DÁRIO TOMMASO
Comecei a trabalhar na faculdade e conheci Luísa lá.
Ela é muito carismática, até chega a ser enxerida demais. Me convidou para a inauguração de seu bar. Algo que eu já deveria esperar, pois ela é desse tipo que gosta de uma festa. Eu não fico por trás. Aceitei.
Tive alguns imprevistos no caminho devido à malditos homens que vazaram o meu endereço. Caí numa emboscada. Estava longe da Sicília, mesmo assim me encontraram ali em Milão.
Por sorte, fui ajudado por uma garota bondosa que me tirou o fôlego e me deixou bastante admirado por sua coragem.
Nenhuma pessoa em sã consciência faria o que ela fez. Talvez fosse uma louca ou simplesmente uma pessoa destemida.
Depois disso eu coloquei as pessoas de confiança, Velan e alguns homens para resolverem este problema, então me arrumei e fui para o bar de Luísa, acompanhado de alguns subordinados que garantiam a minha segurança desta vez.
O que eu não esperava era me encontrar com a destemida garota que me salvou naquela noite. E para minha grande surpresa ela era amiga de Luísa.
Eu não esqueci do seu rosto. A memória estava fresca em minha cabeça, mas ela não se lembrava de mim.
— Vamos dançar?
— Vamos. — ela balançou a cabeça. Ainda agia da mesma forma da hora em que me levou para longe dos inimigos. Mas parecia intrigada por eu falar que lembrava dela.
Não era possível que ela tivesse me esquecido.
Resolvi lhe dar tempo para pensar enquanto dançamos.
Ela dançava muito bem e tinha um sorriso tímido que me fazia querer beijá-la. Seus olhos verdes brilhavam em meio às luzes piscantes do bar me hipnotizaram.
— Olha, eu estava planejando falar com você e te dar uma desculpa para ir embora. — ela revelou.
— Um fora? Por que? — estranhei.
— Luísa teima em me arranjar pretendentes e ela tem um certo gosto duvidoso.
Eu ri.
— Suponho que você e Luísa são amigas próximas.
— Sim. — ela balançou a cabeça enquanto dançava. — Nos conhecemos na faculdade.
— Você estuda na mesma faculdade que ela?
— Sim. Você estuda lá? — ela falava sorrindo?
— Não. Eu sou professor lá.
— Sério?! — ela ficou admirada.
— Sim. Faz pouco tempo. Sou professor de psicologia.
Ela sorriu.
Seu sorriso faz o meu lado pacífico ficar mais evidente.
Não era possível que ela não se lembrava de mim.
Não pela faculdade, mas pelo que aconteceu.
Ela está fingindo que não me reconhece.
Cheguei no seu ouvido e então perguntei. — Por que me enganou?
— Como? — ela ficou intrigada.
— Por que fingiu que não me reconheceu? Há pouco tempo atrás eu estava em seu carro.
Ela afastou seu rosto do meu e fez um O com a boca. — É você?
— Sim. Eu mesmo. — me diverti com a situação e pelo visto ela não me enganou. Ela simplesmente não me reconheceu.
— Juro que não te reconheci. — ela ficou admirada e até parou de dançar, mas eu a guiei na música lenta que havia começado.
— Olha, esta é a primeira vez que uma mulher não se lembra do meu rosto. E muitas delas até querem uma primeira noite comigo quando me vêem pela primeira vez. Você me dispensou e se esqueceu de mim rapidamente. — brinquei.
— Desculpa. Eu não consegui me lembrar de você. Também, você estava com o rosto completamente coberto de sangue. Eu não conseguiria te reconhecer ou tomar qualquer decisão te vendo daquele jeito.
— Não sei se suas desculpas são sinceras. Que tal um encontro no fim de semana?
Ela sorriu. — Pode ser, como meu pedido de desculpas.
— Ótimo. — puxei o celular de seu bolso e digitei o meu contato nele.
— Hey! Vai com calma! — ela pegou o celular de minha mão. — Dr. D?
— Doug.
— É assim que te chamam? — ela riu de mim. — Então o seu nome é Douglas?
Dário.
— Me chame do que quiser.
Ela mexeu no celular e depois o guardou.
Fui pegar mais uma bebida e ela veio junto comigo. Ela virou uma dose do whisky goela a baixo e depois voltou para a pista de dança e começou a dançar.
Então a música lenta acabou e uma música mais agitada começou.
Eu fiquei perplexo com o glamour e paixão que essa mulher tem. Me deixou louco vê-la dançando daquele jeito para mim.
