O casamento por contrato

1197 Words
2 semanas depois... ALESSANDRA SALVATORE O dia do casamento chegou e eu estava bastante ansiosa para conhecer esse tal marido que os meus pais me deixaram como "herança". Não estava ali de m*l agrado, mas estava ansiosa, temendo o desconhecido e pensando em quantas vezes os nossos pais erraram conosco. Não consegui me lembrar de nenhuma naquele momento de nervosismo e isso me fez acreditar que mais uma vez a sua decisão era a certa. O meu vestido era simples. Um longo, com corte reto, decote em V, alças finas e muitas pedras. Uma trança em meus cabelos e um buquê de lírios. — Olhe, Alê. — Bianca mostrou um diadema pequena com pedras parecidas com a de meu vestido. — Um dia a mamãe me mostrou e contou que ela usou em seu casamento. Dizem que usar uma coisa velha dá sorte. — Então mete aí, que o que mais preciso no momento é de sorte. Como será esse tal de Dário? — Também estou curiosa. Espero que seja um homem bonitão que te pegue de jeito. Rimos juntas. — Eu não teria tanta esperança. Só imagino um homem de meia idade com um barrigão. — É. Com uma esperança dessas, não tem pente que te ajude. A nossa governanta entrou. Ela estava apressada e com os olhos arregalados. — Já posso ir? A cerimônia já começou? — O noivo ainda não chegou. — Como ainda não chegou? — Ele ainda não veio. — E o avô? — Também não. Ele está acamado e não estará presente. O velho ficou r**m logo no dia do casamento do neto? Parece até piada. Eu estava nervosa e com isso me veio um baita estresse. — E os convidados? — Tem algumas pessoas. Nós já não esperávamos muita gente mesmo. Dei um sorriso forçado. — Tá bom. Assim que começar, me avise. Bianca, vá dar uma olhada nisso e me conte o que acha. — Tá bom. — ela deixou o pente preso em meus cabelos e saiu do quarto. Já vi a noiva se atrasar, mas noivo é a primeira vez. Enquanto esperava o noivo chegar, andei de um lado para o outro do quarto, pensando em como vou dizer sim para esse desconhecido. É só um contrato. Só um contrato. Não é só um contrato. É um casamento mesmo! E terei que deitar com ele. Isso me deixou realmente apreensiva, mas eu estava disposta a viver um casamento como os meus pais desejavam. 1 hora depois... Ele não chegou e eu resolvi sair na sala para saber que diabos tinha acontecido. Um advogado (apontado por minha irmã, que havia ouvido sua apresentação), acabara de chegar e conversava com o advogado da nossa família. Este por sua vez, assentiu para tudo o que ouvia, então olhou para mim. Os poucos convidados estavam distraídos demais para enxergar que ali tinha uma noiva e que faltava um noivo. Os advogados vieram até onde eu e a minha irmã estávamos. — Alessandra, vamos conversar em outro lugar. — ele apontava para a sala de onde eu havia saído anteriormente. Nós entramos e quando chegou perto de uma mesa, o advogado desconhecido colocou sua pasta em cima dela. — Srta, estou aqui em nome do Sr. Dário Tommaso. — E o que houve com ele? — logo me preocupei. — Ele não virá. Mas era só o que me faltava. — E qual a justificativa para alguém faltar ao próprio casamento? Tinha que ser muito boa para me convencer. — O Sr. Dário não mencionou o motivo, mas mandou os papéis do contrato de casamento para a Srta. Assinar. Mais surpresas. Olhei para o meu advogado e ele nem sabia o que dizer. O tal advogado dos Tommaso abriu sua pasta e me entregou o contrato. Li junto ao meu advogado. Era um contrato de casamento, onde nossa união duraria três anos, sendo que ao final nos separaremos e eu não receberei nada de seus bens, assim como ele não receberá nada meu. — Isso é um insulto! Ele acha o que? Que estou me casando com ele por interesse em seus bens?! — olhei para o advogado dele, que como um fantoche não dizia nada. — Os meus pais nunca inventariam um casamento com interesse no dinheiro dos outros! Não acredito que é com esse tipo de ser humano que terei que me casar! — Barbaridade. — Bianca comentou. — Eu não sei se é uma boa ideia assinar esses papéis. — falei seriamente para o nosso advogado. — Os meus pais não ficariam felizes com isso. Eu tenho certeza. — Então pense nestes termos como uma alternativa para não ficar casada com ele para o resto da vida. Você está cumprindo os desejos de seus pais e será a diretora da empresa. Daqui a três anos esse contrato vence a acabou toda essa história. Um longo silêncio perdurou naquele cômodo até que a minha irmã tocou o meu braço e olhei para ela. — Faça pelos nossos pais. Enchi os pulmões de ar. — Só pelos nossos pais. Cadê a caneta? [...] Depois do desastre que foi esse casamento, eu ainda fui obrigada a me mudar para a casa do cretino que me abandonou no altar. Tinha que fazer isso, pois não era só do interesse dos meus pais. Esse casamento era do interesse de Joseph Tommaso, o avô do meu "querido marido". Que, aliás, nunca tive o desprazer de conhecer. Ele nunca apareceu em casa, mesmo assim, para o seu avô nós éramos um casal que mesmo distante estava feliz. Mais tarde eu comprei um apartamento perto da minha faculdade e fiquei por ali na minha paz. Agora, 3 anos depois de assinar aquele contrato, me encontro tentando falar com o referido marido, Dário Tommaso, para resolvermos o divórcio. O procurei em sua casa umas cinco vezes e nunca consegui encontrá-lo. Depois de várias tentativas de contato, a minha última alternativa foi ir direto ao ponto com Joseph, para discutir sobre isso. — O que está acontecendo, minha jovem? — ele levantou sua cabeça em minha direção e deixou o cigarro cair no chão. Corri e peguei antes que acontecesse um desastre. — Onde está o seu neto? — Viajando. — Viajando ou fugindo de mim? — indaguei, depois de apagar a bituca no cinzeiro e largá-la ali mesmo. — Eu respeito muito o Sr. e sei que tinha esperanças no nosso casamento, mas o Sr. sabe que o seu neto nunca colaborou. Sempre me tratou como uma qualquer. Já faz 3 anos desde o nosso casamento e o contrato diz que podemos nos separar. Então eu quero a separação. Quero tirar o nome Tommaso da minha identidade e não ter que falar mais desse casamento infeliz. — Tem certeza? Por que não tentam novamente? — Agora eu só vejo uma forma de felicidade e é o divórcio. Ele se entristeceu. Eu sabia que ele tinha fé no nosso casamento, mesmo o seu neto nunca tendo aparecido. — Tá bom. Eu vou mandar a governanta procurá-lo, seja lá onde ele está e avisar sobre. Agora me parece que a viagem dele não foi para tão longe. — Ótimo. Obrigada.
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