Capítulo — O céu chora .
" As nuvens chora quando sente que corações param de bater aqui na Terra."
Rafaelo
O peso da coroa de espinhos que Salvatore deixou sobre minha cabeça dói mais do que qualquer bala. Eu me sinto pregado a uma cruz feita de herança e sangue, onde cada prego martelado é uma responsabilidade que eu nunca pedi, mas que agora define o meu esqueleto. Dizem que o luto é um processo, mas para mim, é uma crucificação pública sob o olhar atento de abutres vestidos de seda italiana.
Sinto as chagas se abrindo na minha alma. Não são feridas limpas; são cortes profundos e expostos que sujam o chão da igreja com a inocência que ainda restava em mim. Cada "meus pêsames" que recebo soa como o estalar de um açoite. Eles não lamentam a perda de um pai; eles celebram a queda de um gigante enquanto medem a resistência do herdeiro. Salvatore era minha proteção, o escudo que impedia que o mundo visse quão vulnerável eu realmente sou. Agora, estou nu diante do pecado.
Minha infelicidade não é uma lágrima, é uma hemorragia internaferida de sua ausência é pulsante, uma marca estigmática que carregarei no peito até o dia em que o solo me reclame também. Sinto o gosto de vinagre e fel na boca quando percebo que, para sobreviver a este império, preciso deixar meu coração morrer junto com ele.
O céu não chora; ele pesa. Um cinza espesso se comprime sobre o cemitério, como se o ar tivesse decidido esmagar tudo o que ainda ousa ficar de pé. A chuva cai fina, insistente, e não refresca — castiga. A terra recém-revirada se transforma num lodo escuro que suja meus sapatos caros e não pede desculpa por isso.
Eu permaneço imóvel. Não por respeito, mas porque meu corpo ainda não entende que meu pai não vai se mexer. O sobretudo preto cola nos meus ombros, pesado de água e de um frio que não vem de fora. É uma geada que arrepia os ossos, um eco de pregos cravados no meu próprio espírito. A perda de Salvatore é uma crucificação sem ressurreição; cada pá de terra sobre seu peito deixa a alma mais n***a, sufocando o resto de luz que eu ainda ousava carregar.
Sinto meu rosto duro, paralisado, como se cada músculo fosse uma vidraça prestes a estilhaçar: se eu ceder à dor, eu desmorono; se eu ceder à raiva, eu incendeio este lugar sagrado.
À minha frente, o caixão n***o repousa como uma afronta. O brilho dourado das alças não me consola — irrita. Cada detalhe dourado parece um deboche, um adorno inútil diante da ausência brutal que agora ocupa o centro do meu universo.
Salvatore está morto.
E a palavra "morto" é um prego enferrujado tentando entrar na minha cabeça. Não cabe. Não ainda, quando a dor é palpável e a ficha não caiu.
O padre fala. A voz dele chega abafada, distante, como se eu estivesse submerso em um rio de piche. Misericórdia, descanso eterno, salvação. Palavras vazias que não encontram eco dentro do meu peito. O que existe em mim é um buraco aberto, fundo demais para ser preenchido por orações, e, dentro desse vácuo, sinto algo começar a ferver. Uma quentura doentia que nasce nas entranhas e sobe pela garganta.
Quando o caixão começa a descer, sinto a vertigem. O mundo parece afundar junto com ele. Cada centímetro que a madeira desaparece na terra é um golpe seco no meu estômago, um lembrete físico de que não há retorno, não há acordo possível com o destino. Acabou a proteção. Acabou o conselho. Acabou o homem que eu amava acima da minha própria vida.
Ao meu lado, minha mãe soluça sob véus negros. Enzo a ampara com a lealdade de um cão de guarda. Eu vejo, registro o tremor nos ombros dela, mas não consigo alcançá-la. A compaixão morreu no corredor daquele hospital.
Lavínia se espreme dentro de um casaco comprido. A palavra pai sai dos seus lábios aos sussurros marcados pela dor e pranto.
O luto tenta se formar em mim, mas é esmagado por algo mais jovem, mais agressivo e muito mais vivo.
Ódio. Um ódio puro, destilado no sobrenome Grecco.
Quando a primeira pá de terra atinge o caixão, o som ecoa dentro da minha alma como um disparo. Algo se rompe definitivamente. Dou um passo à frente. Os homens ao redor recuam instintivamente, sentindo a mudança na temperatura da minha presença. Eu não sou mais apenas o filho órfão. Eu sou a tempestade que eles ajudaram a criar.
Eu me ajoelho à beira da cova. A lama fria e imunda mancha minhas calças de alfaiataria, maculam o tecido mas não atingem a minha carne. Com a mão direita — a única que ainda responde sem a frieza do metal ou do trauma — eu afundo os dedos na terra úmida. O barro se infiltra sob as minhas unhas, gruda na minha pele. É nojento. É real. É definitivo.
