Andréia Pior do que acordar em plena segunda-feira era ter que encarar a Jararaca da minha gerente. Jacira. O nome já dizia tudo — parecia nome de cobra, e ela fazia jus. Trabalho numa loja de roupas de grife. Meu pai sempre insiste em bancar tudo para mim até eu terminar a faculdade de moda, mas não acho justo. Aceitei a ajuda com os estudos, mas, no resto, faço questão de me virar sozinha. Minhas coisas, meus gastos, minhas escolhas. Cheguei cedo, organizei o caixa, alinhei algumas araras e ainda fiz uma oração rápida antes de começar o dia. Foi quando senti o veneno se arrastando pelo chão: a bruxa tinha chegado. Ela passou por mim sem dizer uma palavra, medindo-me dos pés à cabeça como se eu fosse um defeito da loja, e seguiu direto para o escritório. — Bom dia pra você também… —

