Capítulo 7

2154 Words
Capítulo Sete Bianca Benedetti O filme do drive in tinha se tornado um tremendo fracasso, era um desse filmes de ficção cientifica que se passava no espaço e nem eu nem Adam gostávamos desse gênero, então voltamos para o motel antes do fim do filme. Quando chegamos ao quarto eu corri para o banheiro para me trocar, meu conjunto de moletom estava sujo, então coloquei um camisola de seda preta que eu também havia trazido. Não peguei ela intencionalmente, mas amei quando me dei conta de que ela poderia causar um efeito em Adam, ele estava me devendo uma por ter tirado a camisa na minha frente. Vejo que alcancei meu objetivo quando saio do banheiro e os olhos dele se arregalam quando me vê, ele na falou nada e correu para o banheiro e segundos depois escuto o chuveiro. Não sei se estou realmente querendo seduzir Adam, da minha parte não tem impedimento nenhum, porém eu sei que ele tem mágoasda ex mulher e acho que ele ainda não está pronto. Então quando ele sai do banheiro eu já estou totalmente debaixo dos cobertores. —Você me disse que tinha servido à marinha, o que exatamente você fazia? – pergunto na tentativa dele relaxar um pouco. —Eu fazia parte da equipe dos SEAL, já ouviu falar? —Já li algo a respeito, mas não sei direito do que se trata. —Como eu já te falei é uma tradição da minha família servir aos Estados Unidos, meu pai fez carreira no Exército e se aposentou há poucos anos, meu irmão também serviu ao exército, então resolvi inovar e ir para a Marinha. Eu era o capitão do time de futebol, o melhor atleta e o garoto mais popular da escola, quando ouvi falar quando ouvi falar sobre os SEAL, que eram a elite da marinha e como era difícil entrar eu logo coloquei na cabeça que era isso que ia fazer. —Sempre foi seu sonho? —Não era a minha vocação, pra mim sempre foi questão de desafio e adrenalina, passei em todos os testes de primeira por mais difíceis que fossem desde mergulho até pular de paraquedas, eu não falhei em nenhum momento. —Você passou quantos anos lá? —Juntando o treinamento foram cinco anos, mas acho que foram os piores cinco anos da minha. Depois da minha primeira missão a única coisa que eu queria era voltar para o conforto do meu lar. —Eles pegavam pesado com você? - perguntei rindo. —Não era isso, eu fiquei praticamente o tempo todo no Iraque e lá eu vi o pior do pior do ser humano, assassinatos brutais, estupros, tráfico humano. Do grupo que se formou comigo apenas três sobreviveram aquilo foi realmente um inferno e assim que acabou o período pelo qual me alistei eu caí fora, de jeito nenhum renovaria aquilo. —Já que eu te ensinei um pouco de italiano você poderia me ensinar alguns golpes mortais, o que acha? Ele riu sonoramente da minha proposta. —A não ser que você queira lutar com hobbits, eu não acho que eu poderia te ajudar tanto assim. —Não sei por que você ri, eu tenho 1,60 e estou perfeitamente na média, você que cresceu demais – digo e depois mostro a língua para ele e por um momento eu vejo um brilho passando por os olhos de Adam. *** No dia seguinte acordamos ao mesmo tempo. Eu adorei ter tido aquela conversa com ele ontem, Adam se abriu pra mim e contou coisas traumáticas da vida dele. Eu sabia que aquilo não era tudo e nem o principal motivo que o fizera sair de casa, mas com certeza aquela experiência contribuiu. —Próxima parada? – perguntou ele ainda na cama. —Nossa próxima é o Missouri, baby – e ele ri Vou até a minha mala e pego um macaquinho, pois hoje o dia prometia ser quente, um conjunto de calcinha e sutiã, toalha, nécessaire e fui tomar um banho. —Vamos precisar achar uma lavanderia ou fazer compras pra mim – ele diz quando saio do banheiro – Minha roupa limpa está acabando. —Por favor, vamos fazer compras eu adoraria fazer um novo estilo pra você apesar