Capítulo 14 — Nós

1084 Words
— Fica… — ele murmurou contra meus lábios. — Só fica comigo agora. Encostei minha testa na dele, sentindo nossas respirações se misturarem, o ar carregado de desejo. — Eu tô aqui — sussurrei. — Com você. Sempre. Leon fechou os olhos, como se aquelas palavras fossem o golpe final em sua resistência. Seus braços me envolveram por completo, me prendendo contra ele, como se eu fosse a única coisa que o mantinha inteiro naquele momento. E talvez fosse. Porque ali, entre beijos quentes, respirações descompassadas e um desejo que ameaçava transbordar, não existia passado, trabalho ou segredos. Só nós dois. E a intensidade perigosa de tudo o que ainda não foi dito. A pausa não durou. Não de verdade. Ficar ali, abraçados, com o corpo ainda em chamas e o coração descompassado, só tornou tudo pior. O silêncio entre nós era pesado demais, carregado de tudo o que não tinha sido feito. Leon foi o primeiro a se mover. Ele levantou o rosto devagar, os olhos escuros, famintos, me encarando como se estivesse lutando contra si mesmo — e perdendo. Uma das mãos subiu para meu cabelo, segurando com firmeza, não para afastar… mas para me puxar. — Isso não foi uma boa ideia — murmurou, a voz baixa, quase um aviso. — Qual parte? — provoquei, sentindo meu próprio autocontrole se desfazer. Ele não respondeu. A boca dele encontrou a minha com urgência, sem delicadeza dessa vez. Foi um beijo intenso, profundo, daqueles que roubam o ar e fazem o mundo desaparecer. Não havia mais calma, nem cuidado — só vontade represada explodindo de uma vez. Minhas mãos deslizaram pelo peito dele, sentindo o coração acelerado, os músculos tensos. Leon me segurava com força, como se tivesse medo de que eu desaparecesse se soltasse por um segundo. — Athena… — ele sussurrou contra meus lábios, ofegante. Meu corpo respondeu antes de qualquer pensamento. Me movi sobre ele, sentindo o efeito imediato da proximidade, da conexão, da tensão que vinha se acumulando havia dias. Leon gemeu baixo, o som vibrando direto na minha pele, fazendo minhas pernas fraquejarem. Ele fechou os olhos por um instante, como se estivesse à beira do colapso. — Você não faz ideia do quanto eu estou tentando — confessou, a voz rouca. — Mas toda vez que te toco… eu esqueço de tudo. A mão dele deslizou lentamente pelas minhas costas, provocando arrepios, explorando, memorizando cada reação minha. Eu sentia meu próprio limite se desfazendo, cada respiração ficando mais curta, mais quente. Foi quando ele parou de novo. Dessa vez com dificuldade real. Leon me puxou para perto, colando a testa na minha, respirando fundo, como se estivesse se salvando no último segundo. — Se a gente continuar agora… — ele murmurou, quase sem voz — eu não vou conseguir ser racional depois. Meu coração batia tão forte que parecia querer sair do peito. Encostei os lábios no ouvido dele e sussurrei: — Então guarda isso… por enquanto. Ele sorriu de leve, tenso, desejando mais do que admitia. — Isso vai me cobrar depois — respondeu. E nós dois sabíamos: aquela recaída não tinha resolvido nada. Só tinha prometido algo muito mais intenso quando o próximo limite fosse quebrado. Acordei devagar, ainda meio perdida entre o sono e a realidade, sentindo um peso quente e familiar sobre mim. Levei alguns segundos para lembrar onde estava — e com quem. Leon. Ele dormia de lado, o braço firme ao redor da minha cintura, como se mesmo inconsciente tivesse medo de me perder. O rosto relaxado era tão diferente do homem intenso da noite anterior que meu peito apertou. Havia algo quase vulnerável ali, algo que ele raramente deixava transparecer. Fiquei observando cada detalhe: os cílios escuros, a respiração profunda, a forma como o corpo dele parecia encaixar no meu sem esforço algum. Sorri sozinha. A noite tinha sido tudo… e agora vinha a parte difícil. O depois. Tentei me mover com cuidado para não acordá-lo, mas Leon murmurou algo inaudível e apertou a mão na minha cintura, me puxando de volta contra ele. — Bom dia… — a voz saiu rouca, carregada de sono e algo mais. — Bom dia — respondi baixo, o coração acelerando como se ainda fosse a primeira vez. Ele abriu os olhos devagar e, por um instante, apenas me olhou. Não havia pressa, nem desejo urgente. Só reconhecimento. Como se estivesse confirmando que eu ainda estava ali. — Você é real, né? — murmurou, passando os dedos pelo meu braço. — Não foi só coisa da minha cabeça. — Ainda estou aqui — sorri. — E não pretendo ir embora. Leon respirou fundo, apoiando a testa na minha. — Ontem… — começou, mas parou. — Ontem mudou tudo. Não era uma pergunta. Era uma constatação. O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Foi pesado de significado. Eu sabia que ele estava pensando no trabalho, no passado, em tudo o que ainda não tinha sido dito. E ele sabia que eu sentia isso também. — A gente não precisa decidir nada agora — falei, tocando seu rosto com cuidado. — Só… não finge que não aconteceu. Ele fechou os olhos por um instante, como se minhas palavras tivessem acertado em cheio. — Eu nunca fingiria isso — respondeu. — Você é importante demais pra mim. Beijou minha testa com carinho, depois meus lábios, um beijo lento, promissor, mas contido. Diferente da noite anterior. Mais íntimo. Mais verdadeiro. Do lado de fora, a casa começava a acordar. O mundo seguia seu ritmo normal, indiferente ao fato de que, ali dentro, algo havia mudado para sempre. Leon se afastou um pouco, apoiando o cotovelo no colchão. — Quando eu sair por aquela porta hoje… — disse, sério. — Algumas coisas vão tentar nos alcançar. Meu trabalho. Meu passado. Meu estômago deu um leve aperto. — E você vai me contar? — perguntei, com cuidado. Ele me encarou por alguns segundos antes de responder: — Eu vou. Só… me dá um pouco de tempo. Quero fazer isso do jeito certo. Por você. Assenti. Não porque não tivesse medo. Mas porque, naquele momento, escolhi confiar. Ele me puxou de volta para seus braços. — Fica mais um pouco — pediu baixo. — Só mais um pouco, antes do mundo entrar aqui. E eu fiquei. Porque aquela manhã não era apenas o depois de uma noite ardente. Era o começo de algo que podia ser lindo… ou devastador. E eu sentia que o próximo capítulo não ia facilitar nada.
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