Capítulo 4

2244 Words
Capítulo Quatro Adam Hudson —d***a, é impossível encontrar uma musica boa aqui – reclamou Bianca —Desculpe. Ela passou quase meia hora mexendo nos botões do rádio tentando achar alguma estação, mas não conseguiu. O som do meu carro era realmente bem velho, ganhei o carro de presente de dezesseis anos e ele não era equipado com entrada USB ou Bluetooth, tendo apenas o rádio e entrada para CD, que eu também não tinha nenhum. —Então... Chicago? - pergunto —Todos os americanos são curiosos assim ou é só você? – Diz ela e nós dois rimos – Na verdade quero fazer a rota 66. —Você está naquele tipo viagem ao redor do mundo? —Algo do tipo – responde ela – Na verdade a história é longa. Eu faço menção para que ela conte. —Desde pequena eu sempre amei livros e filmes, era muito viciada mesmo e isso por causa do meu pai. Ele amava também, mas era cantor e vivia na estrada direto em turnê, então ele me dava uma lista dos livros que eu deveria ler e dos filmes que eu tinha que assistir e quando ele chegava eu tinha contar pra ele o que acontecia, cada detalhe e isso era uma coisa do tipo pai e filha. Há uns três anos eu estava vivendo uma fase bem r**m, meu pai faleceu de um câncer. —Sinto muito. —Está tudo bem, foi rápido e ele não sofreu muito, mas enfim eu estava m*l então resolvi ir passar um tempo com uma amiga naSicilia, quando cheguei lá fiz uma parada em Corleone... —Poderoso Chefão – lembrei. Eu não era muito de filmes ou ler livros, mas esse era um clássico que todo mundo reconhece sem nem mesmo ter assistido aos filmes. —Isso, era um dos filmes favoritos do meu pai! Então desci do trem e fui andar pela cidade, eu fiquei completamente encantada e foi assim que tudo começou. Fui pra França por causa de Meia-noite em Paris, à Inglaterra por causa do Harry Potter, à Nova Zelândia por O senhor dos anéis e assim por diante. —E como você foi parar no Brasil? Não conheço nenhum filme famoso de lá. —O cinema brasileiro é incrível e tem muitos filmes maravilhosos, assim como o Francês. Mas Hollywood tem o monopólio por isso o grande público não conhece tanto filmes que não sejam americanos. Tem um filme que chama “Cidade de Deus” e se passa na periferia do Rio de Janeiro e é incrível na época em que foi lançado concorreu a várias estatuetas do Oscar e eu sou louca por a fotografia dele e queria conhecer o lugar. Mas a minha motivação real de ir para Brasil é que eu conheci um cara na internet. —Essas coisas são perigosas sabia? Uma pontada de ciúmes tocou meu coração e eu fiquei bem confuso com essa sensação. Que p***a! Ela de jeito nenhum era pra mim, e eu também não quero a estragar com toda a minha m***a. Amanhã chegaríamos a Chicago e ela seguiria para suas aventuras e eu vou para o Nebraska comprar uma fazenda e viver uma vida celibatária para sempre. —Não foi nesse sentido, ele na verdade é um primo bem distante. A bisavó dele era irmã do meu bisavô, ela se casou e foi com marido para o Brasil para trabalhar com café e lá fizeram fortuna. O Gabriel queria saber mais sobre os antepassados e colocou Benedetti no Google e nós começamos a nos corresponder e quando nos conhecemos bateu a química. —Você namorou o seu primo, argh – digo com cara de nojo a fazendo rir. —Ele era um primo distante, nós nem mesmo nos parecíamos, mas não foi por isso que eu morei por dois anos lembra que eu falei que pai meu era cantor não é – eu assenti – Ele deixou uma quantia generosa de herança e até hoje eu ainda recebo os direitos autorais das composições dele e eu sentia que devia fazer alguma coisa com esse dinheiro, então o Gabriel colaborava com um projeto social na comunidade da Cidade de Deus, que é o lugar onde se passa o filme e fui pra lá ajudar. Doei uma parte do dinheiro do meu pai, mas também ajudava com as crianças e dava aulas de italiano, acho que tirando os momentos da minha vida que estava com meu pai, essa