Meus ouvidos não estão aguçados, como costumam estar. Pareço estar em outro plano, menos dentro desse carro. Meu pulmão dói, e por vezes lembro-me do dia do qual apontei a arma na minha própria cabeça, disposto a acabar com a minha vida. O sangue que corre em minhas veias, parece conter ácido, pois é dolorosamente que ele se arrasta por todo o meu corpo. É como perdê-los novamente. Aqueles sentimentos que eu tentei expulsar, que eu relutei em sentir parecem estar querendo entrar a todo custo. Está silencioso, mas dentro de mim, o barulho é ensurdecedor. O que disseram ao meu filho? Que tipo de homem ele pensa que eu sou nesse exato momento? Afinal, eu era o seu herói. Será que continuo sendo? ― Quer conversar? - Kaue pergunta, dividindo a atenção entre eu e a estrada. ― O que ela es

