Capítulo 3

2309 Words
Quinta-feira, 16:18 Kaliana Narrando Completou duas semanas desde que passei a morar aqui no complexo, raramente eu saia de casa pra alguma coisa, Deco não permitia e por mais entediada que ficasse eu entendia o seu lado, ele não deveria nem estar me ajudando sendo ex mulher de quem sou. Passo a maior parte do meu tempo cuidando da casa e desenhando, Mari me emprestava seu notebook no período que ela não estava usando e eu assistia algumas aulas online do meu antigo curso e relembrava de algumas técnicas básicas. Só essas últimas duas semanas desenhei quatro peças de vestidos. — Você deveria investir nisso, teus desenhos são bons. Me assusto com o tom de voz próximo, tanto que deixo até o lápis cair, Grego se aproxima e pega pra mim, me entrega e aponta pra o local vago do meu lado. — Posso sentar aí? Deco inventou um churrasquinho aqui em casa, estava começando a conhecer os seus parceiros e a maioria parecia ser gente boa mas o Grego é o único que vem tropar papo comigo, sem mencionar que todo santo dia ele vem trazer doces pra essas crianças, Kalicia me pertuba a cabeça esperando ele aparecer e o pior é quando ele deixa de dá as caras. — Você trampava com isso antes? —Não cheguei a começar a trabalhar, parei o curso. — Mas da pra vê que tu pegou um conhecimento maneiro. — Precisei assistir algumas aulas pra relembrar um pouco, mas é a prática né? Leva a perfeição. Ele abre um sorriso e concorda, molha os lábios terrivelmente atraentes e eu tento não olhar muito, tento não pensa maldade com esse cara mas é impossível. Nosso contato visual é quebrado pelo ruído do seu áudio, ele pega o aparelho e leva próximo a boca. — Manda, Jorginho. — Escobar passou a visão da situação da rota doze, possível engarrafamento, nada confirmado mas na dúvida melhor avisar. Finjo não estar ouvindo, deslizo a ponta do lápis por alguns traços no papel enquanto ouço a conversa. — Já saíram? — Não, tamo esperando a ordem. Grego fica calado por um instante. — Deixa essa mercadoria pra amanhã, Jorginho, é muito produto pra arriscar cair em mãos errada. Vou avisar o jota. — Firmeza. Fé aí. Silêncio. Ouço ele puxar o sino do w******p. — Jota, da uma moral aí nessa mercadoria, segura esse carro até amanhã de manhã, consigo segurar as pontas aqui com o produto que tá no estoque. Jorginho tá seguindo praí nativa. —Mamãe..— ele envia o áudio logo após ouvir o chamado da Kali vindo até a gente com a expressão aborrecida — Vitinho pegou minha tiara. — Pega de volta. — Taí o problema, mamãe, ele fica levantando o braço assim ó — gesticula — pra eu não pegar, ele é um chato dos grandes. — Suspira aborrecida, olha pra o Grego do meu lado e finge não vê. —E ae boneca, não existo não é? —Oi. — Diz simplesmente e se volta pra mim — Mamãe.. — Ta bom, Kali, vai lá que eu já tô indo ok? — Vai vir mesmo né? — Sim, eu já vou. — Vou falar pra ele então, ele não acreditou em mim quando disse que chamaria a mamãe. — Saí decidida a enfrentar o primo. —Ei, ou, qual foi cria, tô com doce aqui pra ti. —Kalicia da meia volta e vem sorrindo até nós dois, interesseira que só. —Agora tu me olha né? — Oi titio Grego. — se apoia nas coxas dele e manda beijinho, levo a mão até o rosto envergonhado dessa sem vergonha. — Deixa de ser sem vergonha, Kalicia. — Você tá me deveno o doce do dia passado tá tio. —Ih, tô é? — Tá sim, mas não tem nada nao não, eu te lembro viu? — Tô r**m demais cara, tô em dívida até contigo? Sorrio pra os dois. — Tá sim, cadê? — Você vai ficar braba se eu falar que trago amanhã? — Vou. —Vai ficar muito? — Muito quanto? —Bem muito. — Ele não consegui segurar o riso. — Então bora fazer assim, toda vez que eu esquecer eu te dou dois reais, aí tu guarda pra gente comprar no final de semana beleza? — Grego, não precisa.. — O que tu acha? — Ele me ignora completamente. —Vai comprar depois? — Vai. — Ótimo. Posso confiar em ti pra guardar ou dou pra a sua mãe? Kalicia olha pra mim — Da pra minha