foi a época mais feliz da minha vida. —Isso foi muito nobre da sua parte, mas então você e o seu primo argh – digo fazendo cara de nojo de novo e ela gargalha - Não estão mais juntos, por isso você foi embora de lá. —Não, foi uma decisão mutua de terminar e foi tudo amigável, não estava mais dando certo, mas o término me fez lembrar minha ideia inicial e que eu poderia fazer o que estava fazendo ali para outras pessoas e já que estava no continente americano me pareceu lógico vir pra cá. —E qual é o filme que passa na rota 66? —Se eu falar, promete que não vai rir de mim? – Eu assenti – Foi o filme Carros? —A animação? —Sim, era o filme favorito do meu pai – respondeu ela baixando a cabeça, percebi que ela ficou com um semblante triste e isso não combinava com ela, então para distraí-la eu mudei de assunto. —Beleza, que tal começar agora com a ajudar um pobre americano, me ensina um pouco de italiano. —E pra que você quer aprender italiano, está pensando em fazer turismo por lá? —Ah nunca se sabe – disse dando de ombros. E assim ela foi me ensinando algumas coisas básicas como “Bom dia” e “Boa noite”, eu tentava repetir e ela morria de rir quando eu tentava falar algumas palavras com R. —Giorrrno – dizia ela dando ênfase ao R “tremido”. Mas eu não conseguia de jeito nenhum, em alguns momentos ela me mandava repetir umas palavras esquisitas e quando eu fazia ela gargalhava alto e eu comecei a desconfiar que ela estava me ensinando alguns palavrões. —Estou ficando com fome, acho melhor pararmos – disse ela. —É uma boa ideia, tenho que reabastecer mesmo. Nós tínhamos deixado a Pensilvânia pra trás e estávamos do estado de Ohio, já era quase duas horas da tarde e nós entramos em uma cidade grande com bastante comércio. —Eu vou pagar por a gasolina – disse ela, mas eu neguei. —Estou te dando uma carona, esse era o caminho que estaria seguindo com ou sem você então não faz sentido que você queira pagar. —O.K. seu chato – respondeu ela mostrando a língua – Mas o almoço é por minha conta. Paro em um posto de gasolina e vou reabastecer enquanto ela vai para uma lanchonete que fica na mesma rua. Aproveito esse momento sozinho e ligo para a minha mãe. —Adam, meu anjo onde você está? A voz da minha mãe está chorosa e eu sei que estou fazendo ela sofrer e isso me também me faz sofrer, ela é a pessoa mais amorosa que eu conheço e eu e Ryan somos tudo pra ela. —Estou em Ohio agora, mãe eu não quero que a senhora se preocupe comigo, eu vou ficar bem. Esse meu amigo que serviu junto comigo tem uma fazendo no Nebraska me chamou para passar um tempo trabalhando com ele e isso vai ser bom pra mim, arejar a cabeça e tal. —Mas filho, você deveria ter conversado comigo e com seu pai antes... —A senhora sabe como o pai é – cortei ela – Ele me mandaria ficar e enfrentar tudo isso como um homem, mas eu não consigo mãe eu simplesmente não consigo. —Eu sei que tudo o eu aconteceu foi terrível e imperdoável, foi um tremendo baque para todos nós também, mas ir para longe da sua família não irá resolver nada. —Eu sei, mas é assim que tem ser, eu preciso desse tempo pra mim para reavaliar a minha vida. Eu me despeço dela prometendo que irei manter contanto, encerro a ligação e vou para a lanchonete atrás de Bianca. Ela está em uma mesa no fundo junto a um jukebox e cantarolava baixinho a música que está tocando na máquina, ela está distraída e não me chegando. —And Just stay here in this moment – ela cantou. —For all the rest of time yeah, yeah, yeaaaaaaah – tentei inutilmente imitar o agudo de Steven Tyler para assutá-la. —Qual seu problema?! – e ambos caímos na gargalhada. A mesa estava repleta de comida intocada, tinha três hambúrgueres, dois refrigerantes grandes e muita batata frita. —Por que ainda não começou a comer? —Estava esperando por você – ela disse naturalmente. Não percebo que estou com fome até começar a comer, isso geralmente acontece