Capítulo 04

1444 Words
>> Alina Travers >> É apenas uma festa. Apenas uma festa. Era isso o que eu repetia-me desde que me permiti entrar nesse bendito carro. Minhas mãos estavam trêmulas e minha cabeça parecia que iria congelar a qualquer momento. A quem eu estava querendo enganar? Essa não era como as "festas" que eu era acostumada a frequentar e eu, com certeza, não me encaixava nesse tipo de evento. Eu engoli em seco quando o meu chefe estacionou o seu carro na frente de uma mansão. Não demorou nada para que o Senhor Bollene descesse do carro e desse a volta pelo mesmo, abrindo a porta e me mostrando assim um lado seu que eu nem sabia que existia. O Cavalheiro. Com a sua ajuda, eu desci do seu carro um pouco alto sem nenhuma dificuldade e, enquanto ele fechava o seu automóvel, eu apreciava toda a beleza deslumbrante da mansão. Acho que nem em outras vidas eu terei uma outra chance para visitar um lugar como esses. A sensação que eu tive quando começamos a caminhar em direção a porta do evento foi que eu estava prestes a entrar em uma cova cheia de leões. Minha pernas estavam um pouco trêmulas, a minha postura estava reta demais e o meu corpo estava um pouco endurecido. Apollo me levou em direção ao enorme salão, que tinha a decoração toda branca e pequenos detalhes em dourado. Os olhares de todos vieram em nossa direção, ou melhor, na minha direção. Olhares curiosos, olhares julgadores e principalmente, o olhar insatisfeita e, talvez, até enraivado de uma certa loira que se aproximou de nós assim que nos aproximamos da mesa. — Apollo, mi hijo, posso conversar com você durante um minutinho? — Ela se direcionou ao meu chefe, ignorando completamente a minha presença. Eu nunca tinha tido a chance de vê-la pessoalmente, mas reconheceria a voz de Margareth a quilômetros de distância.. Ela tocou no braço do seu filho de forma delicada, enquanto olhava para ele como se estivesse tentando impedir que ele cometesse alguma loucura. — Mi madre, deixe que eu te apresente… — Ele abriu um sorriso ousado, um pouco conspiratório, ao mesmo tempo em que colocava uma das suas mãos nas minhas costas — Essa Alina… a minha assistente. Ele concluiu, fazendo com que a mais velha arregalasse os olhos na mesma hora e finalmente olhasse para mim, sentir as minhas bochechas queimarem quando ela me analisou de cima a baixo. — ¿Tu asistente? — Perguntou incrédula como se implorasse que o filho estivesse brincando e com um tom nítido de desdém em sua voz. — É um prazer finalmente conhecê-la, senhora Bollene! — Eu disse com um sorriso enquanto estendia a minha mão para que a mesma cumprimentasse, mas tudo o que ela fez foi encarar a minhas por alguns segundos e voltar a sua atenção para o filho. — ¿Puedo hablar contigo? ¡A solas! — Ela o convocou, fazendo com que eu olhasse para ele por alguns segundos sem entender o que ela tinha acabado de falar — Me temo que no puedo dejar sola a Alina, mi madre. — Ele respondeu, fazendo com que eu me sentisse ainda mais perdida do que lá estava. Lê em espanhol era fácil, mas ouvir duas pessoas pronunciando as palavras tão rapidamente era quase impossível de decifrar. — Estoy seguro de que ella puede cuidar de sí misma por unos segundos. — Ela argumentou como se estivesse certa do seu argumento e olhou para mim com uma expressão de superioridade — Não estou certa, Melinda? Eu estava prestes a corrigi-la, mas só pelo fato dela me olhar como se eu fosse um ser vindo de outro planeta, eu percebi que não valia o meu esforço. Assenti com a cabeça, fazendo com que Apollo olhasse para o meu rosto por alguns segundos antes de respirar fundo e seguir a sua mãe, que o levava para o outro lado do salão. Eu fiquei um tempinho parada no mesmo lugar em que ele me deixou, cumprimentando com um sorriso a todas as pessoas que passavam por mim. [...] >> Apollo Bollene >> — O que você pensa que está fazendo? — Minha mãe reclamou irritada, fazendo com que eu respirasse fundo e pegasse uma taça de