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1469 Words
O RITUAL DA VINGANÇA Eros Capón permaneceu parado no corredor por alguns segundos depois de sair do quarto, a porta havia se fechado atrás dele com um clique suave, mas dentro da sua cabeça o som parecia ecoar como um disparo. Ele caminhou lentamente pelo corredor longo da mansão, os passos pesados sobre o mármore escuro. As paredes estavam adornadas com quadros antigos da família Capón, homens de rosto duro e mulheres com olhares altivos. Gerações que haviam construído aquele império à base de sangue. Eros passou por eles sem olhar, mas sabia exatamente o que cada rosto representava. Honra, poder, e agora vingança. Ele parou diante de uma das janelas altas que davam para o pátio interno da mansão. Lá fora, a noite começava a cair sobre a propriedade espanhola, tingindo o céu de um azul profundo. A cerimônia aconteceria em poucas horas, tudo estava pronto, tudo havia sido planejado, durante anos ele imaginou aquele momento, não mo casamento em si, mas o fato de que isso destruiria Carlos, sua filha sendo designado ao monstro, o conhecido como coração c***l. O momento em que Carlos Dante seria obrigado a assistir sua própria filha se tornar propriedade do homem que ele tentou destruir. Era justiça a maneira dele, era equilíbrio, era o preço, mas agora… Eros fechou os olhos por um segundo,a imagem dela diante do espelho voltava com insistência. O vestido, os olhos, a fragilidade escondida sob aquela coragem teimosa, aquilo o incomodava. Não deveria, ela era apenas uma peça no jogo, a filha do homem que matou sua mãe, a menina cuja família arrancou sua infância e deixou em seu rosto aquela cicatriz permanente. E ainda assim… Eros passou a mão pelo rosto. — Isso precisa acabar logo. — murmurou para si mesmo. Porque quanto mais tempo Olivia Dante respirasse dentro daquela casa, mais perigoso aquilo se tornava. Ele precisava afastá-la, mais, muito mais, ele precisava feri-la ainda mais. Enquanto isso, no quarto de Olivia, o clima era completamente diferente, a preparação continuava, mas não parecia uma preparação de noiva, parecia um ritual. As costureiras haviam terminado os últimos ajustes no vestido e agora outras mulheres haviam entrado no quarto, especialistas trazidas por Domingo Capón. Cabeleireiras, maquiadoras, assistentes, todas se moviam em silêncio respeitoso, como se estivessem preparando uma rainha… ou uma oferenda. Velas perfumadas foram acesas no quarto. O cheiro doce de flores misturava-se ao perfume pesado de incenso espanhol que alguém havia acendido discretamente. Os cabelos de Olivia foram cuidadosamente penteados e presos em um arranjo delicado que deixava algumas mechas caírem suavemente sobre os ombros. A maquiagem era leve, elegante, destacava seus olhos incomuns, um verde profundo. um azul claro. Ela parecia etérea.Linda demais para aquele lugar. Mas seus olhos estavam vazios. Olivia estava sentada na cadeira diante do espelho quando a porta se abriu novamente. Dessa vez não eram costureiras. Era Santiago, ele entrou silenciosamente. As mulheres imediatamente se afastaram, dando espaço para o homem que era conhecido como o braço direito de Eros Capón. Santiago encostou no batente da porta por alguns segundos. Observando. Ele já havia visto Olivia antes, mas não assim, vestida de noiva. A garota parecia… irreal. Pele clara, cabelos brilhantes como sol, olhos diferentes que pareciam carregar uma tristeza antiga demais para alguém tão jovem. Santiago respirou fundo lentamente,.ele conhecia Eros desde a tenra infância, sabia exatamente o que seu amigo era capaz de fazer. Sabia exatamente o quanto aquele casamento significava para ele, era vingança, era justiça, era uma sentença. E ainda assim… Ele não conseguia deixar de pensar em uma coisa. Carlos Dante havia condenado algo… perfeito demais. — Está pronta? — perguntou finalmente. Olivia soltou uma pequena risada amarga. — Para o meu fim? — disse — Nunca. Santiago permaneceu imóvel. — Seu pai causou isso. Olivia levantou os olhos para ele, agora ela realmente o observava, Santiago era impressionante, cabelos escuros raspados nas laterais, um pouco mais longos no topo, barba por fazer, rosto austero, olhar frio que denunciava anos vivendo naquele mundo. Ele era alto. Quase tão alto quanto Eros, mais largo, mais musculoso, mas também diferente. Onde Eros era tempestade… Santiago era pedra. Leal, perigoso, letal. — Você estava lá? — perguntou Olivia. — No ataque? — ele respondeu. Ela assentiu. — Eu estava. O silêncio pesou no quarto. — Meu pai matou a mãe dele.