de admirar o lenhador sexy do seu dia a dia. Ele ainda não tinha feito a barba desde que o encontrei e aquele visual em um homem era justamente o que mais me atraia. Chegamos à “Old Chain of Rocks Bridge” que atravessa o rio Mississipi e liga Illinois ao Missouri, lá pelas nove da manhã. Entramos pelo lado de Illinois, segundo minhas pesquisas era o melhor lugar para entrar no estado. Adam estacionou o carro para apreciarmos a vista, de onde nós estávamos era possível ver o famoso arco se Saint Louis. Depois fomos até o painel com informações turísticas, não tinha ninguém lá e tínhamos ele só pra nós. —O que você quer saber? – Adam perguntou. Mas eu apenas selecionei uma das funções especiais daquele painel, que começou a tocar “Get Your Kicks on Route 66”. More than 2000 miles all the way Get your kicks on Route 66 Well it goes from St. Louis, down to Missouri Oklahoma city looks oh so pretty You? I see Amarillo and Gallup, New Mexico Flagstaff, Arizona don’t forget Winona Kingsman, Barstaw, San Bernadino —Vamos ter que ir a todas essas cidades – digo, ele concorda e voltamos para o carro. Assim que chegamos a St. Louis percebi que ela lembra muito Chicago bem grande e movimentada. —Temos que ir ao Ted Drewes, é uma sorveteria que está em atividade desde 1029 até hoje. —Você não acha que é um pouco cedo para a sobremesa? —Hei nós somos adultos agora, acho que podemos quebrar algumas não acha? Foi fácil encontrar a sorveteria histórica, os pontos turísticos eram bem sinalizados ao longo da rota 66. —Qual você acha que o sabor mais tipicamente americano? – pergunto para Adam. Ele analisa atentamente e responde o “Crater Copernicus”. —Bolo comida do d***o é um clássico americano, e pra mim vou pedir o Terramizzou em sua homenagem. Nós fizemos o pedido, ele fez questão de pagar. Fomos até o estacionamento e sentamos no meio fio, perto do nosso carro. Eu pego a câmera e tiro uma foto do Ted Drewes, e depois peço para tira uma selfie com ele. Nós juntamos as cabeças, levantamos os copos de sorvete para também aparecer no foto e entrego a câmera para ele tirar já que o braço dele é bem maior que o meu. Quando a foto é impressa e eu vejo o resultado começo a rir e ele pega a foto da minha mão para ver. —Acho que não sou um fotógrafo. —Eu não acho, eu tenho certeza. A fotografia tinha ficado torta e tinha me excluído totalmente, só aparecendo Adam e o sorvete dele. —É melhor jogar fora – ele disse e eu rapidamente peguei a foto da mão dele. —É minha! Apesar dos defeitos técnicos, ela representava totalmente que era Adam, os olhos azuis em destaque, o maxilar do super homem que eu amava e nos lábios apenas a insinuação de um sorriso. —Sorrir não dói e é de graça sabia, você deveria tentar fazer às vezes - digo —Minha alma é n***a, eu nunca sorrio. Ele disse num tom de brincadeira, mas eu sabia que ali tinha um fundo de verdade, eu mesma demorei um bom tempo para sorrir novamente depois que o meu pai morreu, e as feridas internas dele eram bem recentes. —“Why so serious?” – eu disse citando a celebre fala do Coringa e pegando nas bochechas de Adam e puxando-as para formar um sorriso — “Let´s put a smile on that face”. Ele sorriu um pouco com as minha maluquices e fiquei satisfeita. —OK Ozzy Osborne, começa a tomar o sorvete senão vai derreter. —Isso é muito bom – Adam elogiou – O tiramissu original é tão bom quanto isso? —Me deixa provar pra ver. Eu pego um pouco do sorvete dele, é bem gostoso, mas não tem comparação com o tiramissu da minha nona. —É interessante, qualquer dia desses, eu vou fazer um de verdade pra você poder ter uma verdadeira experiência italiana. —Você sabe ao menos como ligar o fogão, senhorita “celebridade mirim”? - pergunta ele em tom de deboche. —É lógico que eu sei, minha nona me ensinou, ela dizia que era