cornetto todos os dias, ela morava na casa ao lado da nossa e eu ia tomar o café da manhã na casa dela. —Que legal. —Mas eu prefiro o café da manhã do Brasil, lá eles têm uma coisa chamada pão de queijo e outra chamada tapioca que são as melhores coisas do mundo. —Você já foi ao Brasil, como é lá? – perguntou ele. —Já sim, morei lá nos últimos dois anos, é um país incrível. De todos os países que eu viajei foi dele que mais gostei, a música de lá é incrível as pessoas são maravilhosas ainda quero voltar lá um dia. —Quantos países você já foi? Adam fazia perguntas demais, mas não de um modo estranho. Eu conhecia o tipo dele, até porque durante muito tempo eu fui assim. Quando você não quer falar sobre a sua vida, enche a outra pessoa de perguntas e puxa um assunto atrás do outro para que não tenha espaço para que ela pergunte algo sobre você. Eu conseguia ver uma sombra no olhar dele e junto com o pesadelo da noite passado me fazia pensar que tinha algo no passado dele. —Eu basicamente rodei o mundo inteiro, percorri toda a Europa de trem, depois fui pra China, Japão, Nova Zelândia, Brasil e agora estou aqui. —E quanto tempo você planeja ficar? Mas nesse momento o nosso pedido chegou e eu fiquei muito grata a isso. Não queria responder a questão dele, pois nem mesmo sabia a resposta. —Pronta para uma verdadeira experiência americana? —Vamos lá. Primeiro provei as panquecas com o xarope de Boldo e não gostei, era doce demais e um sabor muito artificial. —Próximo – disse empurrando as panquecas para ele. Fui para os ovos com bacon e torradas, estava bem gostoso, como é de esperar de qualquer coisa que tenha bacon. Ele tinha colocado metade dos waffles no prato e me entregou a outra metade, e assim como as panquecas eu não gostei. —Acho que o seu refinado paladar europeu não se adaptou ao jeito americano – disse ele rindo e me fazendo ri também. Eu voltei para os ovos, mas não consegui comer tudo enquanto isso ele já tinha devorado as panquecas e já estava no último waffle. —Você vai comer isso? – perguntou ele apontando para o meu prato eu respondi que não e empurrei o prato para ele. —Você estava passando fome? —Não comi praticamente nada ontem. Quando Adam terminou de comer, ele pagou a conta pegou a minha mala e fomos para oficina e eu estava rezando para que o problema já tivesse sido resolvido, mas a minha maré de má sorte resolveu dar sua dar sua cartada final em grande estilo. —Como você falou sobre o cheiro que sentiu no motor eu fui verificar e vi qual era o problema, a caixa de direção está perdendo óleo – disse o mecânico. —Mas isso é algo fácil de resolver não é mesmo? —Lamento dizer, mas o problema só irá se resolver se mudar a caixa de direção completa e não tenho uma aqui, uma peça desse modelo de carro não é nada fácil de arrumar. —Eu comprei esse carro há uma semana, ele é novo! – disse Bianca. —Eu não sei o que dizer, ele ainda deve estar na garantia então você deve ligar para o seguro e eles vão mandar um reboque pra cá. Droga! Todo o planejamento que eu fiz foi à toa. —Não dá pra esperar tanto, eu preciso seguir viagem. —Pra onde você está indo? – perguntou Adam. —Chicago. —Quer uma carona? Estou indo para o Nebraska e Chicago fica praticamente no caminho, se você quiser não será incomodo nenhum e lá vai ser bem mais fácil de arrumar outro carro. Fiquei olhando para Adam ponderando a oferta dele. Passar mais um tempo com ele seria incrível, ele era um cara incrível, mas tinha algo de sombrio que ele estava escondendo e isso me incomodava lá no fundo. — Tudo bem É claro que eu concordei, eu sabia dentro de mim que ele não era perigoso, além de tudo ele era lindo e muito simpático e talvez agora a minha sorte estivesse dando uma volta de cento e oitenta graus. Abri o carro e peguei o resto das minhas coisas, peguei também os documentos de carro e entreguei a Tom. —Vou enviar um e-mail para a concessionária em que eu comprei o carro e os mandar virem buscar ele, eu posso pagar por estacionamento. – Mas ele n**a. Como não conseguiu consertar o meu carro havia trocado o pneu do carro de Adam. Ele pagou o serviço para o mecânico e colocou minhas malas no porta-malas. —Pronta? —Let the games Begin. Meu clichê de Hollywood parecia ter finalmente chegado.
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