VN narrando A noite tava sinistra. Céu fechado, lua encoberta, e o silêncio da madrugada pesando como um prenúncio de desgraça. Eu tava encostado no portão da contenção, trocando umas ideias com os moleques e soltando fumaça da minha erva, olhando pro nada, sentindo o ar pesado, o clima estranho. Tava daquele jeito que a gente já sabe que alguma merda tá pra acontecer. E não deu outra. Um dos vapores do Coiote apareceu correndo, todo fodido, sangue escorrendo da testa, camisa rasgada, e o desespero estampado no olhar. — VN, caralho... deu merda! — ele arfava, m*l conseguia respirar. — O Rei... o Chacal... invadiu o morro... levaram o patrão... Meu coração congelou por um segundo, mas minha cara seguiu fria. Traguei fundo a fumaça, soltei devagar pela narina, e dei uma risada seca, sem

