NICOLE NARRANDO
Quando eu entrei no quarto, eu vi um cabideiro. Fui direto no saco preto pendurado nela. Quem sabe não era a roupa para o meu funeral. Quando eu abri, vi um lindo vestido de seda. Alças finas. Curto. Mas ele era lindo. Nunca vi nada tão lindo. Nunca tive nada tão lindo.
Passei os dedos e senti a maciez e leveza dele, e então eu fui para o banheiro. Entrei e vi tudo muito limpo. Bem branquinho e com mármores. Abri a porta de um armário e tinha toalhas limpas.
Na bancada ao lado das duas pias, tinha produtos higiênicos. Escovas de dente novas de vários tipos. Do outro lado da bancada, uma cesta com produtos para o corpo e cabelo. Fiquei surpresa. Nunca tive nada disso e nem estou acostumada a usar tudo isso.
Vou até o box e vejo que ali não tinha nada. Então, da cesta eu pego somente o sabonete e vou para o box, tirando a minha roupa e fazendo um coque no cabelo que eu lavei ontem à noite.
Tomo um banho morno, sentindo o peso de tudo ainda sobre o meu corpo. A vontade de sumir, de pedir socorro e não voltar mais é grande. Mas se estou aqui é porque, mesmo sem poder viver como eu quero, eu sou grata pela minha vida e não vou perder ela por um pai de merda.
Saio do banho e só aí lembro que eu não trouxe nada. A ordem era... “fica pronta, só com a roupa do corpo. O chefe vem te buscar pela manhã.”
Eu acatei as ordens. Mas e agora? Penso no que fazer e acabo tendo que vestir a mesma lingerie que eu vim. A melhor e mais nova que eu tinha.
Fui até a pia e escovei os dentes, para ver se o amargo da tristeza saía da minha boca. E quando terminei, escutei baterem na porta. Eu sabia que só podia ser ele, então abri da forma que eu estava e vi que, mesmo sem eu querer, eu o atraio e isso pode ser usado a meu favor em algum momento.
Morte disse que eu ia conhecer o pai dele e ali eu senti um temor. Mas não deixei transparecer.
O preto do meu vestido era a única coisa que me dava forças. O tecido de seda abraçava o meu corpo como se fosse uma armadura, mas por baixo dele eu sentia cada músculo tremer.
O escritório do "Velho" parecia uma tumba, por mais lindo que fosse. Olhar para o homem que comprou a minha vida quando eu ainda era um feto foi como encarar o próprio d***o. Ele falava de "linhagem" e "estabilidade" como se estivesse organizando o estoque de uma empresa, e não destruindo o destino de uma mulher. Eu respondi à altura. Eu precisava. Se eu mostrasse medo ali, naquela sala fria, eu nunca mais conseguiria respirar fora dela.
Mas ao invés de mostrar o meu desagrado a ele, eu mostrei uma certa força e resiliência que fez ele me admirar. Olhar que eu pouco tive na minha vida toda. Mas quando tive, ficou marcado.
Saí daquele escritório e, depois de algumas palavras trocadas com o Morte, eu subi para o meu quarto de novo. Eles podem ter o meu ser, mas a minha alma não tem dinheiro nem fuzil que compre. As palavras escoam na minha mente. Eu vi o olhar de Morte durante a conversa. Vi ele escurecer quando eu respondi o seu pai. Ele não é acostumado a ser desafiado, mas eu não sou um dos seus soldados e não vou baixar a cabeça para ele.
Dentro do quarto eu voltei a sentir uma segurança de novo. Essa casa é quase a boca. Tem mais homens aqui do que lá embaixo. A cada passo que eu dei nessa casa, eu contei no mínimo cinco homens. Por sorte eu não vou ter que viver aqui com todos. Já basta o d***o e o filho dele, que estão no topo de tudo e são donos de mim.
Me jogo na cama, nem ligando mais para o vestido e como não dormi durante toda a noite, eu acabo pegando no sono.
[...]
MORTE— achei que eu tinha dito que o almoço era às treze. _ escuto a voz dele ao longe e peço para que seja um sonho. — Nicole. _ ele fala e eu respiro fundo.
NICOLE— eu achei que você era dono de um morro. _ eu falo— não trabalha, não? Vai ficar só aqui no meu pé. _ sinto o meu corpo ser virado com tudo para cima.
MORTE— está na hora de baixar a sua bola, Nicole. Não me faz perder a linha e te machucar. _ eu o olho nos olhos.
NICOLE— não disse que eu tinha que descer. Só disse a hora. _ ele me olha.
MORTE— não muda de assunto. _ não tiro os meus olhos dos dele, que estão bem perto dos meus, já que uma de suas pernas está sobre a cama e seu corpo quase todo em cima do meu, segurando os meus braços.
NICOLE— eu fui prometida a você. Entregue a você. Mas não espera que eu seja submissa. Que eu seja a que vai aceitar tudo. _ ele me olha. — Se espera que eu seja isso, pode começar a perder a linha agora, porque eu não vou mudar. _ ele me olha e passa a língua nos lábios.
MORTE— não brinca com o que não sabe brincar. O resultado final pode ser c***l e bem doloroso. _ ele fala. — Não sou de ter piedade. Você tem que ficar comigo o resto da sua vida. Já a sua família não. _ eu tento sair debaixo dele.
NICOLE— você não seria tão baixo. _ ele sorri.
MORTE— eu sou bandido, princesa. Um dos piores que existem. _ ele fala rente à minha boca. — Eu não tenho pena e nem compaixão por ninguém. _ ele fala. — Eu não vou te ferir e nem te machucar, é linda e perfeita demais para isso. Mas como eu disse. Eu sei como te fazer pagar por toda essa sua arrogância. _ ele fala e passa a língua nos meus lábios. Sinto um arrepio e um formigamento entre as minhas pernas.— não me testa, não vai gostar do resultado final._ ele fala e sai de cima de mim.— as suas roupas chegaram._ ele fala e eu vejo cinco caixas médias.— vem almoçar comigo e depois tu arruma._ eu me levanto da cama, ainda sentindo o que ele me causou, e ele parece perceber.
Sem dizer nada, caminho para fora do quarto e penso em que merda eu estou me metendo.
AMORES, VAMOS LÁ, COMENTEM E VOTEM MUITO. DIA 15/01 AS ATUALIZAÇÕES SERÃO DIÁRIAS.