Preparando o Refúgio

1150 Words
A madrugada já estava quase acabando quando os dez homens chegaram a uma decisão. Eles ainda tinham dúvidas. Muitas. Sabiam que Sarah Santos escondia alguma coisa. Uma mulher com aquele dinheiro, aquela coragem e aquele desespero não aparecia do nada. Mas uma coisa era certa: Ela tinha conseguido a atenção deles. Gael pegou o celular. — Vamos criar um grupo. Marco olhou para ele. — Grupo? — Sim. Se vamos conversar sobre isso, melhor ser entre nós. Em poucos segundos, o grupo foi criado. Os Dez. Cada um entrou. Dante. Vittorio. Alejandro. Klaus. Enzo. Rafael. Leon. Marco. Nikolai. Gael. Então veio a parte mais complicada. Adicionar ela. Sarah Santos. Por alguns segundos, ninguém mandou nada. Até que Marco digitou: "Fala aí, ruiva." A mensagem foi enviada. Todos ficaram olhando para a tela. Poucos segundos depois... Sarah Santos está online. A resposta apareceu. Sarah: E aí? Curtindo muito o aparelho novo? Os dez se olharam. Gael soltou uma risada baixa. — Ela é rápida. Dante digitou: Dante: Como sabia que era nós? A resposta veio quase imediatamente. Sarah: Digamos que meu número também é especial. Uma pausa. Sarah: Só vocês têm. Vittorio franziu a testa. — Ela sabia que a gente ia mandar. Leon respondeu: Leon: Interessante. Depois de alguns segundos, outra mensagem apareceu. Os Dez: Brota aqui mais tarde. Os Dez: Traz o contrato. Os Dez: Vamos assinar. Na cela, todos ficaram em silêncio esperando. Então o celular vibrou. Sarah: Ótimo. Mais uma mensagem. Sarah: Fiquem preparados então. Outra. Sarah: Final da tarde eu broto aí. Gael sorriu. — "Broto aí." Marco riu. — Ela fala igual gente normal. Dante continuou lendo. Até que veio a última mensagem. Sarah: E tiro vocês da prisão. O silêncio tomou conta da cela. Porque aquilo ainda parecia impossível. Mas então chegou mais uma. Sarah: Hoje vocês vão dormir em quartos de luxo. Os dez ficaram olhando para a tela. Nikolai soltou uma risada desacreditada. — Ela realmente fala como se fosse fácil. Enzo balançou a cabeça. — Para ela talvez seja. Dante ficou encarando a mensagem. Um quarto de luxo. Liberdade. Uma nova vida. Tudo vindo de uma mulher que eles nem conheciam. Gael digitou: Gael: Você tem certeza do que está fazendo, ruiva? A resposta demorou alguns segundos. Então apareceu: Sarah: Tenho. Só uma palavra. Mas carregava uma certeza absurda. Dante olhou para os outros. — Então está decidido. Todos entenderam. Depois de anos sendo perseguidos, caçados e presos... No final daquele dia, dez dos homens mais temidos daquele país deixariam aquelas paredes. E tudo por causa de uma mulher misteriosa que apareceu dizendo uma única coisa: "Eu preciso de proteção." Mas nenhum deles sabia ainda... Que a maior ameaça que Sarah enfrentava não estava apenas atrás dela. Estava esperando o momento certo... Enquanto os dez homens ainda estavam dentro daquela cela, tentando entender a mulher que tinha aparecido em suas vidas, Sarah já estava preparando tudo. Ela não queria apenas tirar eles da prisão. Ela queria que, quando chegassem à mansão, eles entendessem uma coisa: Eles não estavam chegando como presos. Estavam chegando como convidados. Como parte do acordo. Desde cedo, funcionários corriam pela mansão. Os dez quartos, lado a lado, estavam sendo preparados. Sarah fez questão de conferir cada detalhe pessoalmente. Ela pegou a ficha de cada um deles, incluindo tamanhos de roupas, calçados e todas as informações que conseguiu. Nada poderia estar errado. Ela foi até as melhores lojas. Comprou relógios