comigo, posso ficar horas em jejum e não sentir fome, porém quando fico diante de comida posso comer grandes quantidades. Ela pega um dos sanduíches, começa a comer e parece estar gostando ao contrário do café da manhã. —Agora sim você está tendo uma genuína refeição americana. —Esse é o melhor hambúrguer que eu já comi na minha vida – diz revirando os olhos de prazer – Minha experiência americana está ganhando alguns pontos. —Quer dizer que estamos sendo avaliados? —Não se preocupe vocês estão se saindo bem. O resto da tarde passa rápido, nós vamos o resto do caminho falando sobre filmes, séries e livros, uma conversa essencialmente unilateral já que não domino o assunto e ela é especialista. Quando a noite chega, nós já estamos em Indiana, e assim que chegamos a uma cidade procuramos por um motel para passar a noite. —Dois quartos para não fumantes, por favor – peço ao homem na recepção. —Um momento – diz Bianca atrás de mim – O senhor tem algum quarto com duas camas separadas? Eu olho pra ela surpreso e ela apenas dá de ombros. —Tenho sim – respondeu o homem. Nós ficamos no mesmo quarto no final. Isso era sinal que ela confiava em mim e eu também confiava muito nela. —Por quê? – perguntei quando entramos no quarto. —Só me pareceu certo. Como na noite anterior eu deixei que ela escolhesse a cama e fosse tomar banho primeiro, chequei minhas mensagens e quando ela saiu do banheiro com o conjunto de moletom rosa eu fui tomar o meu banho. Quando voltei, ela tinha desembalado a comida que havíamos comprado em um drive-tru antes de vir para o motel. —Eu acho que deveria dar uma corrida antes de dormir – disse ela enquanto comia outro hambúrguer – Se eu ficar silêncio consigo ouvir a gordura indo direto pro meu coração. —Relaxa, eu fui criado a base disso e estou aqui firme e forte. —Pra você é fácil falar você é o maior gosto... – ela parou no meio da frase quando se deu conta do que is dizer. —Vai, pode falar, eu sei que sou gostoso. Eu digo isso pra provocar e deixei ela tão vermelha quanto um tomate. —Convencido – diz ela jogando uma batatinha frita em mim. Logo depois que terminamos de comer e escovar os dentes nós fomos dormir, ela disse estava preocupada comigo e que ainda tinha sono atrasado para descontar, apaguei a luz e me deitei na cama. Depois de alguns minutos de silêncio eu escuto ela dizer: —Adam? —Hum – eu já estava quase dormindo, ela parecia ser um tipo de sonífero em forma de mulher pra mim. —Eu sei que você tem muita coisa aí dentro de você que não está me contando, eu sei disso porque eu também já tive muito m***a dentro mim e ainda tenho alguns demônios que eu estou tentando colocar pra fora. Eu permaneço em silêncio, ela está certa, eu tenho muita m***a dentro de mim que eu nunca conseguirei me livrar. —Eu não vou ficar te fazendo perguntas porque eu sei o que é ter alguém querendo saber de algo que você não quer dizer a ninguém, e acredite em mim eu sei isso em nível máximo. Eu só quero que você me responda uma coisa: Quem é Darla? Você falou esse nome enquanto dormia ontem. Gelei da cabeça aos pés. Meu primeiro instinto foi de querer pegar minhas coisas e ir embora, mas eu não podia fazer isso, não com Bianca então falo a verdade. —Darla é minha ex esposa, a mulher que acabou com minha vida e que me quebrou por inteiro. —Obrigado por me contar. *** Dormi m*l naquela noite, não por falta de sono, mas eu estava com medo de sonhar de novo e falar o que eu não devo, e assim quando o sol começou a nascer eu me levantei e fui tomar um banho. Saí do motel onde estávamos e fui procurar uma pequena concessionária de carros que vi ontem antes de achar o motel. O local ainda estava fechado, ainda não eram nem sete da manhã, então ligo para o número que está na placa da entrada. O dono me atende muito m*l humorado, mas eu digo que é uma emergência e ele vem.
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