HÁ ALGUNS ANOS ATRÁS. Rafaela ensaia para bater na porta a sua frente. Sei disso porque sua mão ergue algumas vezes, e antes que encoste na madeira, ela as recolhe em seu bolso da jaqueta de couro. Imagino que não seja fácil. Acabamos de passar por uma guerra, mas dizer a mãe dela sobre a gravidez, parece ser pior do que uma arma apontada em sua cabeça. ― Está tudo bem. - Falo, ao seu lado - Nós vamos fazer isso juntos. ― Não é tão fácil. Ela idealizou um futuro do qual eu não posso ter. Ela deu o sangue para os meus estudos. Somos só nós duas... - Explica baixinho - Não está tudo bem. Ela acha que irá conhecer meu namorado, presumindo que seja um garoto da faculdade. ― Então o problema é a minha idade? - Sorrio, observando ela se confundir. ― Não, claro que não. - Ela olha pra