de marcas caras. Pulseiras de prata. Pulseiras de ouro. Correntes. Acessórios. Tudo de acordo com o estilo de cada um. Depois foi para as roupas. Tênis novos. Vários pares de Nike. Calças jeans. Shorts jeans. Camisetas. Camisas de manga comprida. Moletons. Casacos. Roupas para dias frios. Ela não queria que eles chegassem usando apenas o uniforme da prisão. Queria que eles tivessem de volta uma identidade. Também comprou kits completos de cuidados pessoais. Produtos para barba. Perfumes. Shampoos. Produtos de higiene. E então ela mesma organizou tudo. Cada quarto tinha um guarda-roupa enorme. E dentro deles, roupas novas, separadas por tamanho e estilo. No banheiro de cada quarto, ela colocou tudo que eles precisariam. Toalhas novas. Produtos de higiene. Tudo organizado. Sarah passou horas conferindo cada detalhe. Na cama de cada um, colocou um notebook. Ao lado, uma cesta com chocolates. Ela olhou os dez quartos prontos. Era estranho. Uma mulher preparando uma mansão para dez dos homens mais perigosos do mundo. Mas, para ela, aquilo fazia sentido. Eles precisavam entender que aquela casa não era uma prisão. Depois de terminar os quartos, Sarah desceu até a cozinha. Lá estava Helena. A cozinheira da mansão. A única pessoa naquele lugar que conhecia toda a verdade. A mulher que esteve com Sarah desde o começo. Desde o dia em que ela apareceu destruída, machucada e sem saber em quem confiar. Helena tinha ajudado a esconder sua nova identidade. Tinha guardado seus segredos. Tinha cuidado dela como uma filha. Quando Sarah entrou na cozinha, a mulher sorriu. — Terminou tudo, querida? Sarah se aproximou e segurou a mão dela. — Terminei, tia. Helena percebeu o cansaço no rosto dela. — Você realmente vai fazer isso? Sarah respirou fundo. — Vou. Helena olhou para ela preocupada. — Dez homens. — Eu sei. — Homens perigosos. Sarah ficou em silêncio por alguns segundos. Então respondeu: — Tia... pessoas que pareciam normais foram as que me machucaram. O olhar dela ficou distante por um momento. — Esses homens podem ter cometido coisas horríveis, mas eu sei exatamente quem estou colocando dentro da minha casa. Helena ficou emocionada. Ela sabia o quanto aquela decisão significava. — Você ainda não quer contar para eles? Sarah negou. — Não. A voz dela ficou firme. — Nada. — Sarah... — Eles não podem saber. Helena suspirou. — Você acha que consegue esconder? Sarah desviou o olhar. — Eu preciso. Então ela entregou uma folha. — Essa é a lista de alergias deles. Peguei todas as informações na prisão. Helena pegou. — Vou cuidar disso. — Nada que eles tenham alergia vai para a comida. — Claro, querida. Helena sorriu. — E pode deixar. Quando eles chegarem, vou fazer tudo que puder para eles se sentirem bem. Sarah abraçou a mulher. — Obrigada, tia. Antes de sair, Sarah ainda conferiu todos os documentos. O contrato estava pronto. A transferência estava preparada. Ela já tinha conversado com o banco. O pagamento estava autorizado. Tudo estava organizado. Ela sabia que estava prestes a colocar dez homens perigosos dentro da própria casa. Mas também sabia uma coisa: Ela não tinha escolhido qualquer um. Ela tinha escolhido os únicos homens que talvez conseguissem protegê-la. No fim da tarde, Sarah pegou as chaves do carro. Olhou para a mansão pela última vez. Os dez quartos preparados. A casa pronta. A nova fase começando. Então ela entrou no carro. Porque naquele dia... Ela iria buscar os dez homens que mudariam completamente a sua vida.
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