— Olivia disse baixinho. — Sim. — E a irmã dele? — Sim. Os olhos dela se encheram lentamente de lágrimas. — Eu não fiz nada. Santiago apertou a mandíbula. — Seu sangue te condenou. Ela ficou olhando para ele, então as lágrimas finalmente começaram a cair. Silenciosas, e aquilo desmontou algo dentro dele. Droga. A garota ficava ainda mais bonita chorando. Como era possível? — Vai borrar a maquiagem — disse ele com a voz mais dura do que pretendia — Eros não quer você feia. Ele disse aquilo mesmo sabendo que era impossível aquela garota ficar feia, Olivia riu entre lágrimas. — Ele vai me quebrar. Santiago franziu a testa. — O quê? — Eu sou virgem — ela disse, a voz tremendo, descontrolada, tomada pelo pânico — eu nunca beijei ninguém. E agora ele vai me tomar, como se eu fosse nada. O silêncio caiu pesado, Santiago piscou. Uma vez. Duas. Ele realmente não estava esperando aquilo. Como diabos… Como uma criatura daquela beleza nunca havia beijado ninguém? — E agora — Olivia continuou — eu vou ter que… dormir com ele. A frase morreu em sua garganta. — Por que ele não me mata logo? Santiago ficou sem palavras, aquilo não fazia parte do plano, ele sempre imaginou Olivia Dante como mais uma peça do jogo. Mas ali… Ali estava uma garota aterrorizada. — São os acontecimentos do casamento — ele disse finalmente. — Não quero. — Não tem escolha. — Me deixa ir… Santiago respirou fundo. — Não posso. Ele cruzou os braços. — Eu estava lá naquele dia — disse novamente — eu vi o que seu pai fez. Uma criança morreu. Olivia fechou os olhos. — Quase cegou Eros. — Eu sei. — Ele merece justiça. — Mas eu não. O silêncio voltou. — Seu sangue te condenou — Santiago repetiu. Ele sabia que aquelas palavras eram cruéis. Mas também eram verdade, Santiago se manteve firme, lorque uma parte dele sabia que se cedesse…Se deixasse aquela garota implorar mais um minuto… Ele poderia fazer algo e******o. Algo que colocaria tudo em risco. E ele jamais trairia Eros. Jamais. Mesmo que aquilo significasse assistir a destruição de alguém que claramente não merecia aquilo. — Contenha-se — disse finalmente, a voz voltando a ser fria. Ele estendeu a mão em direção à porta. — Vamos. Olivia ficou parada por um segundo, respirando fundo, sabendo que cada passo que daria a partir daquele momento a levaria mais perto do altar. Mais perto do homem que havia prometido destruir sua família, mais perto do destino que ela nunca escolheu, mas não havia mais para onde correr, então ela se levantou. E caminhou. — Eu me chamo Olivia. — ela diz durante o caminho, Santiago a olha. — Eu sei. — Só queria me apresentar como uma pessoa comum, antes de morrer por.algo que não fiz. — A vida não é justa, menina, vai aprender da pior maneira. — Minha mãe quem escolheu meu nome. Ela me chamava de azeitona, dizia que era o significado do meu nome, que ela não sabia quando colocou, mas que achou legal, e me chamava de azeitona. Ouvia chorava caminhando apertando o braço de Santiago com tanta força, que suas unhas grandes dobraram levemente. — Ela morreu quando eu tinha dez anos. Ela continuava a falar, Santiago se mantinha quieto, ela estava em pânico, era o modo dela estravazar. — Meu pai e eu ficamos mais unidos, eu nunca desconfiei que ele lidava com negócios ilegais. Eu amo meu pai. — E olha onde esse amor te colocou. — Santiago não resiste. — Eu o amo independente de tudo. Só não queria ter deixado tantas oportunidades passar. Eu era apaixonada por um garoto da escola, e ele por mim, eu o recusei, por achar que era cedo demais. Eu deveria ter beijado ele. — Agora é passado, esqueça isso. — Vou morrer e aquele homem sera o unico a me tocar. — Olivia para, olha para Santiago — Por favor… me beija. Ela diz, Santiago que nunca na vida foi surpreendido por algo, agora se vê sem fala. — Não quero que ele seja meu primeiro beijo. Me beija. Santiago olha imediatamente para os labios dela, é involuntário, mas acontece. Seu corações dispara como nunca antes. — Me beija. — Se quer ver os labios dele ser arrancado. Vai em frente, pequeña de ojos bonitos. Eros surge de uma porta, imponente e ainda mais sombrio que o normal.
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