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FORA DO SI A capela da família Capón estava mergulhada em uma luz dourada e sombria, centenas de velas iluminavam o salão antigo de pedra, refletindo nos vitrais escuros que mostravam santos antigos e mártires esquecidos. O ar carregava o perfume pesado de incenso espanhol misturado com rosas vinho profundo. Tudo era elegante, tudo era perfeito, tudo parecia… sagrado, mas para Olivia Dante, aquilo não passava de um altar de execução. Ela estava diante dele, diante do homem que destruiria sua vida. O padre falava, palavras antigas, rituais que haviam unido reis, nobres e famílias poderosas durante séculos. A voz dele ecoava pela capela com uma solenidade calma. Olivia m*l ouvia, não conseguia, em seus pensamentos povoação o medo, a dor, de estar casando forçada, e o pior, a noite de núpcias, as lágrimas escorriam silenciosas pelo rosto, ela tentava conter, tentava respirar fundo, eentava manter a dignidade. Mas era impossível, porque aquilo não era um casamento, era uma sentença, era o teatro para todos ver a vitória de Eros Capón. Ao lado dela, Eros Capón permanecia imóvel, o corpo alto e largo parecia esculpido em pedra n***a. O terno escuro perfeitamente ajustado contrastava com a pele marcada pela cicatriz que atravessava o olho cego. O olho bom, azul intenso, estava fixo no altar. A expressão era fria, controlada, impenetrável, em contra partida, dentro dele… algo estava errado. Eros não estava ouvindo o padre, ele estava ouvindo outra coisa, a não ser a voz dela. "Por favor… me beija." A memória voltava repetidamente, a imagem de Olivia olhando para Santiago, pedindo aquilo, 0edindo um beijo, logo para ele. Para o homem que Eros considerava seu irmão, se fosse qualquer outro teria matado ali mesmo na frente dela, faria sim. No estado de descontrole que estava quando ouviu aquilo, Eros faria com toda certeza. O pensamento fazia algo dentro dele ferver, era irracional, absurdo, ele não tinha direito de sentir aquilo, Olivia Dante era uma peça, uma ferramenta, a filha do homem que destruiu sua família. Nada mais, Eros sempre foi um homem que separava as coisas com clareza. Sexo era sexo, frio, físico.Uma necessidade simples do corpo, nada além disso, ele nunca precisou de beijo. Beijo era… íntimo demais, contato demais, algo pessoal, até Amália, que esteve em sua vida por tantos anos, nunca recebeu isso. Ela reclamava às vezes, mas Eros nunca viu motivo para mudar, ela era confiável para isso, ter suas necessidades supridas, mas algo além disso, nenhuma teria, muito m3nos a inimiga. E mesmo assim… Ali estava ele, recordando o momento em que perdeu o controle no corredor. Quando segurou o rosto dela, quando a beijou, não por desejo, não por carinho, mas por pura raiva, ou ele queria acreditar nisso com todas as suas forças. Ainda assim, aquilo tinha sido real demais, o pensamento o irritava, Eros apertou levemente a mandíbula. Então percebeu algo. Olivia estava chorando, de verdade, as lágrimas escorriam lentamente pelo rosto dela, caindo silenciosas sobre o vestido branco. Ela tentava conter, tentava respirar, mas não conseguia. E aquilo… Aquilo incomodava. Eros não entendia por quê, ele já tinha visto pessoas implorarem, chorarem, gritarem, mas aquilo nunca o afetou, nunca, mas ver Olivia chorando ali. Parecia errado. Como se algo estivesse fora do lugar. Ele desviou o olhar. Irritado consigo mesmo. Era o que queria, que ela chorasse, que Carlos Dante assistisse sua filha chorando, que ele saiba que destruiu a vida da garota como destruiu a vida de meu pai. Só que… Ela era linda, mesmo chorando. O choro dela incomodava a ponto de sentir seu peito comprimir, a vontade de levantar a mão e limpar suas lágrimas era quase incontrolável. Ela