RAIVA
Os dois viraram ao mesmo tempo.
Eros Capón estava parado no final do corredor.
Imponente, sombrio, o olho azul parecia chamas congeladas. O olho branco morto brilhava sob a luz das velas.
Ele estava ouvindo. Há quanto tempo Ninguém sabia. Mas o que era evidente…
Era o ódio.
Um ódio tão denso que parecia tornar o ar mais pesado. Santiago imediatamente soltou o braço de Olivia.
— Eros.
Mas Eros não estava olhando para ele.
Estava olhando para ela. Para Olivia.
E dentro do peito dele algo estava se rasgando.
Ele tinha ouvido tudo. Cada palavra.Cada pedido. E a ideia de Olivia beijando outro homem…
Logo Santiago, seu irmão de coração, seu melhor amigo, algo dentro dele simplesmente…
Explodiu.
Porque ele podia destruí-la, humilhá-la, quebrá-la, mas ninguém mais tinha esse direito. De tocar nela.
Ninguém.
— Você pediu para ele te beijar.
A voz saiu baixa perigosamente baixa, Olivia engoliu seco, mas não desviou o olhar.
— Sim.
O erro foi responder. Santiago já percebeu.
— Eros…
— Cala a boca c*****o. Menina maldita, pediu para ele te beijar.
— Pedi, ouviu. Não vou repetir.
Ela diz com o queixo trêmulo erguido, ela desafiada Eros como se não soubesse o demônio que ele é.
Quantos ja matou por menos, ela o desafia como ninguém nunca fez, alias ninguém é sequer capaz de encará-lo. O que dirá desmaiar o monstro.
Eros já estava andando, lssos lentos.
Pesados, cada passo ecoando no corredor, quando chegou perto o suficiente, ele segurou o rosto de Olivia com uma mão.
Forte, firme, possessivo, ela m*l teve tempo de reagir. Quando a boca dele encontrou a dela.
O beijo foi brutal.
Não havia carinho, não havia delicadeza. Era raiva, era possessão, era fúria, era como se ele estivesse marcando território.
Provando algo, para ela, para Santiago, para si mesmo. Olivia congelou, o coração disparando mente vazia, o gosto dele era forte, quente, dominante, e algo estranho atravessou seu corpo por um segundo.
Mas o medo veio logo depois, ela empurrou o peito dele. Sem sucesso. Então fez a única coisa que conseguiu.
Mordeu o lábio dele. Forte. Eros soltou imediatamente. O gosto de sangue apareceu na boca dele, os olhos azuis brilharam perigosamente.
Olivia aproveitou o momento, virou-se e tentou correr, mas Santiago foi mais rápido.
Segurou o braço dela antes que ela pudesse dar dois passos.
— Não. — Santiago diz firme.
Ela tentou se soltar.
— Me solta!
— Olivia—
— Me solta!
Eros limpou o sangue do lábio com o polegar.
Os olhos nunca saíram dela.
— Não se atreva a tentar fugir, menina.
A voz dele era baixa, mas carregada de uma ameaça clara, Olivia parou de lutar, o peito subindo e descendo rapidamente.
Santiago ainda segurava o braço dela, mas agora ele estava olhando para Eros.
Confuso.
Porque havia algo que ele nunca tinha visto antes. Eros Capón… havia beijado alguém.
O homem que odiava toque, o homem que evitava contato físico, o homem que tratava qualquer proximidade como fraqueza.
Acabou de beijar aquela garota.
Ele não sabia que Eros sabia beijar, sabia que ele ja fez sexo, mas beijo era pessoal demais íntimo demais para Eros, sabia que nem Amália a amiga deles de infância fora beijada por ele, ela sempre reclama disso, era sexo frio, apenas necessidade fisiológica segundo Eros, mas ali estava ele, beijando essa garota.
E não foi um beijo qualquer, foi um beijo de guerra, Santiago soltou lentamente o braço de Olivia.
— Eros…
Mas Eros não respondeu.
Ele ainda estava olhando para ela, o peito subindo lentamente, o olhar sombrio, e pela primeira vez… Ele parecia completamente fora de controle.
— Vamos terminar isso logo.
Ele disse, mas ninguém sabia ao certo se ele estava falando do casamento.
Ou da guerra que estava começando dentro dele.
O silêncio que caiu no corredor depois do beijo parecia pesado demais para existir, Olivia ainda respirava rápido, o peito subindo e descendo como se tivesse corrido quilômetros. Os olhos estavam arregalados, brilhando com medo, raiva e algo que ela mesma não sabia explicar.
Eros não desviava o olhar.
O sangue no próprio lábio ainda ardia onde ela o havia mordido. Ele passou o polegar ali novamente, sentindo o gosto metálico.
Ninguém jamais tinha feito aquilo com ele.
Ninguém jamais ousou.
E mesmo assim… ali estava ela, tremendo, frágil, mas ainda desafiadora. Aquilo apenas alimentava a fúria dentro dele, sem dizer mais nada, Eros segurou o braço de Olivia.
Não com brutalidade.
Mas com firmeza suficiente para deixar claro que ela não iria a lugar nenhum.
— Vamos — disse ele.
E começou a caminhar.
Olivia tentou resistir no primeiro passo.
— Me solta!