mamãe, ela guarda pra mim. — Beleza então. — Diz apalpando os bolsos, pega a carteira e dentre várias notas de cem ele encontra uma de dois perdida e me estende. —Pega por ela, não recusa meu presente pra a menina não. — Uma coisa é você dar o doce, grego, outra é dar dinheiro pra uma criança de três anos. —Tô só pedindo pra você guardar pra o final de semana, é pique uma garantia pra ela saber que vai ter o doce. Rolo os olhos. — Ela é criança, não vai lembrar. — Tua mãe quer te enrolar aqui ó Kalicia. — Mamãe!! — repreende. — Vai brincar vai Kalicia. Ela esquece do doce em segundos, quando a vejo desaparecer pra dentro de casa estendo o dinheiro de volta pra ele. — Qual foi, não é pra tu não é pra a menina. —Obrigada mas ela tem mãe e eu posso comprar a trufa pra ela. Ele fecha a cara legal, se levanta e não faz questão de pegar o dinheiro. —Em nenhum momento falei que não podia, faz favor e guarda pra comprar o doce da menina final de semana, em meu nome, tu não precisa fazer caso por causa disso. Ele diz e simplesmente me deixa sozinha, não procuro mais assunto e fica por isso mesmo. Não queria Kalicia apegada a ele, ela m*l o conhece, nem sabemos quanto tempo vamos passar aqui e eu sei como criança se apega rápido em pessoas que chegam assim como ele, a falta do Juan na vida da Kalicia fica maior a cada dia, ele pode ter sido um péssimo marido mas era um bom pai pra ela. — Se já percebeu esse desejo em meu olhar, vou ser mais sincero e pra você me declarar, sonho em ter você deixa eu te amar. Sou seu confidente, não vai ser pecado seu melhor amigo virar namorado, pode ser estranho, mas vai perceber, o quanto eu gosto de você — Mari canta enquanto andavamos até o quintal e me olha de canto, finjo não entender essa sua jogada pra cima de mim a essas horas. Nós aproximamos do outro pessoal, um pagode gostosinho deixava as caixas de sons enquanto Deco conduzia a churrasqueira. — Tu eu não conheço não, amiga nova da Mari? — Viro a cabeça quando ouço uma voz masculina, me deparo com um moreno dos lábios cheios com um sorriso — Menor, satisfação. — Kali. — Ah! Tu é a irmã do Deco, parceiro falou de ti. — Falou foi?— espio por cima do seu ombro, Deco parece ausente da nossa conversa. — Arran, cê tá passando uma temporada por aqui né? — Sim, já você é daqui né? — Isso aí. — confirma né analisando — Bom, precisar de qualquer coisa tu da um toque firmeza? Bom te conhecer. Aceno quando ele se afasta, volto minha atenção as pessoas a minha volta e procuro por Mari mas ela está conversando com algumas amigas. Me sinto tão deslocada aqui, não conheço ninguém, só Mari e o Deco e os dois estão ocupados dando atenção aos seus amigos. Sinto alguém se aproximar de mim, viro um pouco o rosto e me deparo com grego, ele tem um pratinho com carne em mãos e duas long neck, me estende uma e diz; — Tu bebê né? Concordo com a cabeça e agradeço pela bebida. — Come um pouco aí, se tu for esperar Deco oferecer vai ficar com fome. Sua gentileza me deixa mais a vontade, ele me estende o pratinho e eu pego um pedaço só por pegar. — Tu não conhece ninguém ainda né? — Tô conhecendo aos poucos, essas semanas que passou eu só conversei com o Deco e a Mari. — Pessoal é tranquilo, maioria de confiança tá ligado? Deco não teria trazido aqui se não fosse. — imagino, não é qualquer um que frequenta casa de frente. — Imagino. — Tu vai se acustumar. Bora lá? — Bora lá a onde? — olho pra ele confusa. — Conhece os caras, bora, ficar aí sozinha nada, deixa de marola e bora. — Ele saí andando, fico parada no lugar olhando pra ele, quando percebe que eu não tô o seguindo volta e respira fundo. — Qual foi morena, faz o fácil vai, tu quer ficar na tua aí? — Vou fala o que com esses caras, Grego? Conheço ninguém nem tenho conversa em comum. — Tu vai se apresentar filha, é educação e eu sei que tu tem. Ele me convence, fico morrendo de vergonha em chegar no meio do pessoal, Deco é o primeiro a notar a minha aproximação e divide o olhar entre Grego e eu. — Pô Deco, geral em casa e tu nem apresenta sua irmã aos chegados? — Tem o que ninguém saber não, área proibida e geral já sabe disso, tu especialmente. Fico branquinha, branquinha. Os dois trocam olharem, tento decifrar o que Deco transmitia mas ele logo desvia o olhar. — Só quis ser educada, Deco, além do mais eles vão passar a me ver aqui com frequência..