Quando entrei no meu quarto, dei de cara com Leon parado perto da janela. O corpo rígido, o maxilar travado. Ele não parecia nem um pouco feliz.
Assim que me viu, se virou e veio na minha direção, passos firmes, decididos. Parou a poucos centímetros de mim, me encurralando entre ele e a porta fechada.
— Leon? — engoli em seco. — O que foi? O que você tá fazendo no meu quarto?
— Por que você fez aquilo? — a voz dele era baixa, carregada de algo perigoso.
— Aquilo o quê?
— Por que saiu com o Victor?
Meu sangue ferveu.
— E desde quando eu preciso te dar satisfação?
— Desde quando eu vi você com ele — respondeu, aproximando ainda mais o rosto do meu. — Ele não vai te dar o que você precisa. Se queria se divertir, era só falar comigo. Eu não quero mais ver você com ninguém enquanto estiver aqui.
— Quem você pensa que é, Leon? — minha voz saiu trêmula, de raiva… e de algo mais. — Você vive se afastando de mim e agora acha que pode mandar no que eu faço?
Eu não consegui terminar a frase.
Leon me beijou.
Foi um beijo quente, intenso, carregado de desejo e frustração. Suas mãos me puxaram com força, me prendendo contra a porta, como se tivesse passado tempo demais se segurando.
Eu devia empurrá-lo. Devia parar tudo.
Mas eu derreti.
O beijo era urgente, faminto, como se ele estivesse tentando provar algo — para mim e para si mesmo. Meu corpo respondeu antes da razão. Meus dedos se agarraram à camisa dele, meu coração disparado, as pernas fracas.
Quando ele se afastou, nós dois estávamos ofegantes. Minhas pernas ameaçaram ceder, e Leon percebeu, segurando minha cintura, me mantendo colada ao corpo dele.
— O que foi isso, Leon? — sussurrei, ainda sem fôlego.
— Eu quero você, Athena — ele disse, os olhos azuis queimando nos meus. — Diz que você também me quer.
Aquela pergunta me atingiu como um golpe.
Eu me senti afogada pelo olhar dele, pela proximidade, pelo jeito como sua respiração quente batia no meu rosto. Lembrei do olhar dele mais cedo, da tensão silenciosa, do jeito que me observava quando eu estava com Victor.
Leon sempre me olhou como se estivesse tentando decifrar um mistério. E toda vez que ele estava perto, era como se meus pulmões esquecessem como funcionar.
Eu não resisti.
Me inclinei e o beijei de volta, feroz, intensa, surpreendendo até a mim mesma. Leon respondeu na mesma medida, me prensando outra vez contra a porta, me erguendo no colo como se eu não pesasse nada.
Meu mundo virou fogo.
Os beijos desceram pelo meu rosto, meu pescoço, minha pele queimava sob cada toque. Quando senti as alças do meu vestido escorregarem pelos ombros, um gemido escapou sem permissão.
Leon tomou isso como resposta suficiente.
— Eu também quero você — murmurei, a voz falhando, rendida. — Quero você, Leon.
O resto aconteceu rápido demais e intenso demais para ser racional, quando dei por mim o corpo quente de Leon já estava nu contra o meu a sessão de suas mãos me acariciando me deixava zonza, eu só poderia estar enlouquecendo e quando ele me ergueu e me penetrou profundamente eu sabia que não teria mais volta. então me rendi as sessões de seu m****o me embalando de cima abaixo em um ritmo tão intenso que roubava quaisquer ruídos que saiam dos meus lábios.
Quando tudo terminou, eu estava exausta, com o corpo ainda tremendo. Leon me levou até a cama e me deitou com cuidado, se acomodando ao meu lado e me puxando para o peito dele, nos cobrindo.
Ficamos em silêncio.
Mas minha cabeça era um caos.
O que eu fiz? O que nós fizemos?
Dona Nora vai me matar. Ou pior: vai me demitir.
E a Max… eu não posso magoar a Max.
Eu dormi com meu chefe. De novo agindo por impulso.
Respirei fundo. Precisava quebrar o silêncio.
— Leon?
— Oi.
— O que foi isso que aconteceu?
Ele suspirou.
— A gente transou, Athena. Foi isso.
— Eu sei! — me afastei, sentando na cama. — E esse é o problema. Não devia ter acontecido.
— Por quê? — ele também se sentou. — Somos adultos. Sentimos atração. Só isso.
— Não é “só isso”, Leon. Se alguém descobrir, quem vai pagar sou eu.
— Do que você tá falando?
— Nós somos diferentes — minha voz saiu embargada. — Eu não tenho nada. Você tem tudo. O que você acha que vão pensar de mim? Que eu subi na vida dormindo com o chefe.
Leon segurou minhas mãos.
— Ninguém vai te demitir. Eu prometo.
— Você não entende — puxei as mãos de volta. — É meu emprego. É tudo o que eu tenho.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos.
— Eu gosto de você, Athena — disse, por fim. — Gosto de passar tempo com você. Com a Max. Gosto do que a gente tá criando. E quando você tá perto… eu sinto algo. Eu sei que você sente também.
Meu coração apertou.
— Talvez eu sinta — admiti. — Mas a gente não pode fazer isso.
— A gente pode, sim — ele respondeu firme. — Só não precisa contar pra ninguém. Ainda.
— E o Victor? — levei as mãos ao rosto. — Se ele souber?
— Quem se importa com o Victor? — a voz dele escureceu. — E, pra deixar claro, eu não quero você saindo com ele.
— Ele é meu amigo.
Leon soltou uma risada curta, amarga.
— Amigo? Eu vi vocês no clube. O jeito que ele te tocava. Como te olhava.
— Isso é ciúme bobo.
— Não é ciúme — ele se aproximou, segurando meu queixo. — Eu só não gosto que mexam no que é meu.
— E o que exatamente é seu aqui?
Ele me beijou. Um beijo lento, possessivo, que me deixou sem ar.
— Você — sussurrou, com um sorriso convencido. — Você é minha, Athena.
— Eu não sou de ninguém.
— É sim — ele respondeu, se afastando. — Boa noite, Athena.
Quando a porta se fechou atrás dele, eu me joguei na cama, o coração acelerado.
Uma noite.
Um beijo.
Uma escolha impulsiva.
E agora, algo entre mim e Leon que eu ainda não sabia nomear — mas que já estava longe demais para ignorar.