Os dias seguintes correram tranquilos. Sempre que eu tinha um tempo livre, passava com Max: fazíamos cookies, líamos juntas ou eu a ajudava com os deveres da escola. Ficamos muito próximas em pouco tempo. Ela chegava todos os dias me surpreendendo com abraços apertados e fofocas animadas sobre absolutamente tudo o que acontecia em sua vida.
No fim da tarde, nosso ritual era ir para a sala de cinema da casa, onde eu apresentava a ela meus filmes favoritos da época em que tinha a idade dela. Dona Nora trabalhava em casa e quase sempre estava no escritório ou na biblioteca. Já Leon… bem, Leon praticamente não existia durante o dia. Eu só o via no jantar, quando todos se reuniam.
Quem acabou se tornando presença constante foi Victor. Ele sempre dava uma escapadinha estratégica para a cozinha, oficialmente para comer cookies — extraoficialmente para flertar comigo.
— Bom dia, Athena.
— Bom dia, Victor. Quer cookies?
— Nem precisava perguntar — disse ele, já colocando um na boca e rindo. — Então, o que você vai fazer hoje? Já faz um mês que você está aqui e ainda não conheceu Nova York de verdade. Estava pensando… que tal ir comigo levar a Max para a escola? Depois posso te mostrar alguns lugares legais da cidade.
— Acho uma ótima ideia. Eu topo!
— Você topa o quê? — perguntou Max, entrando na cozinha. — Bom dia. Sobre o que vocês estão falando?
— Convidei a Athena para ir comigo te levar à escola e depois dar uma volta pela cidade — explicou Victor.
— Tipo um encontro? — disse ela, cheia de risadinhas.
Victor e eu nos olhamos, completamente sem graça.
— O quê? Não! — me apressei. — Eu e o Victor somos só amigos. Ele só está sendo gentil.
— Isso… — Victor pigarreou. — Acho que a Athena deveria conhecer a cidade. Não que eu recusasse um encontro.
Max riu ainda mais.
— Aaaah, parece que alguém está caidinho por você, Athena!
— Ok, Max. Hora de ir pra escola — cortei rápido.
— Tá querendo se livrar de mim pra ir ao seu encontro com o Victor? — provocou.
— Chega de gracinhas, mocinha. Vamos logo.
Rimos e seguimos para a escola. O caminho foi animado, cantamos músicas aleatórias do rádio e, vez ou outra, Max soltava comentários maliciosos sobre encontros e romances. Ao chegarmos, acompanhei Max até o portão.
— Se comporte, faça suas tarefas e chega de piadinhas — avisei.
— Sim, senhora! — Ela me abraçou, deu um beijo no meu rosto e cochichou: — Quero saber de tudo mais tarde.
— De tudo o quê?
— Do seu encontro. Se foi romântico. Se teve beijo.
— Max! Não é um encontro e não vai ter beijo nenhum.
— Posso ser nova, mas sei quando alguém está caidinho por alguém — disse ela, piscando. — E o Victor está caidinho por você. A Liz já te falou que ele é um ótimo partido?
— Já falou, sim, sua engraçadinha. E se rolar beijo, você não vai saber.
— Eu sempre descubro — respondeu com um olhar conspiratório. — Tchau, Athena. Tchau, Victor. Cuida bem da minha Athena.
— Pode deixar — Victor sorriu.
Depois disso, seguimos nosso passeio. Ele me levou a vários pontos turísticos, contou histórias da época da faculdade e das baladas em Nova York. Paramos para tomar café e conversar.
— Você gosta de dançar?
— Adoro.
— Eu também. Tem uma boate ótima aqui no centro. A gente podia sair qualquer dia desses… dançar, beber uns drinks.
— Agora isso é um convite oficial para um encontro? — provoquei.
— Se você aceitar, sim.
— Então eu aceito.
— Ótimo — disse ele, beijando minha mão.
Ok, eu tinha prometido focar no trabalho e evitar distrações masculinas… mas como dizer não para ele? Fofo, gato, charmoso e ainda me bajulando desse jeito.
Passei a tarde inteira no meu “encontro” com Victor. Conversamos sobre tudo, rimos bastante, e ele realmente era uma ótima companhia. À noite, ele me deixou em casa para resolver assuntos com Dona Nora. O resto do dia passei entre cookies, livros e o preparo do jantar.
Já estava tarde quando Max apareceu na cozinha, com carinha de sono.
— Max, você não deveria estar na cama?
— Deveria… mas queria leite com cookies.
— Claro — sorri. — Senta aí.
— Ebaa! — Ela se acomodou na cadeira. — Então… como foi o encontro? Teve beijo?
Antes que eu respondesse, uma voz grave surgiu da sala.
— Que encontro?
Leon entrou na cozinha sem camisa, vestindo apenas uma calça de moletom. Foi impossível não reparar no abdômen definido e naquela entradinha em V. Senti o calor subir direto para o rosto.
Cada gominho daquele dava vontade de montar uma lavanderia ali.
— Estamos falando do encontro da Athena — disse Max.
— Athena teve um encontro? — ele me encarou.
— Teve, com o Victor. Ele tá caidinho por ela — riu Max.
Leon me analisou de cima a baixo.
— Com o Victor? O motorista?
— Foi só um passeio — respondi, quase gaguejando. — Não foi um encontro.
— E o beijo? — provocou.
— Não teve beijo.
— Mas ele chamou ela pra um encontro de verdade, com dança e drinks — completou Max.
— MAX! Hora de dormir.
— Athena tem razão — disse Leon. — Já pra cama.
— Tá bom, tá bom… — Ela revirou os olhos. — Esse assunto claramente não é pra crianças.
Assim que ela saiu, comecei a organizar a pia. Senti a presença de Leon atrás de mim, quente demais, próxima demais.
— Então você aceitou o encontro?
— O quê? — virei e quase colei nele. — S-sim… aceitei.
Ele me encarou em silêncio, com aqueles olhos azuis intensos.
— Você está entediada aqui?
— Não… só quero conhecer pessoas, fazer amigos.
— Só amigos?
— Só… amigos — murmurei, envergonhada.
— Que bom — disse ele, se afastando. — Boa noite, Athena.
— Boa noite, Leon.
Quando ele saiu, senti o ar voltar aos meus pulmões.
O que acabou de acontecer aqui?