— Murmuro constrangida com aqueles olhares sob mim. — Bom, como vocês ouviram, Área proibida mais conhecida como Kalicia. — Grego apresenta com bom humor. — Satisfação ai morena, Lobão. — Se apresenta com um leve sorriso. — Te vi mais cedo, tava interessado em saber de quem se tratava. — Irmã proibida, tu ouviu. — Menor brinca, Deco bate no seu ombro em forma de aviso e Menor segura a risada e se cala. — Veio pra ficar, morena? — Temporariamente. — Tu disse que a gente vai te ver com frequência. — Não muito grande, bom.. — deixo no ar — Até lá vamos nos ver bastante. — Vai se acustumar com a cara da mina porque é enjoada que nem o irmão. — Grego brinca, olho pra ele que da risada e me olha de lado. — Ô maravilha, se for que nem a Mari vai ser tudo de bom. Gargalham entre si em uma piada interna. Quando sou apresentada, não tenho muito o que conversar com o pessoal, não tínhamos muitos assuntos em comum. Grego ora ou outra fala comigo, me explica alguns assuntos e eu consigo me sentir mais a vontade. Alguns minutos mais tarde avisto uma mulher aparecer no churrasco, é impossível não notar a sua chegada quando ela entra no cômodo falando alto, viro o rosto na sua direção e a vejo acenando pra alguns e pra outros. É bonita, morena dos cabelos longos, porta jóias nítidas e pesadas no pescoço e pulsos. — Ih, lobão, deu r**m! — Terror gargalha alto, olho dele e pra os outros e percebo mais uma conversa interna entre eles, Grego tenta esconder o sorriso dando um gole na bebida. — Casa caiu irmão, ela tá vindo na tua direção. — Deco gargalha junto, gastam legal a cara do cara que fica parado aguardando a mulher. Olho novamente pra a mulher e dessa vez ela tem seus olhos cravados em mim, é nítido a carranca direcionada na minha direção. — Ué gente, não tô captando o que..— perco a voz quando ela agarra a cabeça do Lobão e mete um beijo nele de graça ali na frente de todos. — Nossa, boa tarde né garota? Que isso..— Terror balança a cabeça, horrorizada olho pra o Grego que aquela altura parecia atento ao celular. — Quem mandou você vir sem mim? — Ela rosna agarrando seus cabelos. — Amor, menos, faz favor. — Ele tira sua mão do seus cabelos — Você tava dormindo. — Me acordasse. — Não, quando tu acordasse iria vir, deixa de neurose logo cedo em c*****o. Barbara se vira pra mim, disposta a ignorar o outro. — Você eu não conheço. — Kaliana. Irmã do Deco. — Barbara Santos. Irmã — aponta pra o Grego e pra o Lobão, franzo o cenho na mesma hora quando ela se nomeia irmã do cara que acabou de beijar. Ela não faz questão de explicar e eu não faço questão de saber do incesto família, ela é esquisita e eu quero é distância isso sim. Ela não demora ali, arrasta Lobão com ela pra longe e logo a mulher de Terror chama por ele, deixando Deco, grego e eu a sós. Grego se afasta com o celular no ouvido, diz que já volta e me deixa a sós com Deco. — Vocês tão bem próximos não é? — Um dos poucos que foi gentil comigo. — Por que será né? — Por que? Me diz você? — Não sai da linha, Kaliana, não faz eu me arrepender.. Engulo em seco com a ameaça. — Não vejo maldade alguma no cara, para com essas coisas, você não consegue ver um homem conversar com uma mulher sem segundas intenções? Ele se aproxima de mim. — Eu conheci o Grego, convivo com esse cara a nós, já passei o papo pra ti e ja passei o papo pra ele mas faço questão de reforçar, vê se anda na linha. Balanço a cabeça com o tom usado, não é de hoje essa desconfiança em cima de mim e não vai ser hoje que vai acabar. (•••)
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