KALIANA MENDONÇA | 17:23PM
Por volta das quatro e quinze Vitinho retornou da escola, Mari tinha ido resolver algumas coisas na rua e quando voltou o filho já estava com ela, o garoto correu ao encontro da Kalicia quando a viu na expectativa de mostrar os desenhos que fez na escola, ela como não é nada curiosa ficou em cima pra ver as pinturas.
— Olha que gracinha ele mostrando os desenhos..— Mari diz sorridente, desvio o olhar do celular e vejo os dois observando o desenho enquanto Vitinho explica o que era.
— Esses dois vão ser um grude..
Ouço a porta da frente bater, por ela passa Deco e ele se aproxima da gente.
— Eae, boa tarde aí.
— Boa tarde. Chegou cedo. — Mari observa
— Fui resolver uma pendência com o Grego. E tu? — se vira pra mim — Tá se sentindo melhor?
— Sim, obrigada.
— Teu ex cuzão botou tua cara estampada por aí, tá dada como desaparecida então até as coisas darem uma acalmada tu vai permanecer dentro de casa tranquilo? Última coisa que quero é a civil subindo aqui.
— Tudo bem..
— E ela vai ficar sem roupa? — Mari se intromete — Queria mandar alguém pra pegar as coisas dela e da Kalicia, não tem como ela ficar aqui sem roupas.
— Mari, sem problemas, qualquer coisa eu.. — paro de falar quando percebo a intensidade do olhar que os dois trocam, Mari levanta uma das grossas sobrancelha e Deco respira fundo bem calminho.
Prendo o riso. Não era hora.
— Não tem loja de roupa por aqui? Da teus pulos Mari e compra umas roupas pra elas, depois mando alguém buscar o restante.
Mari suavuliza a expressão e abre um sorriso.
— Obrigada. — Diz, Deco faz menção em falar algo mais mas Kalicia aparece correndo pelo corredor com Vitinho atrás dela, ambos caem um por cima do outro no chão e na mesma hora Mari e eu nos aproximamos preocupada.
Preocupação foi em vão já que no minuto seguinte os dois estavam aos berros, rindo e fazendo cócegas um no outro.
— Ih que isso vocês dois em?
— Para!! O mã-mã-mãeee!! — Kalicia diz aos risos
— Olha que isso ainda vai dá em casamento em. — Deco atiça
— Cala boca palhaço, eles são primos. — Mari bate na sua barriga, Deco se curva com o golpe e a xinga baixo. — Ei, para lá dois! — nenhum dos dois a ouve — Victor! — O mais novo se afasta ainda rindo, se levanta e ajuda a prima a levanta.
— Aí mamãe! Meu coração ta batendo muito rápido. — Kalicia diz exageradamente com a mão no peito.
— Toma, bebe água e parem de correr. — Estendo sua garrafinha de água.
É a mesma coisa de pedir pra os dois permanecerem quietos em um só lugar. Um pouco mais tarde, estava terminando de preparar a mamadeira da Kalicia quando ouvi vocês desconhecidas vindo da sala de estar onde Mari e Deco estavam.
— Mamãe!! — Ouço seu chamado, desligo a torneira e firmo o bico da mamadeira. — Olha só o que eu ganhei. — Ela estende a mão e me mostra o par de trufas.
— Quem te deu isso?
— Tio Grego.
Tio Grego. Me preocupa que ela vá com qualquer um que vá até ela, é criança e mesmo com meus avisos confia demais em desconhecidos.
— O que eu disse sobre aceitar qualquer coisa de estranhos, Kalicia? — pego o doce da sua mão.
— Mas mamãe..
— Qualquer um Kalicia, se a mamãe não conhece não é pra aceitar.
— Tua mãe tá certa, princesa. — Levanto a cabeça quando ouço o tom de voz masculino soar dentro do cômodo.
Perco até a fala quando bato meus olhos em seja quem for esse homem, nunca o vi por aqui mas sua aparência não me é desconhecida. Alto, cavanhaque na medida certa e bem feito, lábios cheios e moldados, é bonito, reconheço, mas pela quantidade de ouro que carrega no pescoço e pulso me diz que é um dos parceiros do Deco.
O que significa que é totalmente proibido para mim
Seus olhos são de um castanho escuro e assim como eu, seus olhos passeiam desde meus pés até meu último fio de cabelo, fico mega sem graça tanto que perco até o contexto da conversa. Abaixo meu olhar pra olhar minha menina, semicerro os olhos e tento clarear a mente sobre o que estavamos falando.
Trufas. Trufas de desconhecidos.
Olho na sua direção novamente quando percebo que está vindo na minha direção.
— Grego. Satisfação, sou chegado do Deco. — Estende a mão, fito a palma grande e tento não olhar bastante pra o invicta brilhando no pulso e a corrente de ouro.
— Kalicia. Irmã do Deco. — Retribuo ao aperto de mão, ele molha os lábios e passeia os olhos de mim para a Kalicia.
— Posso comer o doce agora?
— Aí é com tua mãe, já mostrei ser inofensivo.
Semicerro os olhos com a sua ousadia.
Ouço um pigarrear alto, procuro pelo dono e percebo que Deco entrou no cômodo, me olha bem serinho e eu nem preciso me perguntar o motivo.
— Perdeu o caminho do banheiro, irmão?
Grego afasta os olhos de mim.
— Ouvi vozes na cozinha e resolvi me apresentar. Irmã né? — trocam olhares
— É, de sangue. — Grego concorda, engole em seco mas não volta a me olhar, pelo menos não dá forma que fez assim que entrou na cozinha.
— Bom te conhecer.
— Eu vou poder ficar com o doce? — Kalicia se intromete.
— Vai, mas só porque o Grego é amigo do teu tio, caso contrário você recusa entendeu?