Tomei um pouco da bebida e hipnotizado eu fui atrás dela para dançar juntos.
Ela dançava do jeito que eu gostava.
Com certeza era uma ótima parceira de dança e eu sabia pelo jeito que ela me olhava e que dançava para mim que ela me queria tanto quanto eu a queria.
Estávamos bastante atraídos um pelo outro e eu não queria que aquela noite acabasse.
A garota me salvou e depois me conquistou.
Além de ser tão destemida, ainda era apaixonante.
Era a mulher que eu queria. Sem dúvidas era ela.
Dançamos a noite toda. também bebemos muito e ficamos bem próximos.
Luísa estava vendo isso tudo com muito orgulho. Ela soube juntar as pessoas certas.
Eu poderia estar resolvendo o problemão em que me meteram, mas não tinha lugar melhor do que ali com ela.
Eu estava louco para partir para um próximo passo, mas sabia que não conseguiria ficar só naquilo o resto da noite.
Quando a festa terminou, a levei para casa.
— E o meu carro?
— Um dos meus motorista vai levar. Eu quero ter o prazer de te levar pra casa.
Ela não parecia tão sóbria, mas isso a deixava mais sorridente ainda.
— Engraçado. Há pouco estávamos em lugares diferentes, no meu carro.
Eu sorri.
Olhei no retrovisor e um dos meus homens estava trazendo o carro dela, assim como Velan estava em outro carro nos acompanhando.
— Onde fica a sua casa, Francesca?
— É mesmo. Eu esqueci de te dar o endereço. Fica atrás da rua principal, 16. Você mora aqui?
— Agora que trabalho na faculdade, sim.
— Sabe, quando você me disse que eu poderia escolher uma recompensa e deu as opções, eu imaginei que você era o tipo de homem poderoso e até perigoso. O que a máfia fazia atrás de um professor de faculdade?
Talvez eu seja muito mais do que isso, doçura.
— Como você disse, eles prometem proteger os civis, mas quando os inimigos aparecem...
No meu caso, eu protejo sim os civis. Ao menos na minha cidade existem regras onde ninguém pode atirar em pessoas inocentes.
— É este aí. — ela apontou para o prédio. — O meu lar.
Dei uma olhada e parei o carro. Ela tirou o cinto sorrindo.
— Então, Doug. Obrigada pela noite e pela carona.
Tirei o cinto e antes que ela saísse, segurei o seu rosto e o puxei em minha direção, para lhe dar um beijo de despedida.
Eu havia adiado beijá-la na festa pois não conseguiria ficar só nisto, mas a deixando aqui eu voltarei para a minha casa e poderei me aliviar sem deixar a bela Francesca assustada comigo.
Seus lábios eram macios e carnudos e sua saliva era doce. Assim que sua boca ficou entreaberta, a envolvi num beijo de língua que me permitiu explorar aquela boca que tanto desejei naquela noite.
Minhas mãos também não resistiram ao momento e acabaram procurando por suas curvas naquela calça justa que ela usava. Seu corpo magro era muito sexy. Eu a imaginava sem roupa e era uma bela visão.
Então ela afastou seu rosto e ficou sorrindo com as bochechas coradas.
Apaixonante.
— Eu vou entrar.
— Eu vou te ligar. Não ouse se esquecer de mim de novo.
— Depois dessa noite e desse beijo, acho que será difícil esquecer. — ela pegou sua bolsa e saiu do carro. Saí também e peguei a chave dela com um dos meus subordinados. Entreguei em suas mãos. — Boa noite. — ela se afastou sorrindo.
Fiquei de olho até que ela subiu os degraus da calçada e entrou em sua casa.
Então o meu sorriso se desmanchou em frieza e me virei para meus homens e Velan.
— Saiam daqui. — ordenei calmamente aos meus subordinados e fui ao encontro de Velan. — O que aconteceu esta noite?
— Traição. Mas todas as pessoas que estavam envolvidas nesta emboscada já foram mortas, Vossa excelência.
— Ótimo. Mas por pouco o meu fim não chegou. Esta garota me salvou. Por isso, Velan, você deve protegê-la. Alguns deles estão mortos, mas deve existir mais. Como sempre. E eu tenho certeza que eles devem ter anotado a placa do carro dela. Eles viram quando ela chegou. Você deve protegê-la e se acontecer alguma com ela, você pagará com a sua vida.
— Sim. Vossa excelência. — ela abaixou a cabeça e concordou em obediência.
Voltei ao meu carro e dirigi para minha casa.