Capítulo 02

1478 Words
>> Apollo Bollene >> E, mais uma vez, eu estava cumprindo a minha rotina… Já fui uma pessoa desregulada e fora da linha, já fiz o que eu bem entendesse, a hora que eu bem quisesse… mas isso foi a muito tempo atrás. Alguns acontecimentos do meu passado me fizeram perceber que esse tipo de vivência não me levaria a nada, que eu tenho que focar naquilo que importa de verdade, e isso é fazer com que a minha empresa continue sendo uma das que mais crescem no mundo. O dinheiro que eu tenho é uma consequência vinda dessa escolha de vida e as mulheres com quem me deito são meras diversões em meio a vida monótona que levo. Nada a mais que isso. Eu respirei fundo quando a porta do elevador abriu e a primeira coisa que eu vi foi a área da minha assistente completamente vazia, quando na verdade a ruiva que foi contratada a alguns dias deveria estar sentada nela. Alina Travers e a sua língua solta têm tornado os meus dias ainda mais agitados do que o de costume e embora ela estivesse se saindo muito bem em todo o resto, confesso que estava preparado para que ela começasse a vacilar a qualquer momento. O meu trabalho só aumenta a cada dia e eu não dava conta de tudo sozinho, por mais que eu quisesse. Por esse motivo, eu precisava de uma secretária mais qualificada e não uma que… — Bom dia, senhor Bollene! — Alina Travers sai de debaixo da sua mesa, fazendo com que eu tomasse um pequeno susto e fechasse os olhos enquanto respirava fundo, pedindo ao universo uma dose a mais da paciência que normalmente me faltava. — Bom dia, Travers! Não falei mais nada, virei-me em direção a porta da minha sala e caminhei em direção a ela com passos largos. Me sentei no meu lugar e tirei o meu paletó como sempre fazia assim que chegava no meu escritório. Desliguei o som do celular por causa da minha mãe que ligava a cada cinco minutos para saber o que eu faria em relação ao noivado da senhorita Thompson. Eu não posso negar que seja uma lástima para a empresa perder essa oportunidade maravilhosa, um casamento entre os Thompson's e os Bollene's iria nos trazer diversas vantagens, entre elas recuperar as ações compradas por eles. Mas não era um casamento de conveniência que a Charlotte queria e eu estava longe de ser um homem disposto a oferecer-lhe mais que isso. Afrouxei um pouco a minha gravata assim que a terceira reunião seguida do dia chegou ao fim. O dia de hoje estava mais estressante do que de costume e por causa de alguns imprevistos as reuniões pareciam não cessar nunca. Me encostei na cadeira confortável e giratória do meu escritório, enquanto assistia o meu acionista passar pela porta de vidro e caminhar em direção ao elevador, logo após dar um olhada nitidamente m*l intencionada na minha secretária. Meus pensamentos foram interrompidos assim que a imagem da Alina passando uma das mãos pelo seu cabelo - como se quisesse garantir que todos os fios estavam em seu devido lugar - apareceu do outro lado da porta de vidro. Ela respirou fundo, levantou o queixo, estufou o peito e bateu na porta. — Entre! — Ordenei, observando cada movimento que a ruiva fazia ao abrir a porta. — Com licença… — Ela disse com um sorriso simpático, abrindo a porta do meu escritório e passando o seu olhar por todo o cômodo, até me encontrar — O senhor tem uma reunião marcada daqui trintas minutos com o senhor Thompson e aqui estão os documentos que o senhor tinha pedido sobre o novo investimento realizado em Sevilha com os acionistas das empresas locais. Ela terminou de entrar na sala e caminhou em minha direção em passos lentos, elegantes e naturalmente sensuais. Quando Alina parou ao lado da minha mesa e se inclinou um pouco para frente — para colocar os documentos na mesa — a minha atenção foi tomada completamente pelas curvas da sua cintura e desceu para a lateral da sua b***a. — Essas fotos são para o novo comercial? — A voz da mesma me tirou dos meus devaneios. Cocei a garganta e afrouxei um pouco a gravata quando ela se virou para mim à procura de uma resposta. Levei um