— Foi erro meu aí, não vi m*l em dar doce pra a menina mas vendo teu lado reconheço.
Concordo, ele não demora aqui, Deco faz questão de expulsa-lo logo após resolver as coisas. Assim que os dois saem, Mari vem até mim.
— Fica de olho aberto pra o lado desse grego não, Kaliana.
— Ih, qual o problema com o cara?
— Ele é o problema, ele e Deco são assim..— gesticula.
— Ele é frente?
— Bem mais acima. — demostrou surpresa, ele é um dos líderes
— Só oi e tchau, nada mais que isso.
Não tava nem com cabeça pra me envolver com ninguém agora, tô em paz do jeito que tô.
Grego Narrando
Assim que entro na casa do Deco encontro Vitinho junto de outra criança, franzo o cenho e olho pra a garota que aparentava ter mais ou menos sua idade. Não lembrava dela de lugar nenhum, filha do Deco não era.
— E ae pivetada. — Chamo a atenção dos dois, assim que me vê Vitinho já vem até mim — Fala meu chefe, tudo em cima? — me abaixo pra falar com a cria
— Pra cima! — Grita respondendo meu gesto de cumprimento
— Boa! — bagunço seus cabelos — Não vai me apresentar tua amiga não?
— É a Kalicia, fala oi prima.
Kalicia estreita os olhos pra o meu lado mas se aproxima.
— Oi.
— Prima é? desde quando tu tem prima? Mari não tem irmã nenhuma.
Nenhum dos dois respondem
— Bom, trouxe uns doces pra vocês, ainda bem que trouxe mais do que o planejado. — Apalpo os bolsos e retiro as trufas, entrego uma de morango e outra de chocolate pra cada e vejo o sorriso surgir nós lábios dos dois.
— Obrigado! — Dizem em uníssono, Kalicia corre em direção a cozinha gritando pela mãe.
Te contar que eu tava curioso pra saber de quem a pirralha era filha, Deco não estava presente e eu não vi maldade alguma em ir conhecer a mina. Segui a garota até a cozinha, me aproximo do cômodo a tempo de ver uma bela de uma morena da pele bronzeada com os longos cabelos soltos.
Bonita pra um santo c*****o, corpinho naquele grau, não era um absurdo de gostosa mas tem tudo sob medida e isso atrai qualquer um, ela tem mais uma beleza natural.
— O que eu disse sobre aceitar coisas de estranho? — Mulher tava serinha, não tinha me visto ainda.
Percorro meus olhos desde as pernas grossas até a cintura fininha, tanto que não demorei a chamar sua atenção. A voz é doce, seus cabelos batem acima da b***a e o olhar da mulher nem se fala, semelhantes as esmeraldas que mandei roubar semana passada.
Por mais gostosa que seja o perigo está estampada na sua face, pela suas características físicas não é irmã da Mari e se não é irmã dela só pode ser sangue do sangue do Deco o que se torna extremamente proibido pra mim. Irmã de parceiro é a mesma coisa que ex mulher, nois não tem permissão nem de olhar.
Falando no cara ele não demorou a dar as caras, fingi tá fazendo uma média aqui com a mina e meti o pé com ele.
Ninguém menciona a mulher, não ia dá na cara que agi fora da conduta com a irmã do cara.
— Tu nunca mencionou uma irmã.
— Nunca tive, ela escolheu viver a vida dela.
— E tá aqui agora?
Deco respira fundo, para diante de mim na área externa
— Te chamei aqui pra isso irmão, mina é minha irmã mas eu preciso passar a procedência que ela é pra ti antes de mantê-la aqui.
Cruzo meus braços e o encaro, aguardando.
— Ela viveu durante anos casasa com um PM, civil. — estreito os olhos — Tá foragida aqui, o cara não faz ideia que ela recorreu até mim mas..
— Cê tá me tirando, Deco, qual foi cara? Logo aqui p***a?
— O que cê queria que eu fizesse, Grego, p***a? Minha irmã c*****o, ia negar ajuda?
Balanço a cabeça, tava bom demais pra ser verdade.
— Até quando isso?
Ele balança a cabeça. Respiro fundo, parada só melhora.
— Qual foi irmão, me ajuda nessa..
Olho pra a mulher, ela se senta no sofá e se aninha com Kalicia ao seu lado, ergue a mão e retira um fio de cabelo solto no rosto da pequena antes de voltar sua atenção até a televisão.
— Ela não pôde sair daqui, se for reconhecida..
— Ela sabe, até às coisas tranquilizarem..
— Não, Deco, ela não pode sair daqui, ou ela sai da minha favela ou ela permanece dentro dessa casa.
Ele fica calado. As duas opções não o agrada.
— O que o cara fez com ela?
— Já disse, história é longa e..
— Tenho tempo. — Insisto, ele parece meio assim de falar mas abre a boca, sabe que é melhor.
Descubro que o PM era casado com a Kaliana, b.o começa daí porque os dois são casados no papel, Kalicia é fruto do relacionamento dos dois e pelo o que Deco me diz o relacionamento não era um dos mais felizes, a mina não só teve a vida privada como também sofria agressão, lista é grande e Deco preferiu só dar uma breve resumida na história de vida triste da mulher.
— Firmeza. Vou vê aí o que posso tá fazendo a respeito, mas enquanto isso faz favor e mantém essa mina aqui.
Ele concorda.
— Vou resolver uns corre ali, faz aquela parada lá que te pedi, sem enrolação.
Embico pra fora da casa, assim que passo na sala Kaliana finge não me ver olhando na sua direção e eu aproveito a distração pra dar uma secada na mulher, vai dá trabalho aqui dentro em.
Deus me livre e guarde nem longe de mim porque se der bola papai, não tem quem perdoe, na calada então.
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