2 semanas depois...
ALESSANDRA SALVATORE
O dia do casamento chegou e eu estava bastante ansiosa para conhecer esse tal marido que os meus pais me deixaram como "herança".
Não estava ali de m*l agrado, mas estava ansiosa, temendo o desconhecido e pensando em quantas vezes os nossos pais erraram conosco. Não consegui me lembrar de nenhuma naquele momento de nervosismo e isso me fez acreditar que mais uma vez a sua decisão era a certa.
O meu vestido era simples. Um longo, com corte reto, decote em V, alças finas e muitas pedras. Uma trança em meus cabelos e um buquê de lírios.
— Olhe, Alê. — Bianca mostrou um diadema pequena com pedras parecidas com a de meu vestido. — Um dia a mamãe me mostrou e contou que ela usou em seu casamento. Dizem que usar uma coisa velha dá sorte.
— Então mete aí, que o que mais preciso no momento é de sorte. Como será esse tal de Dário?
— Também estou curiosa. Espero que seja um homem bonitão que te pegue de jeito.
Rimos juntas.
— Eu não teria tanta esperança. Só imagino um homem de meia idade com um barrigão.
— É. Com uma esperança dessas, não tem pente que te ajude.
A nossa governanta entrou. Ela estava apressada e com os olhos arregalados.
— Já posso ir? A cerimônia já começou?
— O noivo ainda não chegou.
— Como ainda não chegou?
— Ele ainda não veio.
— E o avô?
— Também não. Ele está acamado e não estará presente.
O velho ficou r**m logo no dia do casamento do neto? Parece até piada.
Eu estava nervosa e com isso me veio um baita estresse.
— E os convidados?
— Tem algumas pessoas.
Nós já não esperávamos muita gente mesmo.
Dei um sorriso forçado.
— Tá bom. Assim que começar, me avise. Bianca, vá dar uma olhada nisso e me conte o que acha.
— Tá bom. — ela deixou o pente preso em meus cabelos e saiu do quarto.
Já vi a noiva se atrasar, mas noivo é a primeira vez.
Enquanto esperava o noivo chegar, andei de um lado para o outro do quarto, pensando em como vou dizer sim para esse desconhecido.
É só um contrato. Só um contrato. Não é só um contrato. É um casamento mesmo!
E terei que deitar com ele. Isso me deixou realmente apreensiva, mas eu estava disposta a viver um casamento como os meus pais desejavam.
1 hora depois...
Ele não chegou e eu resolvi sair na sala para saber que diabos tinha acontecido.
Um advogado (apontado por minha irmã, que havia ouvido sua apresentação), acabara de chegar e conversava com o advogado da nossa família. Este por sua vez, assentiu para tudo o que ouvia, então olhou para mim.
Os poucos convidados estavam distraídos demais para enxergar que ali tinha uma noiva e que faltava um noivo.
Os advogados vieram até onde eu e a minha irmã estávamos.
— Alessandra, vamos conversar em outro lugar. — ele apontava para a sala de onde eu havia saído anteriormente.
Nós entramos e quando chegou perto de uma mesa, o advogado desconhecido colocou sua pasta em cima dela.
— Srta, estou aqui em nome do Sr. Dário Tommaso.
— E o que houve com ele? — logo me preocupei.
— Ele não virá.
Mas era só o que me faltava.
— E qual a justificativa para alguém faltar ao próprio casamento?
Tinha que ser muito boa para me convencer.
— O Sr. Dário não mencionou o motivo, mas mandou os papéis do contrato de casamento para a Srta. Assinar.
Mais surpresas.
Olhei para o meu advogado e ele nem sabia o que dizer.
O tal advogado dos Tommaso abriu sua pasta e me entregou o contrato. Li junto ao meu advogado.
Era um contrato de casamento, onde nossa união duraria três anos, sendo que ao final nos separaremos e eu não receberei nada de seus bens, assim como ele não receberá nada meu.
— Isso é um insulto! Ele acha o que? Que estou me casando com ele por interesse em seus bens?! — olhei para o advogado dele, que como um fantoche não dizia nada. — Os meus pais nunca inventariam um casamento com interesse no dinheiro dos outros!
Não acredito que é com esse tipo de ser humano que terei que me casar!
— Barbaridade. — Bianca comentou.
— Eu não sei se é uma boa ideia assinar esses papéis. — falei seriamente para o nosso advogado. — Os meus pais não ficariam felizes com isso. Eu tenho certeza.
— Então pense nestes termos como uma alternativa para não ficar casada com ele para o resto da vida. Você está cumprindo os desejos de seus pais e será a diretora da empresa. Daqui a três anos esse contrato vence a acabou toda essa história.
Um longo silêncio perdurou naquele cômodo até que a minha irmã tocou o meu braço e olhei para ela.
— Faça pelos nossos pais.
Enchi os pulmões de ar.
— Só pelos nossos pais. Cadê a caneta?
[...]
Depois do desastre que foi esse casamento, eu ainda fui obrigada a me mudar para a casa do cretino que me abandonou no altar.
Tinha que fazer isso, pois não era só do interesse dos meus pais. Esse casamento era do interesse de Joseph Tommaso, o avô do meu "querido marido".
Que, aliás, nunca tive o desprazer de conhecer.
Ele nunca apareceu em casa, mesmo assim, para o seu avô nós éramos um casal que mesmo distante estava feliz.
Mais tarde eu comprei um apartamento perto da minha faculdade e fiquei por ali na minha paz.
Agora, 3 anos depois de assinar aquele contrato, me encontro tentando falar com o referido marido, Dário Tommaso, para resolvermos o divórcio.
O procurei em sua casa umas cinco vezes e nunca consegui encontrá-lo.
Depois de várias tentativas de contato, a minha última alternativa foi ir direto ao ponto com Joseph, para discutir sobre isso.
— O que está acontecendo, minha jovem? — ele levantou sua cabeça em minha direção e deixou o cigarro cair no chão. Corri e peguei antes que acontecesse um desastre.
— Onde está o seu neto?
— Viajando.
— Viajando ou fugindo de mim? — indaguei, depois de apagar a bituca no cinzeiro e largá-la ali mesmo. — Eu respeito muito o Sr. e sei que tinha esperanças no nosso casamento, mas o Sr. sabe que o seu neto nunca colaborou. Sempre me tratou como uma qualquer. Já faz 3 anos desde o nosso casamento e o contrato diz que podemos nos separar. Então eu quero a separação. Quero tirar o nome Tommaso da minha identidade e não ter que falar mais desse casamento infeliz.
— Tem certeza? Por que não tentam novamente?
— Agora eu só vejo uma forma de felicidade e é o divórcio.
Ele se entristeceu.
Eu sabia que ele tinha fé no nosso casamento, mesmo o seu neto nunca tendo aparecido.
— Tá bom. Eu vou mandar a governanta procurá-lo, seja lá onde ele está e avisar sobre.
Agora me parece que a viagem dele não foi para tão longe.
— Ótimo. Obrigada.