Capítulo 5

2307 Words
Capítulo Cinco Bianca Benedetti Quando acordo naquela manhã tenho a impressão que dormi um pouco demais, pego meu celular embaixo do travesseiro e vejo que já se passa das nove da manhã. Olho para a cama ao lado, estava perfeitamente arrumada e Adam não está em lugar nenhum do quarto. Ele foi embora tenho certeza disso, por que diabos eu fui pressioná-lo ontem à noite?! Pego meu travesseiro e atiro longe. Adam foi embora e eu não tive a oportunidade de me desculpar ou me despedir, ele agora vai ficar pensando m*l de mim, que eu sou uma gringa louca ou algo do tipo. Me arrasto até o banheiro para tomar uma banho e poder acordar completamenteepensar nos meus próximos passos. Enquanto a água escorre por meu corpo eu fico pensando nas ultimas palavras de Adam. Meu palpite foi certeiro, a mulher chamada Darla era uma ex dele e ela com certeza fez um estrago grande nele, mas o que ela teria feito de tão grave? Eu me reconhecia nele, e meu estrago também tinha sido causado por uma mulher, mais precisamente a minha mãe. Já fazia seis anos desde a última vez que eu vi ela, e ainda assim não sei se conseguiria encará-la de frente, mas pelo menos eu conseguira tomar minha vida em frente. Depois de tantos acasos terem feito o meu caminho e de Adam se cruzarem eu pensava que conseguiria fazer alguma diferença pra melhor na vida dele usando a minha experiência. Bem, mas isso não importava agora, pois ele tinha ido embora, agora eu tenho que preocupar em achar um lugar para comprar um bom carro aqui nessa cidade e seguir com meu plano inicial. Quando termino o banho volto para o quarto vestindo apenas roupas intimas já que estava sozinha mesmo, e qual não foi a minha surpresa ao encontrar Adam parado ali no meio quarto. —Você voltou! Eu tive vontade de ir até e abraçá-lo, mas me contive. Ele apenas me olhava, balbuciava algumas palavras e então se virou de costas. —Eu sabia que não era uma boa ideia nós dividirmos um quarto por causa disso – ele disse me deixando confusa. —d***a – me dei conta de que estava apenas de calcinha e sutiã e logo corri pra minha mala pegando a primeira roupa que achei, um short jeans e uma regata branca – Desculpa, eu achei que você tinha ido embora. —Por que eu iria embora? – perguntou ainda virado de costas pra mim – Eu prometi que te levaria à Chicago. —É que ontem eu te perguntei... Quer saber esquece você está aqui agora e pode se virar eu já terminei de me vestir. —Você já está pronta para ir embora? – perguntou ele – Tem uma coisa lá fora que eu quero te mostrar. Eu peguei a minha mala e fomos fazer o check-out, mas dessa vez ele insistiu em pagar. Quando chegamos ao estacionamento, na vaga onde ele tinha estacionado ontem agora tinha um carro preto conversível, mas estava com a capota fechada. —O que é isso? —Um carro – ele respondeu e eu mostrei a língua pra ele. —Eu acordei bem cedo e fui até uma concessionária de carros, liguei para o dono, ele veio abrir mais cedo só pra mim e troquei o meu carro por esse. —Legal. Eu fui dando uma volta para analisar o carro, já tinha ficado mais do claro que eu não entendia nada de carros, porém aquele me pareceu ser um dos bons, a pintura era brilhante, ele era antigo e parecia bem conservado. —Me deixa fazer a rota 66 com você? – ele perguntou. Aquilo me pegou um pouco desprevenida. Sempre planejei fazer a essa viagem sozinha e mesmo que eu confiasse nele o suficiente para dividir o quarto, o que ele estava pedindo era completamente diferente. Ela deve ter percebido a minha hesitação e se adiantou: —Bianca você é uma pessoa muito especial, eu simpatizei com você desde o primeiro momento. E acredite em mim quando eu digo que você é a única pessoa que realmente me entende, você está certa quando diz que eu tenho um monte de m***a dentro de mim e que eu não quero conversar sobre isso, mas ninguém teve a empatia que você teve nesses dias. —E os seus planos? —Eu estava indo pro Nebraska para me isolar da minha vida antiga e de tudo o que aconteceu, você disse que também teve