Ayla
Assim que desembarcamos no aeroporto do Canadá, pegamos um táxi e fomos para um hotel, alugamos um quarto com duas camas, pegamos a chave com a recepcionista e seguimos para o segundo andar, assim que entramos Tomás se jogou na cama.
— Ai meu Deus, eu estou tão cansado. — Ele diz com os olhos cheio de lágrimas e eu acabo sorrindo por isso
_ Não seja tão dramático, Tomás. Eu também estou cansada, mas não estou morrendo. — Falo sentando na cama enquanto tiro meus saltos
— Nossa, você é chata em Ayla. Eu aqui sofrendo e você diz isso na minha cara? — Ele se finge estar chateado
— Oxi, o que foi? Eu só falei verdades, oras... vou tomar banho e pedir algo para comer depois. — Falo pegando um conjunto na minha mala que estava no canto do quarto, pois só irei arrumar amanhã pela manhã, vou para o banheiro, tirei minha roupa e entro debaixo do chuveiro de cabeça e tudo e deixo meus pensamentos fluírem. Será que Vincenzo vai se importar por eu ter viajado? Será que ele gostaria de ter essa criança que eu estou esperando? Como seria se nós dois estivéssemos juntos com uma família agora? Mais que droga Ayla, por que você tem que sofrer tanto? — Falo pra mim mesmo e, sem nem perceber, já estava chorando. Depois de alguns minutos no banheiro, me recomponho e termino meu banho, me seco e visto a roupa que levei e volto para o quarto e vejo Tomás dormindo da mesma forma que estava deitado, ando até ele e o chamo.
— Tomás, acorda, Tomás, você precisa tomar banho. — Digo balançando-o de um lado para o outro
— Humm, o que foi? — ele fala ainda de olho fechados
—Vá tomar banho para jantarmos alguma coisa antes de você dormir
— Tudo bem. – Ele levanta da cama praticamente se arrastando e vai para o banheiro. Eu aproveito e me sento na cama que vou dormir e peço nosso jantar e, enquanto espero, tento ligar para Daniele, mas não consigo.
— Droga.— reclamo irritada
— O que foi, Ayla?— Tomás vem só de toalha na cintura e vai para a mala dele onde abre e pega um conjunto de moletom.
— Eu não consigo falar com a Dany.
— E não vai mesmo, ô inteligente. Você já fez o teste para saber se o seu celular pega aqui?
— Não, como é que faz?
— Espera aí que te mostro. — Ele termina de se vestir e se senta ao meu lado e começa a falar o que tenho que fazer. Eu faço conforme ele vai me dizendo, mas infelizmente, o meu celular não é compatível e o dele também não, agora está bonito— penso
— E agora? Como vou falar com a Dany?
— Amanhã compraremos novos chips
— Tudo bem. — Escutamos batidas na porta e quando abro, me deparo com um funcionário do hotel com um carrinho cheio de comida. Eu agradeço e ele vai embora e começamos a comer, e logo depois ficamos conversando um pouco sobre como será dali pra frente e depois cada um se deitou nas suas respectivas camas e dormimos.
(...)
No outro dia logo cedo, eu me levanto da cama com uma vontade louca de ir vomitar, chegando lá me ajoelho no chão e me curvo no vaso e coloco tudo que comi noite passada para fora.
— Nossa, eu odeio vomitar.— falo quando termino. Levanto e lavo minha boca e aproveito para fazer minha higiene pessoal, depois volto para o quarto e vejo Tomás acordado também sentado na cama.
— Bom dia, Tom
— Bom dia, baixinha.— ele fala com a voz um pouco rouca por ter acabado de acordar.
— Enquanto você se troca eu vou pedir o café da manhã.
— Tudo bem, faça isso.— ele fala e levanta da cama pega a roupa que vai usar e vai para o banheiro, faz sua higiene pessoal e depois sai já arrumado. — Ué, cadê o café da manhã?
— Achei melhor sairmos e tomarmos na rua, já que vamos ter que sair para começar a nos estabelecer aqui.— digo pegando minha bolsa com meus documentos e ele faz o mesmo com a carteira e saímos do quarto de hotel, pedimos algumas informações e nos mostraram uma cafetaria que era a melhor da cidade, chegamos lá fizemos nosso pedido e enquanto comemos começamos a preparar o primeiro passo do que íamos fazer.
— Então no que você pensou, baixinha?
— Em alugar uma casa, não gosto muito de morar em hotéis
— Eu vou discordar com você em uma coisa.
— No que?
— Acho melhor a gente comprar uma casa do que ficar no hotel.
— Será? Não temos muito dinheiro para isso.
— Se estamos aqui, podemos nos juntar e comprarmos nós dois, pois se morarmos em uma casa, vamos ter mais liberdade de conseguir nos estabelecer e alugar um lugar para darmos início a loja, e se possível eu posso arrumar um emprego também por fora. — Ele fala tranquilamente enquanto dá um gole no seu café expresso
— Você tem certeza disso? É que eu chamei você para cá, mas não quero o seu dinheiro Tomás, eu ...— Sou interrompida por sua linda risada
— Ei, para de pensar nisso. Eu te conheço a muito tempo Ayla, eu sei quem você é. Jamais iria pensar algo assim sobre você. — Ele segura em uma das minhas mãos por cima da mesa. — Eu vim com você porque quero te ajudar, é isso que amigo fazem, não é?
