Leon nos levou ao zoológico naquela manhã ensolarada, e o passeio foi tão adorável quanto caótico. Max corria à nossa frente, empolgada, quase tropeçando de tanta pressa para ver cada animal, enquanto eu e Leon caminhávamos mais devagar, trocando olhares cúmplices. Em alguns momentos, quando Max se distraía, ele segurava minha mão — um gesto simples, mas capaz de acelerar meu coração.
Enquanto andávamos, me peguei imaginando como seria namorar Leon de verdade. Se teríamos mais passeios assim, jantares improvisados, idas ao cinema, risadas despretensiosas. Era fácil demais me imaginar passando a vida ao lado dele… e isso me assustava quase tanto quanto me encantava.
— Leon, eu quero pipoca! — Max anunciou, animada, apontando para o carrinho do outro lado do caminho.
— Toma — ele disse, estendendo a mão com dinheiro. — Vai lá buscar. Eu e a Athena vamos esperar aqui.
— Claro! — ela respondeu, saindo saltitante como se tivesse ganhado na loteria.
Observei Max se afastar e franzi o cenho.
— Tem certeza de que ela devia ir sozinha?
— Ela sabe se cuidar, Athena. E o carrinho não fica tão longe assim.
Inclinei a cabeça, desconfiada.
— Então por que não fomos com ela?
Leon sorriu daquele jeito que sempre me desmontava. Aproximou-se e me puxou suavemente pela cintura.
— Porque eu queria um minutinho a sós com você — murmurou. — Estou louco para te beijar desde cedo.
— E o que você está esperando? — provoquei, sorrindo.
Ele não perdeu tempo. Seu beijo foi doce, calmo, carregado de carinho — do tipo que faz o mundo parecer silencioso ao redor.
— Você é meu maior pecado, Athena — confessou, encostando a testa na minha.
— Como assim? — ri, tentando aliviar o peso daquelas palavras.
— Você me vicia — respondeu sério. — E eu só penso em como quero estar com você o tempo todo.
Meu coração deu um salto. Antes que eu pudesse responder, ele se afastou rapidamente ao perceber Max voltando com o pacote de pipoca quase maior do que ela.
Tentei me concentrar no resto do passeio, mas minha mente insistia em voltar às palavras de Leon. No fim da tarde, Max adormeceu no carro, exausta de tanta empolgação. Leon a levou para a cama com cuidado e, antes de sair do quarto, avisou que passaria no meu mais tarde.
Fui para o meu quarto esperá-lo.
Mas assim que abri a porta, o mundo pareceu parar.
Havia um homem deitado na minha cama. Só de toalha.
Ele era alto, tinha o corpo definido, cabelos longos e loiros, além de olhos azuis absurdamente claros. Fiquei paralisada por alguns segundos, até meu cérebro finalmente processar a cena e gritar perigo.
Sem pensar duas vezes, saí correndo em direção à mansão. Quando cheguei à área da piscina, trombei com um peitoral firme.
— Athena? — Leon segurou meus ombros. — O que foi? Por que está correndo desse jeito?
— T-tem… tem um homem pelado na minha cama! — gaguejei, sentindo o rosto queimar.
— O quê?!
A expressão dele mudou completamente. Os olhos escureceram, e Leon saiu em passos largos em direção ao meu quarto. Antes mesmo de chegarmos à porta, vimos o tal homem sair tranquilamente, ainda envolto na toalha.
— Viu?! É ele! — apontei, me escondendo atrás de Leon. — O tarado!
— Ei, eu não sou nenhum tarado! — o homem protestou.
Leon estreitou os olhos.
— Sebastian?! O que você está fazendo aqui?!
Meu olhar foi de um para o outro.
— Espera… vocês se conhecem?
O homem sorriu com descaramento.
— Claro. Oi, primo. Não estava com saudades?
Meu Deus. Aquilo definitivamente não estava nos meus planos para o fim de semana.
— Quando você chegou aqui? — Leon perguntou, ainda tentando manter a calma.
— Hoje à tarde. A casa estava vazia — respondeu o homem com a maior tranquilidade do mundo.
Leon cruzou os braços, o maxilar travado.
— E o que você estava fazendo no quarto da Athena… desse jeito? — perguntou, apontando discretamente para a toalha.
— Eu não sabia que o quarto tinha dona — ele respondeu, olhando diretamente para mim e piscando em seguida. — Cheguei, dei um mergulho no mar e fui descansar na casa da piscina.
— Pois agora você sabe que o quarto tem dona — Leon rebateu, seco. — E eu não quero mais ver você lá, muito menos desse jeito.
— Calma, primo — ele levantou as mãos, fingindo rendição. — Não é você quem decide se eu sou bem-vindo ou não.
Antes que eu pudesse reagir, ele se aproximou, pegou minha mão e beijou levemente meus dedos. O olhar de Leon praticamente pegava fogo.
— Prazer em te conhecer, Athena — disse ele, sorrindo com descaramento. — Sou Sebastian. E… desculpa por ter invadido seu quarto.
— Tudo bem — respondi, meio sem graça. — Mas, por favor, não faça isso de novo. Não quero estranhos de toalha no meu quarto.
Sebastian arqueou uma sobrancelha, divertido.
— Tem certeza? Você não pareceu tão incomodada assim na hora.
Antes que eu pudesse responder, Leon se colocou entre nós.
— Ela disse que não quer, Sebastian. Então não encosta nela.
— Ok, ok, entendi — ele deu um passo para trás, erguendo as mãos. — Sem drama. Vou para o meu quarto. Foi um prazer te conhecer, Athena. Espero te ver mais vezes.
Ele saiu tranquilamente, como se não tivesse causado um pequeno caos emocional. Acenei de leve, ainda processando tudo. Quando virei para Leon, ficou claro que ele não estava nada feliz.
— O que foi, Leon? Você não gosta do Sebastian?
— A gente já foi muito próximo — respondeu, passando a mão pelos cabelos, visivelmente irritado. — Mas ele adora se meter onde não é chamado. Isso me tira do sério.
Ele respirou fundo antes de continuar:
— Athena, você não pode ficar perto dele, tá?
— O quê? Por quê?
— Você viu como ele é. Sebastian não tem limites. Na primeira oportunidade, vai se jogar pra cima de você.
Segurei sua cintura e dei um beijo rápido em sua bochecha.
— Leon, ele pode até tentar, mas não vai conseguir nada. Eu já sei quem eu quero.
A tensão no corpo dele diminuiu um pouco. Leon me envolveu em um abraço e beijou minha testa.
— Eu sei, meu amor. Mas você sabe como eu fico quando outros homens se aproximam de você. Já me livrei do motorista… agora aparece isso.
— Relaxa — ri. — Vai dar tudo certo. Você sabe por que ele veio pra cá?
— Ainda não — respondeu. — Sebastian nunca fica muito tempo no mesmo lugar. Vou descobrir o que ele está aprontando.
Ele me deu um selinho demorado e se afastou.
— A gente se vê mais tarde?
— Sim, linda.
Observei Leon ir embora e só então percebi: além de apaixonada, eu definitivamente tinha entrado em uma confusão deliciosa.