HUNTER RETTH NARRANDO
Eu terminei de cozinhar o jantar e servi um prato para Serena. Coloquei na mesa, e servi meu prato também.
- Está pronto. - Falei, e ela me olhou da sala, onde estava sentada, escrevendo.
Veio andando vagarosamente, desconfiada. Sentou-se à mesa e me olhava curiosa.
- O que houve com sua perna? - Ela questionou, enquanto pegava a faca e o garfo. - Se não quiser falar, tudo bem.
- Levei um tiro. - Falei, cortando um pedaço do bife e colocando dentro da boca.
Ela ficou paralisada ao ouvir. Olhou para baixo, e começou a tentar cortar a carne. Por estar macia, ela acabou conseguindo facilmente e começou a comer.
- Que delícia. - Disse. - Eu estava com fome.
Eu não respondi ao comentário. Eu estava com medo de olhá-la, por causa dos pensamentos sujos que ando tendo. Faz tempo que não tenho uma mulher, e agora tem uma na minha casa e eu já a vi sem roupas. Tenho que me controlar pra que minha mente imunda não me faça fazer um estrago com essa menina.
Eu terminei de comer primeiro que ela e me levantei. Fui até a pia e levei o prato, e comecei a arrumar a cozinha. Serena veio até mim com seu prato na mão, me entregando.
- Posso te ajudar a arrumar as coisas? - Perguntou. Eu neguei com a cabeça.
- Por favor, vá descansar e fique o mais longe possível de mim. - Ela ergueu as sobrancelhas e arregalou os olhos ao ouvir meu pedido.
- Por que você me trata como se eu fosse... Eu não sei, como se eu tivesse uma doença contagiosa ou coisa do tipo? Qual é o seu problema, o que eu te fiz? - Perguntou, revoltada. - Eu estou tentando ser legal com você e te agradecer, mas você me trata como lixo! Eu preciso me sentir útil pra você, você tem sido tão legal e...
Joguei o prato na pia, o que o fez quebrar. Foi sem querer. Fiquei irritado com o tanto de palavras por segundo que ela disse e acabei fazendo isso.
Ela deu alguns passos para trás, com os olhos arregalados.
- Me desculpa. Não quis te irritar. – Disse, apavorada.
- Vá descansar e fique longe de mim. – Pedi, mais uma vez.
- Como quiser. – Ela disse, foi até a sala com pressa e pegou o bloco de papel e a caneta.
Serena correu para o quarto e bateu a porta, parecia com medo. Eu não queria que ela sentisse isso por mim. Não queria que ela me temesse. Mas talvez, esse fosse o único jeito de mantê-la segura.
Depois de terminar de arrumar a cozinha, fui até minha sala e me deitei no sofá, para relaxar um pouco. Eu olhava para o teto alto de madeira da minha casa, mas sem realmente observá-lo. Minha mente estava longe, bem longe.
Acabei adormecendo.
Serena abriu a porta do quarto e saiu dali vestida em um vestido branco, decotado, com um tecido leve. Era possível ver seu corpo através do tecido, seu peito bem marcado, suas curvas perfeitamente delineadas... Ela se aproximou de mim, e eu, que estava deitado no sofá, me sentei nele.
- Quero agradecer você por ter sido tão bom. – Ela disse.
Serena mordeu seu próprio lábio inferior e colocou a mão nas alças do vestido, e em um movimento, o removeu do próprio corpo, o fazendo cair.
- Eu não posso. Eu sou um monstro, Serena. – Eu avisei.
- Shhh. – Ela disse, enquanto se aproximava ainda mais. Passou uma perna para cada lado de meu corpo e se sentou em meu colo, enquanto eu permanecia imóvel no sofá. – Me toca, Hunter. Eu sou... Sua...
Minhas mãos calejadas tocavam o corpo doce de pele perfeita de Serena. Ela colocou o rosto bem próximo do meu, encostando a testa na minha...
- Não faça isso com você. Eu não te mereço. - Falei.
Ela começou a rebolar em meu colo, de forma ritimada, e eu não me contive. Minhas mãos continuavam a percorrer seu corpo despido...
E então, quando eu fui beijá-la...
Ouvi um barulho vindo do quarto, que me fez despertar rapidamente em um pulo. Era um barulho de algo caindo na madeira do piso. Olhei pra baixo e vi que alguém ficou animado com o sonho que tive, então, me ajeitei, e fui para o quarto. Serena estava desmaiada no chão, e eu me abaixei rapidamente para pegá-la no colo.
Com ela em meus braços, completamente desmaiada, eu caminhei até a cama e a coloquei deitada ali.
- Anjo? – Falei, e ela não respondia. Seus sinais vitais estavam bons, mas sua temperatura... Estava alta demais.
Quando encontrei Serena na neve, ela estava nua, suja, com muitos machucados. Eu cuidei dela, limpei e a alimentei. Havia um ferimento feio em seu pé, uma queimadura de gelo. Decidi olhá-la para ver se não havia infeccionado.
Quando tirei a meia de Elena, o calcanhar dela estava cheio de pus, muito infeccionado. A ferida estava horrível. Eu havia reparado que ela estava andando na ponta do pé, mas achei que fosse devido a alguma dor, e não devido a algo tão grave.
- Merda. – Sussurrei.
Primeiro, eu precisava cuidar da febre dela. Fiquei tão desesperado que liguei o chuveiro no morno, peguei-a no colo como uma princesa e entrei com ela, nós dois de roupa, embaixo do chuveiro. Desmaio por elevação de temperatura corporal é algo sério. Me sentei no chão, com o corpo dela em meu colo, enquanto a água caía sobre nós dois.
- Serena? - Eu falava, tentando acordá-la.
A água encharcava nossos corpos. O rosto e cabelo de Serena estavam molhados, assim como os meus.
Lentamente, ela foi abrindo os olhos. Respirei profundamente ao perceber que a moça estava viva. Levei uma das mãos até seus cabelos loiros e úmidos, os afastando de seu rosto delicado.
- Vai ficar tudo bem. - Eu falei, quanto acariciava seus cabelos.
- Hunter... Eu vou morrer... - Falou, de forma ofegante. - Não me deixa morrer, por favor...
- Eu não vou deixar, tá bom? Não vou deixar. -
Serena se aninhou a mim, ali, embaixo do chuveiro. Estava fraca, e acabou apagando de novo.
Tão delicada...
Tão frágil e linda.
Como um anjo desse poderia ter aparecido na minha vida?
- O que te trouxe até mim, meu anjo? - Falei, bastante baixo, como se perguntasse a mim mesmo.
O que eu podia fazer para curá-la?