— É sim.
— Então relaxe e vamos fazer acontecer.
— Obrigada por tudo mesmo. Não sei o que seria de mim sem você. — Falo e ele sorri e depois que terminamos nosso café da manhã, aproveitamos que o lugar estava calmo e aconchegante e começamos a fazer nossas anotações, de quanto cada um tinha de dinheiro e quanto gostaríamos para comprar uma casa, alugar um espaço para a loja e nos manter um mês livre.
— Aqui, o nosso dinheiro junto deu 5 bilhões
— Tiramos 1.000 dólares para comprar a casa e alugar a loja, 400 dólares para as compras, 700 dólares para comprar um carro para melhor nos locomovermos, 20 dólares para novos chips e 3.000 dólares para as primeiras comprar do produto da loja e o resto que sobrar vai ser para eu fazer o acompanhamento da gravidez e nos mantermos até conseguirmos nos manter com a loja. Vou entrar em contato com as parcerias que eu fiz lá em São Paulo e mesmo que seja um pouco trabalhoso, nós vamos conseguir meu amigo.
— Não tenho dúvidas de que estou do lado de uma mulher muito forte, e sei que é capaz de ir muito além do que ela acha que pode.
— Obrigado pela confiança. Você não sabe o quanto isso é importante para mim. — Falo e depois de pagarmos, saímos da cafetaria e fomos comprar o chip para entramos em contato com Daniele que, com certeza, ela estará muito preocupada com a gente. Depois que compramos, passamos em uma loja e compramos dois notebooks também, pois precisaríamos para trabalhar, e voltamos para o hotel, ao chegar em nosso quarto nos sentamos cada um em sua cama e fizemos o cadastro do Chip e começamos a entrar em contato com nossas família e amigos.
— Alô— Escuto a voz de Dany e acabo sorrindo
— Dany, sou eu, Ayla
— Ah meu Deus, garota. Você quase me mata de tanta preocupação.... Amor a Ayla está ligando— Escuto ela falando com Carlos e sorrio mais uma vez. — Como você está? Chegou bem? Por que não ligou antes? De quem é esse número? — ela me enche de perguntas
— Calma amiga, eu cheguei ontem e muito bem. Não liguei antes porque o meu número não funciona aqui, aí tive que esperar para comprar um novo hoje, esse número é meu, é o que vou ficar usando
— Tudo bem, vou salvar aqui. Onde você está morando?
— Estou em um hotel, por enquanto. Mas hoje mesmo vou comprar uma casa com o Tom e dar início na loja.
— Tá bom, boa sorte para vocês dois, e se precisar de alguma coisa, pode me falar que eu e o Carlos vamos dar um jeito de ajudarmos vocês.
— Tá bom, pode deixar eu falo sim, mas creio que está tudo sobre controle.
— Tudo bem, mas mesmo assim, eu fico muito feliz por saber que ele está disposto a te ajudar. E você voltou a chamar ele por apelido
— O que você está querendo insinuar com isso?
— Nada não, é só bobagem que passou pela minha cabeça
— O que? Pode dizer? Se não vou ficar pensando e você sabe que não posso ficar assim por causa do bebê
— Nossa tinha esquecido disso. É só que até onde eu sei, o Tomás está solteiro, você também está, vocês dois já tiveram algo juntos no passado e talvez possam reatar agora.
— Não seria uma má ideia, pelo menos eu conheço muito bem o Tomás, se comparado a certas pessoas. — Falo olhando para o meu amigo
— Entendo o que você quer dizer. Mas o Vincenzo esteve aqui te procurando e quando soube que você viajou, ficou bastante arrasado e pediu para você dar uma olhada na sua caixa de email, pois ele mandou algo para você que vai deixar tudo esclarecido do que aconteceu entre vocês dois.
— Escuta Dany, nós somos amigas e eu sei que você só quer o meu bem, mas vou te pedir uma coisa, por favor, quando a gente conversar não toque no nome dele. Eu vim para tão longe para me livrar desse sentimento que me magoou muito e também não faço questão nenhuma de ouvir mais mentiras dele, e pode ficar tranquila eu e o Tomás não vamos ter nada, essa fase já passou, éramos só amigos com benefícios, e também estou esperando um filho agora que depende de mim por inteiro.
— Tudo bem amiga, me desculpe, só achei que você devia saber disso
_ Tá bom obrigada, mas agora vou ter que desligar, pois tenho muita coisa para fazer aqui
— Tá bom, vai lá, se cuida, beijos
— Outro. — Desligo a chamada e respiro fundo, vou para a cama de Tomás e juntos começamos a procurar uma casa que nós dois gostássemos. Eu, definitivamente, não quero saber nada sobre o Vincenzo, o que eu sentia e sinto por ele morreu.