só tinha duas formas de segurar um homem, uma era cozinhar absolutamente bem e a outra era nunca se negar na cama pra ele. Nesse momento Adam engasga e eu começo a rir. —Como é que é?! —Ela disse exatamente com essas palavras e eu tinha tipo uns sete anos e fiquei me perguntando o que significava se negar na cama. Se ela tivesse ali provavelmente eu diria a ela que isso não seria o problema e que eu teria que encontrar mesmo era um homem que não me negasse fogo. Não que eu fosse uma ninfomaníaca ou algo do tipo, mas o cara tinha que entender se que ele estava comigo, eu preciso de no mínimo um ou dois orgasmos por dia. —E deu certo? – perguntou Adam interrompendo meus pensamentos – Ela teve um casamento duradouro? —Meu nono morreu muito cedo, eu não cheguei nem a conhecê-lo e a minha avó teve que dar duro para criar os filhos, ela fazia pães, canoles e as mais diversas comidas para vender. Quando meu pai começou a ganhar dinheiro a primeira coisa que fez foi comprar uma casa para ela. —E ela não voltou a se casar? —Não, ela é muito católica e pra ela casamento só existe um, apesar de que o a Igreja permite que viúvos e viúvas voltem a se casar, acho que na verdade ela nunca esqueceu o meu avô realmente. Nós terminamos os nossos sorvetes e voltamos para o carro. St. Louis é uma cidade incrível e cheia de pontos turísticos para visitar, mas esse não é foco dessa viagem então digo a Adam que quero seguir viagem e nós partimos. Toda a rota 66 no Missouri estava quase abandonada e isso e me deixou triste e sem vontade de parar para fotografar, vários lugares em que passamos estavam bem caídos pelo tempo e ninguém se preocupara em revitalizar, outros tinham sido até mesmo vandalizados. Quando chegamos a uma cidade no meio do Missouri procuramos por um motel para passar a noite, Adam disse que conseguiria ficar acordado e dirigir até chegarmos bem perto da fronteira com o Kansas, mas eu disse que teríamos que passar por lá de dia, pois era um dos lugares que eu mais queria conhecer. A senhora da recepção me entrega uma ficha que preencho com meus dados e entrego de volta pra ela, quando ela lê o meu nome, olha pra mim e sorri. —Você tem o sobrenome do meu cantor favorito, Matteo Benedetti, tenho todos os discos dele e acompanho toda a sua vida, diga-me você é parente dele? Você sabe o que aconteceu com Luna, a filha dele? Eu balbucio algumas palavras nervosa, não quero que Adam saiba do meu passado assim. Ele parece perceber que tem algo errado comigo e responde para a senhora. —Ela é apenas uma prima distante de Matteo, a senhora pode mostrar nosso quarto, estamos muito cansados. A senhora assente e nos leva para o quarto e assim que entramos, eu vou ate ele e o abraço. —Obrigado. Ele devolveu o abraço. —Você só me conta sobre você quando você quiser, mas pelo amor de Deus me responde, como é o teu nome verdadeiro? Eu rio sonoramente, me desvencilhei do seu abraço e fui pegar meu passaporte. —Luna Bianca Benedetti, a primeira e única de seu nome – digo entregando o documento para ele – Em uma tradução livre, significa Lua Branca, é o nome de uma música do meu pai que ele escreveu pra mim e acabou se tornando o maior sucesso da vida dele. —Acho que entendi, você sempre usou o nome Luna, mas agora usa Bianca. Eu gosto como Luna soa. – diz ele me devolvendo o passaporte – Eu vou procurar por uma lavanderia, você quer vir junto? —Não, estou bem de roupa. Quando ele sai, eu fico com um sorriso de orelha a orelha. A cada momento em que passávamos junto, Adam vinha se provando cada vez mais ser uma pessoa incrível, e não me pressionou para contar alguma coisa e me deu uma força com a senhora da recepção. Mas ela não poderia ser fã de Andrea Bocelli assim como a maioria das pessoas!  
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