uma fase r**m na vida e que conseguiu se recuperar e estou pedindo pra você me ajudar nisso também. Você me mostrou que talvez eu tenha a chance de voltar a sorrir e me recuperar. Era sofrimento genuíno que eu via nos olhos de Adam e isso me amoleceu, eu não iria tão longe pra dizer que estava curada, mas hoje eu conseguia levar minha vida normalmente. Ele teria que descobrir por ele mesmo o caminho do perdão do passado, mas talvez eu pudesse lhe ajudar um pouco. —Tudo bem, eu quero que você venha comigo, mas sob uma condição. —Qual? —Em algum momento antes de nós chegarmos a Santa Monica você vai ter que me contar tudo, o que essa tal de Darla fez pra você, sobre a sua vida e toda pergunta que eu fizer você vai ter que me responder com sinceridade. Ele hesita por um momento, sei que ele está ponderando a decisão e pra ajudá-lo eu estendo a mão em direção a ele. —Temos um acordo? Ele então pega a minha e aperta firmemente. —Fechado. *** Eu dou gritinhos de alegria quando entramos no carro e vejo o aparelho de som, então agarro a cabeça dele e tasco um beijo bem estalado em sua bochecha. Adam não fez a barba nesses últimos dias e ela estava dando um charme a mais para ele. —Desembolsei uma quantia a mais por ele - disse Adam – Faça valer à pena e coloque uma boa playlist. —Eu tenho várias, que tipo de música de música você gosta de ouvir? —Me surpreenda – ele pediu. —Tudo bem não irei colocar Andrea Bocelli ainda, isso seria muito obvio, mas fique avisado que vou te ensinar a apreciar uma boa música italiana. —Certo – ele responde rindo e colocando o carro em movimento —Então vamos ouvir o melhor da música brasileira. Eu sintonizo o meu iphone com o Bluetooth do carro e seleciono a playlist que eu nomeei de “canarinho” em referencia ao mascote da seleção brasileira de futebol. Uma suave Bossa Nova preencheu o interior do carro, e a voz de João Gilberto começa a cantar águas de março. —Eu conheço a Bossa Nova, a minha mãe adora. —Também amo e desde antes de ir ao Brasil, era um dos gêneros musicais favoritos do meu pai, eu aprendi a falar português cantando Bossa Nova, é um ritmo tão cheio de história. A música acaba e no lugar dela começa a tocar Zero, da cantora Liniker. —Essa é bem atual, e de uma cantora do Brasil, ela é incrível ouve essa voz. Eu fecho os olhos, encosto minha cabeça no banco e curto a música. A gente fica mordido, não fica? Dente, lábio, teu jeito de olhar Me lembro do beijo em teu pescoço Do meu toque grosso, com medo de transpassar Liniker é uma mulher trans, tem uma voz rouca muito linda e passeia de nota em nota de uma maneira incrível. Então o volume se abaixa e eu abro olhos para saber o que está acontecendo e vejo que foi Adam que o abaixou. —Não para, quero ouvir tua voz – pede ele. Isso acontecia sempre, eu começava a cantar sem nem ao menos perceber. Cantar nunca foi um problema, na verdade eu adorava cantar pra outras pessoas, mas curiosamente fiquei um pouco nervosa de fazer na frente de Adam. —Por favor – ele pede novamente e eu cedo. —Peguei até o que era mais normal de nós, e coube na malinha de mão do meu coração – fecho os olhos e começo a estalar os dedos no ritmo da música - Peguei até o que era mais normal de nós, e coube na malinha de mão do meu coração. Deixa eu bagunçar você, deixa eu bagunçar você. Nesse momento nossos olhares se encontram e ele me olha como se sentisse o que a letra da música queria dizer. —Traduz pra mim – ele pede. —Ela pergunta: Posso bagunçar você? *** Chegamos a Chicago lá pelas cinco da tarde, Adam já queria começar a nossa jornada, mas eu insisti que deixássemos para amanhã e fomos atrás de um motel novamente para passar a noite. —Um quarto com camas separadas, por favor – Pediu Adam para a recepcionista e eu lhe dei um sorriso compladescente. Depois de deixar a bagagem no quarto eu digo que quero procurar uma loja para comprar tênis de corrida e ele se oferece para ir comigo. —Você gosta de correr? —Não – respondo sinceramente – Quem é maluco a ponto de gostar de exercícios físicos? —Eu