Capítulo 4 - Verão

908 Words
Os dias passaram devagar, mas quando percebi já estávamos no verão. O sol ardia lá fora — exatamente do jeito que eu gostava. No Oregon, o calor nunca era tão intenso, e eu estava ansiosa para retomar minha rotina de corridas. Eu e Dona Nora nos tornamos grandes amigas. Ela me contava histórias sobre o casamento com seu falecido esposo, sempre com um sorriso nostálgico. Com Max, a diversão era garantida. Já Leon… bem, falávamos pouco. Ele nunca mencionou a noite na cozinha, como se nada tivesse acontecido. Algum tempo depois, Leon começou a frequentar a academia que ficava na área da piscina — bem perto do meu quarto, por coincidência. Coincidência demais, se quer saber. Ele sempre passava por ali sem camisa, todo suado, e isso só fazia minha mente voltar para aquela noite… e para pensamentos nada apropriados. Às 6h30 da manhã, levantei decidida a correr na praia. Todos ainda dormiam, então daria tempo de voltar e preparar o café com calma. Vesti um short, uma regata, calcei o tênis e segui em direção à areia. Comecei em um ritmo leve, aumentando a velocidade aos poucos. Quando já estava na metade do percurso, vi alguém correndo em minha direção. Leon. — O que você está fazendo acordada a essa hora, Athena? — Eu gosto de correr de manhã. Agora que o clima está melhor, pretendo correr todos os dias. — E você não tem medo de correr sozinha aqui? — ele me analisou de cima a baixo. — Ainda mais com essas roupas. — O que tem minhas roupas? — Nada… só mostram demais, não acha? — Não, não acho. E você aí, andando sem camisa e mostrando tudo. — Qual o problema? — Não se incomoda com as pessoas olhando? — A única pessoa aqui é você. Devo me preocupar com você me olhando? — disse, com um sorriso malicioso. — Não! E eu nem estou olhando pra você — disfarcei, encarando os olhos dele. Quem eu quero enganar? Era impossível não olhar. Um verdadeiro deus grego… que, por acaso, é meu chefe. Foca, Athena. Não encara o tanquinho. — Você mente muito m*l — ele riu. — Mas, ainda assim, não acho seguro você correr sozinha tão cedo. — Não tenho ninguém pra me acompanhar. Não tenho muita escolha. — Eu posso correr com você. Fazer sua escolta. Te proteger dos perigos — disse, com aquele sorriso perigoso nos lábios. — E por que eu sinto que correr com você é que seria o perigo? — Eu tenho cara de perigoso? — Ele se aproximou, ergueu meu queixo com dois dedos. Ok, senhor bonitão… vamos jogar. — Não. Você tem cara de inofensivo — respondi, com uma risada irônica. — Inofensivo? — Ele segurou minha cintura e me puxou para perto. Abaixou o rosto e sussurrou no meu ouvido: — Ainda acha que sou inofensivo? Travei. Minhas mãos estavam pressionadas contra o peitoral duro dele. Pensa rápido, Athena. Fiquei na ponta dos pés, bem próxima ao rosto dele. — Sim. Ainda acho. Ele riu, me soltou e se afastou. — 6h30. Te encontro no começo da praia, todos os dias. Não se atrase. Não tolero atrasos. E saiu em direção à mansão. Isso acabou de acontecer mesmo? Meu chefe… flertando comigo? Não. Deve ser coisa da minha cabeça. Ele só se ofereceu pra correr comigo. Só isso… certo? Saí dos devaneios, terminei a corrida e voltei para casa. Preparei o café, ajudei Max a se arrumar para a escola e fui com Victor levá-la. Depois, pedi para ele me deixar no centro — eu merecia um dia de compras. Voltei de táxi já no fim da tarde. À noite, eu e Max escolhemos um filme para assistir depois do jantar. Romance, obviamente. Ela convidou Leon, que aceitou com visível falta de entusiasmo. Sentamos nós três no sofá, Max no meio. Quando o filme chegou à metade, Leon já estava impaciente. — Sério… quem se apaixona em um mês? — É só um filme, Leon. E às vezes isso acontece. — Isso nunca aconteceria comigo. — Ok, senhor coração de pedra. Dá pra terminar o filme? — Tanto faz. — Não liga pra ele, Athena — cochichou Max. — O Leon não acredita no amor. Acha que isso deixa as pessoas fracas. — Que bobagem. Mas não me surpreende… não é à toa que ele é o senhor cara fechada. Eu e Max nos entreolhamos e começamos a rir. — Senhor cara fechada? — Leon perguntou, desconfiado. — Nada — respondi rápido. — Brincadeira minha e da Max. Terminamos o filme, levei Max para o quarto e fui dormir. No dia seguinte, às 6h30, encontrei Leon na praia. A corrida foi tranquila, sem provocações. Ele mantinha certa distância, mas parecia curioso sobre minha vida. Fizemos um acordo: eu contava algo sobre mim, ele contava algo sobre ele. Passamos a correr juntos todos os dias. Aos poucos, conheci mais Leon. Ele também começou a passar mais tempo comigo e com Max. Assistíamos filmes juntos — e ele continuava criticando todos os romances. Nunca mais falou sobre o que aconteceu na praia. Com o tempo, comecei a achar que aquelas aproximações tinham sido apenas um teste. Afinal, ele era meu chefe. Talvez estivesse só avaliando se eu era confiável. Decidi não pensar mais nisso. As coisas estavam boas assim. Nós nos dávamos bem… e Max parecia mais feliz do que nunca por termos passado tanto tempo juntos.
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