Capítulo 3 - Um Começo

1031 Words
Os dias seguintes correram tranquilos. Sempre que eu tinha um tempo livre, passava com Max: fazíamos cookies, líamos juntas ou eu a ajudava com os deveres da escola. Ficamos muito próximas em pouco tempo. Ela chegava todos os dias me surpreendendo com abraços apertados e fofocas animadas sobre absolutamente tudo o que acontecia em sua vida. No fim da tarde, nosso ritual era ir para a sala de cinema da casa, onde eu apresentava a ela meus filmes favoritos da época em que tinha a idade dela. Dona Nora trabalhava em casa e quase sempre estava no escritório ou na biblioteca. Já Leon… bem, Leon praticamente não existia durante o dia. Eu só o via no jantar, quando todos se reuniam. Quem acabou se tornando presença constante foi Victor. Ele sempre dava uma escapadinha estratégica para a cozinha, oficialmente para comer cookies — extraoficialmente para flertar comigo. — Bom dia, Athena. — Bom dia, Victor. Quer cookies? — Nem precisava perguntar — disse ele, já colocando um na boca e rindo. — Então, o que você vai fazer hoje? Já faz um mês que você está aqui e ainda não conheceu Nova York de verdade. Estava pensando… que tal ir comigo levar a Max para a escola? Depois posso te mostrar alguns lugares legais da cidade. — Acho uma ótima ideia. Eu topo! — Você topa o quê? — perguntou Max, entrando na cozinha. — Bom dia. Sobre o que vocês estão falando? — Convidei a Athena para ir comigo te levar à escola e depois dar uma volta pela cidade — explicou Victor. — Tipo um encontro? — disse ela, cheia de risadinhas. Victor e eu nos olhamos, completamente sem graça. — O quê? Não! — me apressei. — Eu e o Victor somos só amigos. Ele só está sendo gentil. — Isso… — Victor pigarreou. — Acho que a Athena deveria conhecer a cidade. Não que eu recusasse um encontro. Max riu ainda mais. — Aaaah, parece que alguém está caidinho por você, Athena! — Ok, Max. Hora de ir pra escola — cortei rápido. — Tá querendo se livrar de mim pra ir ao seu encontro com o Victor? — provocou. — Chega de gracinhas, mocinha. Vamos logo. Rimos e seguimos para a escola. O caminho foi animado, cantamos músicas aleatórias do rádio e, vez ou outra, Max soltava comentários maliciosos sobre encontros e romances. Ao chegarmos, acompanhei Max até o portão. — Se comporte, faça suas tarefas e chega de piadinhas — avisei. — Sim, senhora! — Ela me abraçou, deu um beijo no meu rosto e cochichou: — Quero saber de tudo mais tarde. — De tudo o quê? — Do seu encontro. Se foi romântico. Se teve beijo. — Max! Não é um encontro e não vai ter beijo nenhum. — Posso ser nova, mas sei quando alguém está caidinho por alguém — disse ela, piscando. — E o Victor está caidinho por você. A Liz já te falou que ele é um ótimo partido? — Já falou, sim, sua engraçadinha. E se rolar beijo, você não vai saber. — Eu sempre descubro — respondeu com um olhar conspiratório. — Tchau, Athena. Tchau, Victor. Cuida bem da minha Athena. — Pode deixar — Victor sorriu. Depois disso, seguimos nosso passeio. Ele me levou a vários pontos turísticos, contou histórias da época da faculdade e das baladas em Nova York. Paramos para tomar café e conversar. — Você gosta de dançar? — Adoro. — Eu também. Tem uma boate ótima aqui no centro. A gente podia sair qualquer dia desses… dançar, beber uns drinks. — Agora isso é um convite oficial para um encontro? — provoquei. — Se você aceitar, sim. — Então eu aceito. — Ótimo — disse ele, beijando minha mão. Ok, eu tinha prometido focar no trabalho e evitar distrações masculinas… mas como dizer não para ele? Fofo, gato, charmoso e ainda me bajulando desse jeito. Passei a tarde inteira no meu “encontro” com Victor. Conversamos sobre tudo, rimos bastante, e ele realmente era uma ótima companhia. À noite, ele me deixou em casa para resolver assuntos com Dona Nora. O resto do dia passei entre cookies, livros e o preparo do jantar. Já estava tarde quando Max apareceu na cozinha, com carinha de sono. — Max, você não deveria estar na cama? — Deveria… mas queria leite com cookies. — Claro — sorri. — Senta aí. — Ebaa! — Ela se acomodou na cadeira. — Então… como foi o encontro? Teve beijo? Antes que eu respondesse, uma voz grave surgiu da sala. — Que encontro? Leon entrou na cozinha sem camisa, vestindo apenas uma calça de moletom. Foi impossível não reparar no abdômen definido e naquela entradinha em V. Senti o calor subir direto para o rosto. Cada gominho daquele dava vontade de montar uma lavanderia ali. — Estamos falando do encontro da Athena — disse Max. — Athena teve um encontro? — ele me encarou. — Teve, com o Victor. Ele tá caidinho por ela — riu Max. Leon me analisou de cima a baixo. — Com o Victor? O motorista? — Foi só um passeio — respondi, quase gaguejando. — Não foi um encontro. — E o beijo? — provocou. — Não teve beijo. — Mas ele chamou ela pra um encontro de verdade, com dança e drinks — completou Max. — MAX! Hora de dormir. — Athena tem razão — disse Leon. — Já pra cama. — Tá bom, tá bom… — Ela revirou os olhos. — Esse assunto claramente não é pra crianças. Assim que ela saiu, comecei a organizar a pia. Senti a presença de Leon atrás de mim, quente demais, próxima demais. — Então você aceitou o encontro? — O quê? — virei e quase colei nele. — S-sim… aceitei. Ele me encarou em silêncio, com aqueles olhos azuis intensos. — Você está entediada aqui? — Não… só quero conhecer pessoas, fazer amigos. — Só amigos? — Só… amigos — murmurei, envergonhada. — Que bom — disse ele, se afastando. — Boa noite, Athena. — Boa noite, Leon. Quando ele saiu, senti o ar voltar aos meus pulmões. O que acabou de acontecer aqui?
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