gosto – ele respondeu e eu reviro os olhos. Nós íamos a pé mesmo, seguindo pela direção que a moça do motel indicou. Como eu disse não gostava nada de exercícios físicos, mas correr me relaxava, além de me ajudar a não ter um infarto com trinta anos de idade. —Eu era capitão do time de futebol americano – continuou ele – E cheguei a ganhar uma bolsa de estudos com o futebol. —Aquele bom e velho clichê americano, não vá me dizer que você namorava a líder das animadoras de torcida. Uma sombra passou pelo olhar dele e ele começou a olhar para os pés. Darla! Ligo uma coisa a outra e logo mudo de assunto, pois sei que ele não vai falar nisso. —E você se formou em quê? —Eu não fui pra faculdade, tive que recusar pra servir ao exército, isso é uma coisa que todos os homens da minha família fazem. —Então somos dois vagabundos sem formação? – perguntei fazendo ele rir – Quantos anos você Adam? De repente eu me dei conta de que não sabia coisas básicas sobre ele. —28. —Velhote – respondi – achei que você fosse mais novo, você está bem conservado. —Obrigado – respondeu ele. —De onde você é? —Boston, Massachusetts nascido e criado. —Seus pais ainda são vivos. —São sim, você quer o meu número da previdência social? Eu sei de decorado... Eu mostrei a língua e ele tentou agarrá-la fazendo do polegar e do indicador uma pinça. —Só estou curiosa. —Tudo bem, essa vai ser a viagem da honestidade – respondeu ele – Minha vez, quantos anos você tem? —21 —Sem chance, dá pra ver que você é novinha, mas vinte um?! Se algum policial nos parar ele vai me prender. Nesse momento eu avistei a lojinha de roupas e fomos pra lá. Adam já tinha tênis e roupas apropriadas, então tínhamos que comprar roupas esportivas e um par de tênis só pra mim. —Não vou andar ao seu lado com você usando isso – diz Adam quando eu peço pra mulher da loja um número trinta e seis de um tênis rosa choque. —Por que não? Eu adorei. —Se você comprar vou te chamar de marca-texto. Eu reviro os olhos e peço que ela traga um na cor branca e enquanto isso vou atrás de um top bem resistente que não deixe meus p****s balançando como numa comédia de baixo orçamento. Quando terminamos as compras, voltamos para o Motel, nos trocamos e fomos correr. Procuramos uma rua quarteirão menos movimentado e iniciamos com uma corrida leve dando voltas nele. —Sua mãe ainda está viva? – pergunta ele. —Sim está, mas eu não gosto dela – ele fez uma cara de surpresa assim como todos a quem eu dizia isso. – Em que você trabalha? —Assim que terminei o ensino médio fui para o exército e servi durante cinco anos, fui um agente SEAL, depois voltei e trabalhei cinco anos na empresa de segurança do meu irmão. E você em que trabalha? —Eu nunca trabalhei, ainda estou procurando algo em que eu sou boa. Se você souber de algum emprego que pague pessoas para assistir filmes e ler livros eu estou aceitando. —Pode deixar, vamos acelerar um pouco? —“Run Forest, run” — digo baixinho. Eu ia acelerando aos poucos e ele seguia o meu ritmo ao meu lado. Não fazia nem dez minutos que começamos, eu já estava morta e com as panturrilhas ardendo enquanto ele parecia que tinha acabo de tirar uma soneca de tão tranquilo. —Eu estou muito fora de forma. —Você está ótima —Não tanto quanto você, preciso de uma pausa. E me sentei no meio fio enquanto ele continuava a correr, agora bem mais rápido e cada vez diminuía os intervalos em que ele passava por mim. Depois de dez minutos de descanso, eu me sinto melhor e resolvo voltar, quando Adam dobra a esquina e vem em minha direção, eu quase tenho um ataque. Puta que pariu! Um. Dois. Três. Quatro. Cinco. Seis! Seis gominhos bem definido na sua barriga.Adam havia tirado a camisa e estava todo molhado, o suor escorria por todo o seu corpo e eu me imaginei passando a língua gominho por gominho. —O que foi? – disse ele com um sorriso maroto nos lábios, homens bonitos sabiam que eram bonitos. Isso só me fez mais consciente da minha forma física, me virei e recomecei a correr.  
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