champanhe da bandeja do garçom que nesse momento passava perto da gente. — Tomando uma atitude em relação aos assuntos pendentes que ficaram após o término do meu noivado, assim como a senhora pediu — Falei em um tom calmo, bebericando um gole da minha bebida enquanto passava o olhar pelo salão, encontrando a ruiva conversando com o meu irmão. — E você acha que trazendo uma acompanhante contigo vai te ajudar a reconquistar a Charlotte? — Ela perguntou em um tom de ironia e eu abri um sorriso perveso. — Eu não tenho a intenção de reconquistar a senhorita Thompson — Eu disse em um tom árduo, sério o suficiente para que ela percebesse que não tem espaço para discussão. — Você sabe o que está perdendo, não sabe? Essa é a nossa chance de levar a empresa ainda mais longe, mi Hijo… — Minha mãe continuou com os seus sermões, mas foi a imagem da Alina conversando com aquele homem que chamou toda a minha atenção. Sem que eu me desse conta, meus pés estavam se movendo em direção a ela. Minha mãe me chamou algumas vezes, mas eu não me dei ao trabalho de me virar, continuei caminhando em direção a Alina, que parou de sorrir no momento em que percebeu que eu estava bem próximo a ela. — Brendan, eu tenho quase certeza que o senhor Thompson está te chamando lá fora… — Informei ao mesmo que franziu um pouco a testa e olhou para os lados. — Vou ver o que meu tio deseja… Foi um prazer te conhecer, Alina! — Ele pega a mão pela e deposita um beijo, fazendo com que eu coce a garganta e afrouxe um pouco a gravata. Ele sorriu para ele e o mesmo me cumprimentou com um gesto de cabeça antes de partir. — Parece que está se divertindo… Ela olhou para mim por alguns segundos e abriu um meio sorriso sem mostrar os dentes. — Imagina, ele só estava a ser educado — Não pensaria igual se o conhecesse um pouco melhor. — Eu comentei enquanto observava todo o local. Meu olhar pousou sobre uma mulher n***a, de cabelo castanho escuro e um sorriso avantajado enquanto caminhava em minha direção. — Apollo, que surpresa maravilhosa… — Charlotte veio até mim com os braços um pouco abertos, ela envolveu o meu pescoço em um abraço enquanto um dos meus braços envia uma parte da sua cintura. — Sempre bom te ver, Charlotte! — Fui educado, fazendo com que ela se afastasse de mim e passasse a mão no meu paletó, como se quisesse desamassar algo que não existia. — Olhe para você, parece que fica mais bonito a cada vez que eu te vejo — Ela fala em um tom simpático e meu olhar vagou um pouco pela Alina que parecia um pouco deslocada. Charlotte observou todo o salão com um sorriso antes de se virar para mim novamente — Em pensar que ano passado a gente já estava organizando tudo para o nosso… — Essa é Alina Travers, minha acompanhante. — Eu apresentei a Alina que colocou um sorriso meigo no rosto, fazendo com que Charlotte interrompesse sua fala e finalmente notasse a sua presença. — É um prazer… — Alina estende a mão para que Charlotte possa fazer um cumprimento com ela e eu observo a morena colocar no rosto um sorriso nitidamente falso. — O prazer é todo meu, querida. Meu nome é Charlotte Thompson e aquele aqui — Ela se vira para um grupo de rapazes postulados e elegantes conversando animadamente — É o meu noivo, James. Ela completou fazendo com que a minha atenção se dirigisse automaticamente para o meu ex colega da faculdade, que fez um gesto de cabeça e eu o retribui com a mesma ação. O fato da minha secretária está calada fez com que eu olhasse para ela com o cenho franzido, vendo que a mesma estava paralisada, encarando o grupo de rapazes com uma expressão mais pálida que o normal. — Alina? — Eu a chamei, fazendo com que ela saísse do seu transe e olhasse para mim assustada por alguns segundos. Eu estava prestes a abrir a pergunta o motivo da sua reação, mas ela foi muito mais rápida do que eu. — Eu… eu… — Ela parecia perdida nas próprias palavras — Fico feliz por finalmente conhecê-los.
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