era apenas uma menina, entendia o choro, entendia ela, mas não podia sentir pena, porque como dizer seu coração é c***l demais para qualquer tipo de sentimento Eros mantinha a postura firme, olhou para o padre, e ele continuava falando. — O casamento é uma união sagrada… Eros quase riu, sagrado, aquilo era vingança, nada mais. — Senhor Eros Capón… A voz do padre o trouxe de volta. Ele levantou os olhos. — Aceita Olivia Dante como sua esposa? O silêncio caiu na capela, todos os convidados observavam, esperando, Eros olhou para Olivia, ela também levantou os olhos naquele momento, os dois olhares se encontraram. Ela estava destruída, mas ainda havia algo ali. Orgulho, coragem, desafio, aquilo o irritava ainda mais. — Sim — respondeu Eros. A palavra saiu firme, definitiva, o padre virou-se para Olivia. — Senhorita Olivia Dante aceita Eros Capón como seu esposo? Ela demorou alguns segundos. Respirando tentando parar de chorar, mas as lágrimas continuavam descendo. — Aceita Eros Capón como seu esposo? O silêncio pareceu eterno, Eros observava, os convidados observavam. Até Santiago observava atentamente da lateral da capela. Olivia fechou os olhos por um segundo. Talvez lembrando da mãe, do pai. Da vida que nunca mais teria, quando abriu os olhos novamente. A voz saiu fraca. — Sim. A palavra parecia quebrada, mas foi o suficiente, o padre sorriu. — Então eu os declaro marido e mulher. Alguns convidados começaram a aplaudir. Outros apenas observavam, como se estivessem assistindo ao final de uma guerra. Eros não beijou Olivia, nem sequer pensou nisso. O padre também não pediu. Talvez percebendo que aquele casamento era… diferente, os dois apenas se viraram, caminhando pelo corredor central da capela. Agora como marido e mulher, Olivia m*l sentia os pés. O vestido parecia pesar toneladas, as lágrimas ainda caíam silenciosamente. Quando chegaram à porta da capela, Eros finalmente soltou o braço dela. Foi um gesto simples, mas para Olivia pareceu como se o chão tivesse sido arrancado, ela ficou parada ali, tentando recuperar o equilíbrio, Eros não olhou para ela. Ele já caminhava em direção ao salão principal da mansão, onde a recepção aguardava. Música, champanhe. Famílias mafiosas celebrando a nova aliança, assim que entraram no salão… O ambiente explodiu em aplausos e conversas, o luxo era absurdo, mesas de cristal, arranjos gigantes de rosas negras, velas altas refletindo nos espelhos antigos da mansão. Uma celebração digna de um rei, Eros caminhou alguns passos, então simplesmente… Largou Olivia. Como se ela fosse apenas um objeto que já havia cumprido sua função, ela ficou parada ali, sozinha. Perdida no meio de centenas de pessoas. Foi quando Amália apareceu, como uma sombra elegante a maldita usava um vestido justo, marcando o corpo, e era branco. A maldita usava um vestido branco como se fosse a noiva. Ela se aproximou de Eros imediatamente, a mão deslizou naturalmente pelo braço dele. Olivia viu, ele puxou o braço como se o toque machucasse. Mas quando o olhar dela encontrou o dela, ele fechou mais a expressão, e novamente Amália leva seu braço até Eros, que não recuou, olhando para Olivia. Amália agia omo se aquele lugar ainda fosse dela, os olhos dela então encontraram Olivia. E o que havia neles era puro ódio, porque Amália tinha assistido tudo. A cerimônia, o casamento, o momento em que Eros Capón colocou outra mulher no lugar que sempre foi dela. E aquilo… Ela nunca iria perdoar, Olivia percebeu, e pela primeira vez naquela noite… Entendeu uma coisa, ocasamento era apenas o começo do inferno, porque dentro daquela casa, ela não tinha apenas um inimigo, ela tinha muitos, e o pior deles, era o homem que agora chamava de marido.
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