A perda dói naquele contato com a terra que vai devorar o meu passado. Dói como um vazio que não sangra, mas que corrói os ossos. Sinto o peso das chagas abertas de Salvatore transferidas para a minha pele, um estigma de herança maldita. Cada palmo de solo lançado sobre ele é o sepultamento da minha piedade, transformando minha dor em um deserto gélido e impenetrável. Agora, sou apenas o eco de um rei morto, condenado a reinar sobre as cinzas de quem eu costumava ser antes deste calvário de silêncio e pó.
— Você tirou a luz dos olhos dele... — sussurro para as sombras entre as flores murchas. Minha voz soa como o arrastar de correntes no fundo de um poço. — Você o matou antes da morte, Dante. Você roubou a dignidade do meu sangue.
A raiva sobe como um incêndio tardio. Ela não substitui a dor; ela a abraça, torna-se o combustível necessário para eu continuar respirando. Eu me levanto devagar, o punho direito fechado em torno de um punhado de barro, tremendo não de fraqueza, mas de uma contenção violenta.
A chuva escorre pelo meu rosto. Eu não distingo mais o que é água e o que é lágrima — e essa confusão me enfurece. Eu não tenho o direito de chorar como uma criança enquanto o carrasco dele ainda respira o ar da Calábria.
— Eu juro — digo, e minha voz corta o som do vento. — Juro por essa terra que ainda guarda o calor do corpo do meu pai.
Olho em volta, mas não falo para os vivos. Falo para a terra. Para o vácuo que Salvatore deixou. Para o inimigo que, neste momento, deve estar celebrando sua vitória covarde.
— Tudo o que foi construído contra nós vai ruir. Cada golpe dado terá o dobro da força , Dante, e será devolvido com juros que sua linhagem não poderá pagar. Nada vai ficar de pé. Vou transformar o seu paraíso em um cemitério sem cruzes.
Abro a mão. O barro cai sobre o caixão com um som final. Um gesto simples. Irrevogável. Um contrato assinado com a sujeira do mundo.
Viro as costas para a cova aberta. Meu sobretudo chicoteia minhas pernas enquanto eu caminho, cortando a chuva que parece desejar lavar a terra em minha mão.
A dor permanece lá no fundo, pulsando, será assim enquanto eu viver, no entanto agora ela tem uma coleira. Eu a controlo.
Caminho sem olhar para trás. Não por coragem, mas por pura incapacidade. Se eu olhar uma última vez para aquele buraco, sei que algo dentro de mim vai ceder, e eu não sei o que sairia primeiro: o grito de um filho destroçado ou a violência cega de um monstro.
Do lado de fora do cemitério, a porta do carro se abre com um clique metálico. Entro, e o mundo fica subitamente mudo. O couro do banco toca minhas vestes molhadas, não sinto o conforto, nãosinto nada.
Suporto apenas o peso do meu próprio corpo. O peso do luto, e o peso dos anos que irei amadurcer meu plano.
Por um segundo ínfimo, minha postura cede. Meus ombros afundam. É o único sinal de derrota que eu permito que o universo veja, aqui, protegido pelos vidros fumê.
O motor ainda não liga.
O silêncio dentro do carro é diferente do silêncio do cemitério. Aqui ele é íntimo. c***l. Não há orações, não há chuva batendo na pele, não há olhares de julgamento. Só eu. E a minha mutilação interna.
A imagem do meu pai insiste em voltar — não o homem vegetal daquela cama de hospital, mas o Salvatore vivo.
A voz firme que me ensinou que o poder é uma carga, não um privilégio. O peso da mão dele no meu ombro quando eu era apenas um garoto tentando entender o mundo das sombras.
Salvatore sempre foi minha única certeza. Agora, o dicionário da minha vida perdeu todas as definições.
Fecho os olhos por um instante. O ar entra pesado nos meus pulmões, sai em rajadas curtas. O luto tenta subir de novo, mais humano, mais suave. Tenta se transformar em saudade, em memória, em uma dor que eu possa carregar com dignidade.
Eu não deixo. Eu o esmago. Precisa ser assim ou perderei minhas forças, vou ruir feito castelo de areia.
A raiva entra no lugar como ferro em brasa. Ele afasta a fragilidade que ameaça me tornar pequeno. A raiva é útil. A raiva me mantém focado. A raiva é a única coisa que me restou de verdade.
Ligo o carro. O ronco do motor vibra sob meus pés, sobe pela coluna, entra nos meus ossos.
Bom. Algo neste mundo ainda responde ao meu comando. Algo ainda funciona sob minha vontade.
No vidro lateral, o reflexo devolve um rosto que eu m*l reconheço. Meus olhos estão mais fundos, duas crateras de escuridão. Não há vestígio de humanidade agora — apenas uma fixação perigosa, um foco estreito demais para quem ainda pretende viver muito tempo.