tempo para processar as palavras que saíram da sua boca e assistir com a cabeça — São… bonitas. Pelo tom incerto da sua voz, eu pude perceber que não era isso o que a minha secretária realmente queria falar. Mas deixei pra lá. Algumas batidas na porta me chamaram atenção, eu e a minha assistente nos viramos para ela na mesma hora. Através do vidro a figura do meu irmão vestido em seu terno cinza, sem gravata e com alguns botões de sua camisa aberta foi vista. E sem que eu precisasse mandar entrar, o homem com os cabelos loiros escuros e olhos azuis claros assim como eu entrou no meu escritório. — Eu ia pedir para a sua assistente avisar que eu viria, mas… — Ele parou falar assim que notou a presença da Alina ao lado da minha mesa, o olhar do meu irmão ganhou um brilho completamente novo assim que ele analisou a ruiva dos pés à cabeça. Revirei os olhos — Olá… A voz dele saiu arrastada, com uma certa animação desnecessária. David não era um homem galinha, mas sabia apreciar uma moça provida de beleza quando se "esbarrava" com uma. Eu olhei para a minha assistente que, por sua vez, apenas abriu um sorriso simpático para o meu irmão e permaneceu no mesmo lugar. — Alina, vá almoçar, não precisarei mais dos seus serviços por enquanto. — Ordenei para a mesma e ela assentiu com a cabeça e começou a caminhar em direção a porta, cumprimentando o meu irmão com um gesto de cabeça assim que passou por ele. — Essa é a sua nova secretária? — Ele perguntou com um sorriso visivelmente malicioso no rosto assim que Alina fechou a porta e caminhou em direção a sua mesa como sempre fazia, mas, neste momento, eu a xingava na minha cabeça por sempre rebolar desta maneira — Se eu soubesse que a sua nova vítima era tão bonita, eu teria vindo mais cedo. Será que ela dura o suficiente para que eu possa conhecê-la? Ele perguntou em um tom debochado, enquanto me olhava com um sorriso brincalhão e eu revirei os olhos. David é o filho do meio, ele poderia ser um dos homens com o cargo mais alto nesta empresa, mas, em vez disso, ele decidiu fazer um curso de marketing e trabalhar como qualquer outro funcionário do ramo. Por que, segundo ele, quanto mais alto for o seu cargo menos tempo você terá para curtir a vida. — O que veio fazer aqui? — Abrir um botão da minha camisa e encarei o meu irmão como se exigisse a verdade — Fala logo! Ele ficou um tempo olhando para mim, como se estivesse procurando palavras para alongar um pouco a conversa, mas quando percebeu que eu não estava brincando apenas bufou e assentiu com a cabeça. — Dona Margareth quer a sua presença na festa de noivado da Charlotte, na semana que vem. — O seu tom era de divertimento e eu não conseguir evitar a careta que surgiu em meu rosto — Eu disse a ela que você estaria ocupado demais com o trabalho, que você está amarrotado de reuniões já marcadas e todas as outras desculpas que você sempre dá, mas dessa vez ela insiste que você esteja presente. Meu irmão falou como se o assunto em questão fosse a cláusula de um dos inúmeros contratos que eu assinava e não podia fazer nada. Encostei a minha cabeça no encosto da cadeira e respirei fundo, no fundo eu sabia que eu não teria jeito, que além de ser bom para os meus negócios que eu aparecesse na festa da filha do meu sócio, mesmo depois de ter cancelado o meu noivado com ela, eu não teria como fugir da minha mãe dessa vez. — Estarei lá e ! — Afirmei, fazendo com que o meu irmão levantasse uma das suas sobrancelhas e abrisse um sorriso debochado nos lábios. — Apollo, sabe que tudo o que ela deseja é que você acerte as coisas com a senhorita Thompson. Não que faça nada que a irrite, hermano! — Ele súplica, fazendo com que meus olhos saísse da Alina que acabava de entrar no elevador e olhasse para ele. — E eu já disse que vou estar lá! — Eu afirmei, fazendo com que ele soltasse o ar que parecia ter prendido. Ele arregalou os olhos assim que as palavras saíram da minha boca, me encarando como se eu estivesse enlouquecido de vez.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD