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1156 Words
Gean: Entrevista: — Bom dia. Seja bem-vindo, eu sou a Zoe, secretária da dona dessa vaga de emprego. Pode se apresentar. — Eu me chamo Gean Fagundes. Tenho 25 anos, moro com minha mãe em uma periferia. Ultimamente trabalho levando cachorros para passear, mas quero uma oportunidade melhor. — Usa algum tipo de droga, lícita ou ilícita? — Não. — Já fez uso? — Nunca. — Por quê? — Questiona curiosa. — Pessoas que usam drogas se perdem do propósito, do prazer da vida, da vontade de vencer… quero vencer… quero ser feliz porque sou feliz e não porque algo me faz ou me deixa feliz no momento. — Entendi. Recorre a algum tipo de remédio? — Não. — Tem algum tipo de vício? — Reclamar, não me conformar com o que não gosto e ser negativo às vezes. — Acha que isso te afeta de alguma forma? — Sim… às coisas não dão certo, mas não consigo mudar isso. — Usa anabolizantes? — Não. — Por quê? — Sei que não é nada bom e, além de tudo, tenho pouco dinheiro, não gastaria com algo desnecessário. — Certo. Logo retorno com o resultado — diz ela anotando algo. Saio da sala, dando a vez para outro. Depois todos foram chamados e ela foi dizendo quem passou e quem não passou. E mais uma vez suspirei de alívio. Então vieram mais testes, perguntas, exames. Eu estava exausto já, mas não poderia ser desclassificado agora, eu queria passar e ganhar a vaga para um emprego que desconheço. Por fim, sobraram só 3 pessoas e em nossa frente, nos analisando de cima a baixo, estava Maria Helena Farzar. A mesma era mais bonita que nas capas de revistas ou até mesmo que de biquíni em sua mansão. Fito suas curvas com meus olhos vidrados, até que nossos olhos se encontram e ela sorri incrédula. Pelo visto, lembrava de mim. — Bom, restaram só vocês. E os três estão concorrendo à vaga de meu doador. Ficamos assustados. Ela fez todos esses exames para roubar nossos órgãos? ____________________________________ Helena: — Pelas caras, acham o pior de mim-gargalho-, eu quero um doador de sêmen à altura e pagarei bem por isso. — Sêmen? — pergunta o Gean. — Sim. Sêmen. Desejo ter um filho, mas não quero pelo método tradicional e quero alguém escolhido a dedo para me dar um bebê. Agora eles se animam mais. — Agora só teremos um exame a ser feito, o qual é para saber, qual de vocês é o mais saudável para poder ser meu doador. Boa sorte a todos. Vou comer alguma coisa com a Zoe e eles foram fazer os exames, nós olhávamos pela grande janela de vidro fumê. — Gostou de algum deles? — pergunta minha secretária. — Por que essa pergunta? — Seria bom que tentasse o modo tradicional, sempre pensei que os bebês se sentissem mais amados se o ato fosse bom, prazeroso e com amor. — Não existe amor, Zoe — falo e meus olhos lacrimejam. — Não acredita no amor, senhora? — Acredito no que sinto e, se o que achava que era amor nunca foi correspondido, mas serviu como chacota e falta de afeto, prefiro acreditar que ele não existe. Ou as pessoas não são mais capazes de sentir, de amar — digo, lembrando do passado. — Amo e muito… já amei diversas vezes e sofri muito — caem algumas lágrimas de seus olhos — mas agora encontrei o amor verdadeiro, ele me dá flores e chocolates em datas especiais que surgem na mente dele, não são as datas determinadas pelos outros, ele as escolhe minuciosamente. Às vezes, ele escreve cartas para dizer o quanto me ama e deixa perto do abajur do quarto, para que eu acorde e lembre o quanto sou especial para ele, na visão dele. — É lindo saber que encontrou o amor, mas talvez isso não seja para mim. Existem muito poucas pessoas que amam e, se você deu sorte, jamais perca essa chance, essa pessoa. Respiro fundo e fecho os olhos. Eu sonhava com o amor, na verdade, sonho desde menina, mas ao decorrer dos anos, nos encontramos em pedaços e queremos só desistir dos devaneios. Talvez não seja para todas ser a princesa de um príncipe. Talvez não seja para todas ser adorada/venerada como uma deusa por seu amor. E provavelmente não é para eu esperar por algo que não irá acontecer. Meus antepassados tiveram relacionamentos caóticos, qual a chance de eu ser melhor? — Toda — diz ela em voz alta, me fazendo olhar assustada. — O que disse? — Nada… estava pensando alto. — O que disse? — Toda hora aquele rapaz de vermelho te olha — diz sem tirar os olhos da janela. Então, eu também olho para a mesma direção. — Gean Fagundes, 25 anos, mora na periferia. — Certeza? — Sim. — Como pode lembrar? Conversou com mais de 20 homens só hoje. — Lembro dele, por parecer com meu pai, tem esse jeitinho meigo, sabe? Não sei te explicar, ele parece único em meio a tantas pessoas. — Tem a ficha dele? — Sim. A mesma procura e logo me entrega, então começo a ler cada detalhe do que foi dito por ele e realmente, de todos, era um rapaz diferente. Fico olhando para as informações por minutos, até que os médicos venham até nós, nos mostram os exames e todos eles não eram 90% saudáveis, mas tinha um que poderia ficar um pouco melhor que os outros dois. — Nem um deles está apto — diz o médico mais novo. — Mas qual deles poderia ficar mais apto? — Nem um. — Diga o problema dos três. — O mais baixo está com excesso de gordura no sangue, o mediano tem princípio de diabete, além de ter casos na família. O terceiro não consome vitaminas, nem ferro, está com anemia. — De todos eles, qual seria mais fácil de melhorar em 2 meses? — O mais alto, da anemia — diz o médico mais velho. — Ok. Ele será selecionado. Quero que o senhor — digo para o mais velho — acompanhe ele, seu desenvolvimento, quero que prescreva tudo que ele precisa para melhorar, sejam remédios, alimentos, etc. — Sim, senhora. Vou até o local onde estavam os três. — Chegamos ao fim dos exames e testes, e quem passou para a próxima fase é o Gean Fagundes. — Sério? — diz ele, incrédulo. — Sim. Os demais vão até a sala de início para receber o pagamento. Eles saem cabisbaixos e eu fico olhando para o nada. — E o que faço agora? — questiona, se aproximando devagar. — Se importa de me acompanhar quando eu for para casa? Prefiro falar sobre isso no carro. — Por mim, tudo bem. Então, juntamos nossas coisas, fechamos tudo e todos fomos para nossas casas, menos o Gean, que estava indo comigo para a minha.
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