— Acabou — murmuro, mas sei que menti. Não é um fim. É um corte necessário.
O carro avança, deixando o cemitério para trás. As árvores passam borradas, a paisagem se desfaz em tons de cinza e marrom. Tudo parece pequeno demais, insignificante demais para o tamanho do monstro que cresce no meu peito.
No carro de trás, Enzo e os outros seguem em um silêncio absoluto. Eles sentem. Não sabem explicar com palavras, mas sentem que o eixo do mundo foi deslocado. Eu não herdei apenas um império naquele solo sagrado. Eu herdei uma dívida de sangue que exige liquidação total.
A dor reaparece em ondas curtas, traiçoeiras, batendo contra as paredes da minha mente. Em certos momentos, ela aperta meu peito de tal forma que preciso segurar o volante com uma força sobre-humana, como se pudesse me ancorar no meu próprio ódio para não ser arrastado pela correnteza da tristeza.
— Você devia estar aqui, pai — penso, um pensamento proibido que escapa. — Deveria presenciar como eu os farei sangrar.
O pensamento me enoja. "Deveria" é uma palavra para perdedores.
Acelero.
Cada metro percorrido é uma decisão selada. Cada quilômetro é um passo para longe do filho que eu fui e mais perto do demônio que eu preciso ser. Não há ritual de passagem mais brutal do que este: quando a dor para de pedir consolo e começa a exigir cabeças.
Sinto, com uma clareza que me gela a alma, que nunca mais dormirei em paz. E desde que vi a linha reta no monitor do hospital, isso não me assusta. A paz é para os mortos. Para mim, resta o movimento, o fogo e a destruição.
A perda continua cravada em mim, um órgão novo e inflamado que pulsa no lugar do meu coração. Ela não vai embora. Mas agora, ela tem uma direção. Ela tem um nome. E esse nome é Dante Grecco.
O carro corta a estrada molhada com uma violência contida, como um projétil disparado para o centro do território inimigo. Meus olhos estão fixos à frente, mas minha mente é um álbum de fragmentos que eu tento queimar.
Lembro-me da mão do meu pai segurando a minha quando eu ainda era um menino que temia o escuro. Lembro-me da primeira ordem que ele me deu, testando minha fibra. Lembro-me do olhar severo que, hoje eu sei, escondia um cuidado desesperado para que eu não me perdesse antes da hora.
Cada lembrança é uma chicotada. Dói em camadas, da superfície da pele até o âmago do ser.
Aperto o volante até que o couro gema sob meus dedos. Meu corpo reage com um atraso físico àquilo que minha mente já aceitou: o teto desabou. Não há mais ninguém acima de mim para segurar o peso da coroa ou para me dizer quando parar. A liberdade que eu tanto quis agora parece um deserto vasto e mortal.
Sinto o cheiro das velas do funeral impregnado no meu sobretudo. É um cheiro de morte, de fim, de despedida. Odeio esse cheiro. Ele me lembra que eu falhei em proteger o homem que me deu tudo.
Sigo para a sede sem olhar pelo o retrovisor. Minha saliva é um bloco de gelo caindo em águas profundas. Desce pela garganta, arranha, machuca.
Mudo de trajetória. A cidade começa a surgir pela janela, cinza, indiferente, barulhenta. As pessoas caminham, compram , riem, vivem suas vidas medíocres como se, para mim, o pilar do mundo não tivesse caído hoje. Isso me causa uma náusea quase insuportável. O sol deveria ter se apagado. O mar deveria ter recuado.
A dor volta, traiçoeira, quando imagino meu pai sozinho no escuro da terra fria. O pensamento acende uma lâmpada n***a no meu estômago. Minha raiva se organiza. Já não é o grito no cemitério; agora é cálculo. É o Conde assumindo o controle da máquina.
Estaciono diante do edifício de pedra antiga. A sede dos nossos negócios. O lugar onde Salvatore reinou com uma mão firme e um silêncio que impunha respeito.
Desço do carro. O frio da chuva agora é meu aliado. Ele me mantém alerta.
O prédio é sólido, imponente, construído para resistir a séculos de intempéries. Assim como tudo o que meu pai valorizava.
Por um segundo, sinto uma vontade infantil de subir ao escritório dele, fechar a porta e respirar o cheiro de charuto e papel antigo que ainda deve flutuar por lá. Só para me sentir protegido uma última vez.
Eu mato essa vontade antes que ela chegue aos meus pés. Subir para buscar conforto seria uma traição à memória dele. O conforto acabou.
Dou voz a minha vontade, adentro ao prédio, sigo pelas escadas e paro diante da porta de madeira bruta.