Ele nem sequer olhou para ela.
— Não.
O corredor parecia interminável, os passos dele eram longos e decididos. O vestido pesado dela arrastava pelo chão enquanto ela era praticamente puxada ao lado dele.
Santiago caminhava logo atrás.
Ainda tentando entender o que havia acabado de acontecer.
Eros beijando alguém. Aquilo simplesmente não fazia sentido. Desde crianças, Eros sempre foi distante. Contato físico era algo que ele evitava como se fosse uma doença.
Mesmo Amália,que praticamente cresceu entre eles, nunca recebeu mais do que o necessário.
Sexo, sim, frio, sem emoção, sem i********e.
Mas beijo?
Nunca.
Nem uma vez.
E sabia disso, pois Amália sempre reclamava, por falta disso, ela sempre usou Santigo para desabafar sobre Eros.
E agora…
Santiago passou a mão pela nuca, observando as costas largas do amigo enquanto ele arrastava Olivia pelo corredor.
Aquilo não era apenas raiva. Era algo pior. Muito pior. Quando chegaram perto da grande porta que levava ao salão principal da mansão, Eros finalmente parou. Ali ficava a entrada da pequena capela privada da família Capón.
Era antiga, escura, feita de pedra espanhola envelhecida pelo tempo, velas altas estavam acesas em ambos os lados da porta, e a música baixa de um quarteto de cordas podia ser ouvida do outro lado.
Os convidados já estavam lá dentro, esperando, observando, assistindo.
Eros soltou lentamente o braço de Olivia.
Ela imediatamente deu um passo para trás, tentando recuperar o ar.
— Santiago iria entrar com você — disse Eros, a voz calma demais — mas devido às circunstâncias… entramos juntos.
Olivia o encarou, o coração ainda disparado.
— Cadê meu pai?
A pergunta saiu quase como um sussurro.
Eros inclinou levemente a cabeça.
— Ele não é bem-vindo aqui.
Os olhos dela se encheram de preocupação.
— O que você fez com ele?
Um pequeno sorriso surgiu no canto da boca de Eros, não era um sorriso bonito, era frio, c***l.
— Ele está assistindo tudo.
— Onde?
— De um lugar privilegiado.
Olivia franziu a testa, ela não entendeu. Mas Eros sabia exatamente onde Carlos Dante estava.
Preso no galpão.
Acorrentado à cadeira de ferro que havia sido usada tantas vezes para arrancar confissões de inimigos. Diante dele, um grande telão transmitia ao vivo a cerimônia. Cada detalhe, cada passo, cada segundo de sua filha sendo entregue ao homem que ele mais odiava.
E aquilo, aquilo era apenas o começo, Carlos Dante ainda iria assistir muito mais, uito mais do que um casamento, Eros empurrou as portas da capela, as dobradiças antigas rangiram suavemente.
O salão estava iluminado por centenas de velas, os convidados se viraram ao mesmo tempo.
Homens de ternos caros, mulheres com vestidos luxuosos, famílias inteiras do submundo espanhol, todos olhando, todos esperando, todos curiosos para ver a filha de Carlos Dante.
O silêncio caiu imediatamente quando Eros entrou, Olivia sentiu o peso de dezenas de olhares sobre ela. Era como ser exposta diante de predadores.
O vestido parecia ainda mais pesado agora, a música parou, o padre aguardava diante do altar, Eros segurou novamente o braço dela, dessa vez com menos força, mas o suficiente para guiá-la. Eles começaram a caminhar pelo corredor central da capela.
Cada passo ecoava pelo salão, Olivia m*l conseguia sentir os pés tocando o chão.
Tudo parecia distante, Irreal, ela não olhava para ninguém.
Não queria ver os rostos, não queria ver os olhares, mas quando levantou os olhos por um segundo…
Viu Amália.
Sentada na primeira fila.
Os olhos cheios de veneno.
Um sorriso fino nos lábios.
Aquilo doeu.
Mas Olivia desviou o olhar imediatamente, Eros percebeu, claro que percebeu, ele percebia tudo, mas não disse nada.
Quando chegaram ao altar, ele finalmente soltou o braço dela.
O padre começou a falar, palavras antigas, rituais antigos, promessas que significavam muito para algumas pessoas, e absolutamente nada para outras.
Eros ouvia, mas não realmente, seus olhos estavam em Olivia. Observando cada reação.
Cada movimento. Ela parecia… pequena ali.
Frágil, mas ainda de pé, ainda lutando, squilo era irritante, e fascinante ao mesmo tempo.
— Estamos reunidos aqui — dizia o padre — para unir estas duas vidas sob os olhos de Deus.
Eros quase riu.
Deus não tinha nada a ver com aquilo.
Aquilo era vingança.
Pura.
Simples.
Perfeita.
O padre continuou falando, os convidados observavam, e em um galpão distante da mansão Capón, Carlos Dante assistia tudo.
Acorrentado, ensanguentado, o olhar fixo na tela, vendo a filha caminhar até o altar, vendo, Eros ao lado dela. E sabendo que não podia fazer absolutamente nada.
Eros levantou lentamente os olhos, como se pudesse sentir o olhar de Carlos através da tela.
E um sorriso c***l apareceu em seu rosto.
Porque o ritual da vingança…
Estava apenas começando.