Entro, caminho até a cabeceira da mesa. A cadeira de Salvatore está , vazia, gritando a ausência dele. Eu não me sento nela de imediato. Coloco minhas mãos sobre o tampo de carvalho escuro, sentindo as cicatrizes na madeira.
O silêncio na sala é tão denso que posso ouvir a minha respiração.
Eu inspiro o ar viciado da sala devagar. Não fujo da dor. Eu a abraço como se fosse uma amante fiel. Ela é a minha bússola agora.
Um novo tipo de reinado começou. Um reinado nascido na lama do cemitério e batizado com o sangue de um filho que perdeu a capacidade de sentir qualquer coisa que não seja o desejo de ver o mundo arder.
Sinto, com uma clareza absoluta, que o Rafaelo que amava, que esperava e que sonhava, ficou para trás, enterrado a sete palmos sob a chuva . O que está aqui agora é um instrumento de vingança.
E nada no céu ou na terra poderá me deter. Vou usar Rosália para chegar ao coração de Dante, e quando eu arrancar aquele coração, farei com que ele sinta cada grão de terra que agora cobre o rosto de Salvatore.
A guerra não começou hoje. Hoje, ela apenas se tornou pessoal. E eu não pretendo deixar sobreviventes para contar a história.
O meu capítulo final será escrito com o sangue dos Grecco, e eu farei questão de que a tinta nunca seque.
A cadeira ainda me encara, silenciosa, como se aguardasse um veredito. O couro escuro guarda a forma do corpo dele, a memória de um homem que nunca demonstrou hesitação. Por um instante, sinto que, se eu me sentar, o peso da coroa se ajustará definitivamente à minha cabeça, e não haverá retorno.
Puxo a cadeira devagar. O som do atrito contra o piso de madeira ecoa como uma sentença sendo lida. Sento-me.
O mundo não para. Nada explode. Nenhuma revelação divina acontece. Apenas o silêncio — pesado, irrevogável — aceita minha presença naquele lugar.
Agora sou eu. Agora é a minha vez... um outro tempo, um novo jogo...
A percepção não traz orgulho. Traz um frio lento que se infiltra pelos meus ossos, como se a própria sala estivesse testando minha resistência. Apoio os cotovelos sobre a mesa e entrelaço os dedos. As mãos ainda carregam resíduos de terra sob as unhas. Não limpei. Não quis limpar. Aquela sujeira é meu juramento. Um pacto que fiz em silêncio com o meu pai.
A porta se abre com discrição. Enzo entra, seguido por dois dos homens mais antigos da casa. Eles param a poucos passos, respeitando a distância que antes pertencera ao meu pai.
Eu não levanto o olhar imediatamente. Quero que sintam. Quero que entendam que algo mudou. Muitos renascem do caos ou das cinzas, eu estou sendo parido pelos dois.
— Os contatos já começaram a ligar — diz Enzo, com a voz baixa. — Alguns para prestar respeito… outros para medir terreno.
Claro. Os abutres.
Ergo os olhos devagar. Enzo endurece levemente, e isso me diz tudo. Ele vê. Eles todos veem. O homem que entrou naquele cemitério não saiu de lá.
— Ninguém responde — digo, minha voz firme, sem elevar o tom. — Hoje não.
— E amanhã? — pergunta um dos homens.
Inclino levemente a cabeça.
— Amanhã, eles não vão ligar. — Faço uma pausa curta. — Amanhã, eles vão esperar que eu ligue.
O silêncio volta, mais pesado. A lógica é simples: quem liga primeiro demonstra necessidade. Eu não preciso de ninguém.
Levanto-me da cadeira de Salvatore. Não por insegurança, mas por estratégia. Ainda não é hora de ocupar o trono definitivamente. Ainda não. Primeiro, preciso que todos sintam a ausência. Que o vazio se transforme em medo.
Caminho até a janela. A cidade se estende lá fora, molhada, viva, indiferente. Aperto o maxilar.
— Reúnam todos os capitães — ordeno. — Hoje à noite.
Enzo hesita por um segundo.
— Todos?
— Todos.
Minha voz não admite dúvidas.
— A partir de agora, ninguém se move sem minha autorização. Nenhum acordo, nenhuma entrega, nenhum pagamento. Quero silêncio absoluto.
Eles assentem.
— E Dante? — pergunta Enzo.
Sinto algo frio percorrer minha espinha.
— Dante… — murmuro, como se provasse o nome. — Dante vai pensar que venceu, que aniquilar o meu clã.
Viro-me lentamente.
— E é exatamente isso que eu quero.
O silêncio na sala se torna denso como pólvora.
Porque quando um homem acredita que o inimigo caiu… ele abaixa a guarda.
E eu não pretendo apenas vencer Dante Grecco.
Eu pretendo apagá-lo. Virar a vida dele do avesso sem que ele tenha a percepção de que isso está acontecendo.
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